Construir Resistência
Crédito: arquivo pessoal

Lula cresce e Bolsonaro despenca nas intenções de voto

Por Simão Pedro Chiovetti

Mas, tem muito chão pela frente ainda.

Se Moro e Dallagnol pensaram que seria fácil, com a #LavaJato, abater com meia dúzia de mentiras o maior líder popular que o povo brasileiro produziu, se enganaram. Não só eles. Também a #Globo, outros grandes meios de comunicação, o departamento de estado dos EUA, o Sistema também que os apoiaram.

Esqueceram que o pernambucano que veio para o Sudeste de pau-de-arara aprendeu com sua mãe, dona Lindú, a nunca abaixar a cabeça e nunca desistir dos seus sonhos e sua dignidade. Pois bem, Lula, apenas 2 meses depois de conquistar junto ao #STF o atestado de inocência contra as injustas acusações que lhe fizeram, Lula avança nas pesquisas de preferência do povo brasileiro para a presidência da República que o quer de volta para tirar o Brasil do atoleiro de mortes, misérias, isolamento político e devastação em que nos meteram.

Se bem que as eleições ainda estão um pouco longe, mas a pesquisa do #DataFolha publicada ontem (12) captou bem o clima, cada dia maior, de saco cheio crescente do povo a respeito de toda a enganação produzida pelas elites econômicas e seus operadores no atual governo. Aliás, Bolsonaro cai a passos largos na avaliação popular e vê diminuído sua sustentação.

Pelo Datafolha, Lula (do PT) tem a preferência de 41% dos brasileiros já no 1º turno contra 23% de Bolsonaro (sem partido atualmente). Num 2º turno, subiria para 51% contra 35% para Bolsonaro. Os demais aspirantes ao principal cargo público do País não passam de 1 digito: Sérgio Moro (sem partido) 7%, Ciro Gomes (PDT) 6%, João Dória (PSDB) 3%, Luciano Huck (sem partido) 2%, Amoedo (Novo) 2% e 9% para brancos e nulos.

Lula ao que indica está abocanhando parte do eleitorado de Bolsonaro e entra no núcleo duro dele que são os evangélicos, com forte derretimento no seu eleitorado. Lula também catalisa os votos de outras candidaturas infladas pela Globo e parte de uma dita oposição progressista como as que defendem Moro e Ciro Gomes.

A aprovação ao governo Bolsonaro cai para 24% de bom/ótimo (era 30% no começo de abril) e sobe para 45% os que o consideram ruim/péssimo (era 44% há um mês). E 30% avaliam como regular (era 24%). Em termos de rejeições, Lula também tem grande vantagem sobre Bolsonaro: 54% não votariam no atual presidente de jeito nenhum. Nesse quesito Lula tem 36% de rejeição e os demais têm rejeição abaixo de 30%.

Na minha opinião, 3 fatores importantes incidem na conjuntura e ajudam a produzir esses resultados:

O primeiro é a #pandemia e o descontrole da proliferação das contaminações e mortes recordes, a falta de vacinas e o absurdo caminho de apostar na estratégia da “contaminação do rebanho” por parte de Bolsonaro e seu governo. As 435 mil mortes até o momento e o número de quase 3 mil mortes diárias nestas últimas semanas atingiram quase todos os brasileiros que tiveram um parente, conhecido ou amigo morto.

A postura criminosa do presidente de abrir guerra contra o STF, governadores e prefeitos que apostam em medidas sanitárias coerentes com o que orienta os órgãos científicos e médicos sérios, a negligência em relação ao socorro emergência à população e a inépcia em relação à compra e produção de vacinas chegaram ao conhecimento da maioria da população. O funcionamento da #CPI no Senado e as revelações dos ex-ministros e auxiliares de Bolsonaro em relação à postura negacionista e à escolha de um caminho genocida (forçar a receita de cloroquina, “tratamento precoce” etc) do chefe colaboram com os esclarecimentos e aumentam as críticas. O sentimento de que muitas dessas mortes poderiam ser evitadas e que mais e mais gente vão morrer nos próximos meses cresce a cada dia.

Um segundo fator é a queda acentuada da renda dos brasileiros. E não é só entre os setores mais pobres não. Também nas classes médias isso é sentido. E todos sabemos o quanto isso é corrosivo nas avaliações dos governantes.

Segundo levantamento do #Dieese publicado no final de abril, mais de 30 milhões de brasileiros deixaram a classificação de classe C e caíram para as classes D e E. E a perspectiva é que em 2021 haja mais perdas de renda das classes médias para baixo. A fome já atinge 19 milhões de brasileiros e outros 106 milhões sofrem de insegurança alimentar.

O setor de serviços vive um desastre e o desemprego só aumenta junto com a inflação, principalmente de itens básicos como combustíveis e alimentos . Por mais malabarismos que Paulo Guedes e sua equipe de fanáticos neoliberais tentem fazer para mostrar uma ilusória melhora nos números da economia, o povão sente na pele as dificuldades, ainda mais com um rebaixado #AuxílioEmergencial que não dá pra nada, que chegou atrasado e só por 4 meses.

