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Lula na África - foto: Ricardo Stucker/PR

Lula não agradeceu à escravidão

Por Daniel da Costa

Lula na África – foto: Ricardo Stucker/PR

Lula não agradeceu à escravidão, só na cabeça de alienados alguém agradece à escravidão. Todavia, quem fez isso e muito pelo retorno à escravidão, recentemente, foram Michel Temer, Bolsonaro e Paulo Guedes

 Lula agradeceu ao povo escravizado, já que tudo que foi fabricado e feito, durante 350 anos de escravidão (eu diria mais de 400 anos institucionalizada e até hoje), anos que constituíram o Brasil miscigenado, com portugueses, negros e indígenas, foi feito pelos africanos escravizados, por sua mão de obra escrava.

Alienados e idiotas de plantão, se vocês não conseguem entender um discurso, uma expressão que deve ser compreendida dentro de um contexto mais amplo, o discurso de Lula dentro da política do presidente Lula que tem sido a que, na história do Brasil, realmente implementou uma política de inclusão dos brasileiros negros e que realmente levantou esta pauta com ministérios e políticas públicas condizentes.

Não se agradece a escravidão, a condição de escravidão. Se agradece às pessoas escravizadas. E a forma que Lula demonstra essa gratidão é pelo que ele está fazendo. Ampliando as relações comerciais com a África, e investindo em seu desenvolvimento; além de estabelecer políticas de inclusão social e afirmativas dos negros brasileiros e quilombolas etc.

Lula agradece aos que foram escravizados porque foram eles, com seu trabalho, que possibilitaram o Brasil se estabelecer como nação: durante o período em que durou a escravidão no Brasil, todo trabalho braçal e que exigia especialização (barbeiro, curtidor, sapateiro etc.) era feito pelos africanos escravizados.

Lula agradeceria à escravidão se agradecesse ao modo de produção escravagista que possibilitou o tipo próprio de acumulação capitalista incipiente que caracterizou os primeiros três séculos do período moderno e que preparou o segundo momento da acumulação capitalista, o da revolução industrial, pelo trabalho assalariado a partir de 1840 na Europa, e que se tornou o novo modo de escravização social da classe trabalhadora. Com seu tipo próprio de acumulação por meio da apropriação, por parte dos capitalistas, até a mais valia absoluta, constituída pela riqueza produzida pela *mão de obra operária*.

Assim, gado alienado, quem agradece a escravidão são Michel Temer, Bolsonaro, Paulo Guedes, empresários bolsonaristas, e ruralistas do agronegócio, que gostam da desregulamentação do mercado de trabalho para manterem trabalhos precarizados sem seguridade alguma, exatamente como ocorria na escravidão.

Quem agradece a escravidão é o Michel Temer que quando deu o golpe de 2016, impôs uma agenda não eleita nas urnas chamada “Ponte para o futuro”. Que na verdade se tratou de uma “pinguela liberal de retrocesso para o pior dos séculos de escravização no Brasil”. Paralisando investimentos sociais por 20 anos, destruindo toda seguridade social e legal (os direitos trabalhistas) conquistados a duras penas pelos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras 53 anos após a abolição formal da escravatura por Getúlio Vargas.

Quem continuou o agradecimento à escravidão e fortaleceu o monumento liberal à ela erigido por Michel Temer foram Bolsonaro e o Paulo Guedes, que destruíram as políticas de combate ao trabalho escravo, e investiram na desregulamentação e precarização dos novos trabalhos por meio de aplicativos.

Bolsonaro e Guedes foram mais longe ainda. Ampliaram o conceito de “emprego” para encobrir o crescimento de uma massa de trabalhadores sem direitos e sem perspectivas de vida. Bolsonaro e Guedes, para fim de insuflar estatísticas, passaram a contar como “emprego” qualquer tipo de “bico” e a chamar isso de “empreendedorismo”.

Quem agradece também à escravidão é a canalha do agronegócio que gosta de manter trabalho trabalho escravo em suas lavouras.

Não confundam as coisas, gado alienado.

Daniel da Costa é teólogo, mestre e doutor em filosofia pela USP, pedagogo e músico profissional.

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