Construir Resistência
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Ligações perigosas

Por Milton Pereira

Michelle Bolsonaro é a terceira esposa do presidente em final de mandato. Já tendo a filha Letícia, casou-se em 2007 com o então deputado federal Jair Bolsonaro, com quem teve outra filha, Laura Bolsonaro.

Como membro da Igreja Batista Atitude, ela defendia causas sociais como pessoas com deficiência, visibilidade em doenças raras, inclusão digital, conscientização sobre autismo, inclusão de Libras nas escolas e outros projetos sociais.

Apesar destas posições, o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) foi extinto em 2019, por meio de decreto presidencial. Durante o mandato de Jair Bolsonaro, Michelle andou em companhias nada aconselháveis:

Flordelis: fundadora do Ministério Flordelis, a pastora foi condenada como mandante e cúmplice na morte do marido (que já havia sido filho) a 50 anos e 28 dias de prisão por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado, documentação falsa e associação criminosa.

Damares Alves: ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, diz-se simpatizante do Integralismo no Brasil.

Pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular e da Igreja Batista da Lagoinha, Damares fez afirmações de que conversou com Jesus em cima de uma goiabeira, propagou em templos e nas redes sociais a existência de um kit gay distribuído nas escolas públicas durante o governo do PT, divulgou a criação pela esquerda de uma mamadeira que ficou famosa além da implantação dos tais banheiros unissex nos estabelecimentos de ensino público. Em um culto, ao lado de Milchelle, denunciou sequestros e estupros (com detalhes) de crianças de 4 a 10 anos. Em nenhum dos casos apresentou provas.

Osmar Terra: figura em constantes viagens com Michelle. É médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas apoiador da privatização das universidades no Brasil. Está no sexto mandato de deputado federal e, como conselheiro de Jair Bolsonaro durante a pandemia, foi contra o isolamento social e defensor ferrenho da imunidade de rebanho, afirmando que não chegaríamos a duas mortes por dia. Nunca se retratou e culpou o isolamento imposto por governadores e prefeitos por tantas mortes.

Guilherme de Pádua: condenado pelo assassinato da atriz Daniella Perez, ao ser solto transformou-se em pastor da Igreja Batista da Lagoinha. Em 29 de abril de 2016 foi condenado a pagar uma indenização de 500 salários mínimos à escritora Gloria Perez e ao ator Raul Gazolla, respectivamente mãe e marido da atriz assassinada, além de ter que ressarcir as despesas de sepultamento e funeral de Daniella e os custos processuais e honorários de advogados, ainda pendentes.

Milton Ribeiro: pastor e ex-ministro da Educação, defensor do armamento (ele mesmo anda armado), articulou propinas (pagas em barras de ouro) entre pastores evangélicos (indicados por Jair Bolsonaro) e prefeitos, para recebimento de verbas para os municípios. Seu caso corre em sigilo no STF.
Michelle tornou-se a única primeira-dama brasileira a discursar no parlatório do Palácio do Planalto em uma posse presidencial.

Portanto, causa espanto que Eliane Cantanhêde critique Janja, afirmando que a futura primeira-dama não deveria preparar a posse de Lula e sim limitar seu papel ao quarto do casal e apenas servir o novo presidente entre quatro paredes. Citou ainda exemplos de primeiras-damas da ditadura militar, como Yolanda Costa e Silva, supermaquiada e superartificial, colocando-se sempre no devido lugar de esposa, e Lucy Geisel, superdiscreta e mantendo o seu papel de dona de casa.

André Trigueiro, que também participava do telejornal, deu uma invertida em Lili, colocando-a no devido lugar:
“Acho importante demolir esse termo, viu, Lili? Não sei a tua opinião, mas primeira-dama? Não favorece o sindicato a que você pertence. Acho que a gente tem que reinventar palavras e expectativas em relação ao papel da mulher do homem mais poderoso do Brasil, que já ficou muito claro, não será propriamente alguém que cumprirá o papel de dona-de-casa subserviente ao marido. Lugar de mulher é onde ela quiser ficar. E isso o presidente (Lula) falou na avenida Paulista no discurso da vitória.”

Milton Pereira é jornalista, artista plástico e músico

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