Creio que pegou mal também o Bolsonaro passeando de moto no estilo “vivendo a vida adoidado” com um empresário picareta na garupa e se exibindo num churrasco com picanha de 1.800 reais o quilo servida aos amigos, depois de ter seu salário e o do vice Mourão aumentados. Pela primeira vez Lula tem maior preferência do que Bolsonaro entre os evangélicos (35% a 34%), o que demostra perda de força do discurso negacionista e da influência dos pastores-empresários entre esse segmento.

E o terceiro fator é Lula livre das acusações e condenações que a Lava Jato lhe impôs. A chancela do STF mostrou a imensa força popular, política e aglutinadora de Lula. E agora já vacinado contra a #Covid-19.

A anulação das acusações e a devolução dos direitos políticos de Lula a mostrar que Moro armou uma grande mentira – e na política a mentira normalmente cobra um preço alto de quem a usa como expediente para tirar vantagens sobre os adversários – recolocaram com força o ex-presidente ao cenário político e as articulações que Lula passou a fazer, primeiro para ajudar o Brasil a comprar vacinas e para melhorar o Auxílio Emergencial a um mínimo de 600 reais e depois para dialogar com lideranças políticas da esquerda e do centro. O carisma de Lula, a memória de seus governos que ainda está latente e a sua capacidade de liderança faz com que ele retome a confiança de uma maioria cada vez mais crescente do povo na linha de que é o único capaz de liderar o País numa saída para um caminho que nos tire do desastre cada vez maior e, corolário disso, afastam os candidatos de “centro” ou da direita, preferidos por parte da elite econômica, parte única da sociedade que se sustenta e se beneficia das ações e omissões de Bolsonaro e Paulo Guedes.

Tá tudo resolvido, então? Não, é claro!

Pesquisa é um retrato deste momento e a opinião das pessoas pode mudar se a conjuntura se alterar. As eleições ainda estão um pouco longe, se bem que as condições econômicas e sociais ainda podem se deteriorar mais. Essa vantagem de Lula impõe grandes desafios a Lula e ao PT.

A primeira coisa que O PT e Lula precisam se preocupar é com sua segurança pessoal. O Bolsonarismo, como todos sabemos, impulsiona o preconceito e ódio em muitas pessoas e esse é um dos elementos que sustentam a aprovação de uma parcela significativa ao atual presidente. Daí algum demente fanático ou mesmo milicianos para cometerem um atentado contra Lula não é nenhum delírio. Nossa história está cheia de exemplos. Em segundo lugar, o PT, seus líderes e militantes, não podem colocar salto alto e sair gritando “já ganhou”.

Há muita distância até as eleições e a indústria de #fakenews e o #gabinetedoódio continuam na ativa. Ao contrário, devem continuar no caminho da denúncia das barbaridades e ilegalidades do governo Bolsonaro e suas políticas destrutivas dos direitos do povo e do patrimônio nacional e defender propostas que nos colocam ao lado do povo trabalhador, do povo pobre e das periferias e dos setores médios, funcionários públicos e pequenos e médios empresários.

Eu digo continuar porque o partido está num trabalho em conjunto com os movimentos e entidades sociais de solidariedade ao povo sofrido como o programa PT Solidário que mostra a sensibilidade dos petistas. Devem continuar “brigando” por melhorias já como para conseguir vacinar amplamente a população o mais rápido possível e aumentar o Auxílio Emergencial, medidas que salvam vidas e aliviam as agruras dos mais pobres e desempregados, melhoram a renda e ajudam a segurar a economia, como foi no ano passado.

Em terceiro lugar, devem também continuar o diálogo para a construção de alianças com os partidos de esquerda e forças progressistas, na esteira do Movimento #LulaLivre e com elas construir um programa forte para dialogar com o povo e montar conjuntamente as alianças eleitorais regionais e para o futuro Congresso Nacional. Mesmo com a vitória eleitoral de Lula, não podemos ficar reféns, como nos nossos governos, do apoio dos centrões da vida e Lula vai precisar de uma base mais sólida para recuperar os direitos retirados dos trabalhadores, recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento sustentável e com inclusão social e para fortalecer a Democracia.

E, em quarto, continuar impulsionando o Movimento #ForaBolsonaro, para denunciar as arbitrariedades desse governo e os interesses de quem ele serve, para desgastá-lo e quem sabe reverter os apoios que ele ainda tem e o sustentam e obter um impeachment para abreviar o nosso sofrimento e parar o trem desenfreado que nos leva para o desastre total no despenhadeiro. Muita luta ainda pela frente!

Simão  Pedro Chiovetti é sociólogo, ex-deputado estadual por três mandatos e ex-Secretário de Serviços de São Paulo na gestão Haddad. Hoje, Secretário de Movimentos Sociais e Setoriais do PT/SP.

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