Construir Resistência
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Julgamento do genocida por um Nuremberg dos povos da floresta

Por Moisés Mendes

É possível, e bem possível, que Bolsonaro não seja condenado pelos muitos crimes cometidos na pandemia e pelo comando dos vampiros das vacinas e da cloroquina.

Nem pelos crimes das rachadinhas, pelo uso do cartão corporativo para fazer rachadões, pela incitação ao golpe, por ter dito que não estupra mulher feia.

Pode ficar impune pela liderança das milícias digitais e por todos os crimes de todas as áreas que ele e a família levaram adiante com a conivência e a covardia do sistema de Justiça.

É possível que ele escape de todos esses crimes, como escapou até agora. Mas se escapar do maior de todos, do crime contra o povo yanomami, aí não teremos salvação.

Se Bolsonaro não for condenado pela matança de crianças, mulheres e idosos da floresta, para poder receber o dízimo dos garimpeiros amigos da família, aí não haverá o que fazer em relação ao resto.

Hoje, o Brasil deveria trocar todos os julgamentos contra a família pelo júri dos povos da floresta contra a família genocida.

O que eles e os militares cúmplices das suas ordens fizeram contra os yanomamis não tem perdão, nem anistia e nem atenuante.

Bolsonaro precisa ser condenado por ter mandado matar os yanomamis. O resto, e todo o resto, o Ministério Público e a Justiça podem ver mais adiante.

A urgência agora é a reparação do que ele fez contra grupos indefesos, negando-lhes comida e remédio e entregando seus rios e suas terras a bandidos e a garimpeiros a serviço da família.

Bolsonaro deve ser condenado sob a acusação dos yanomamis, com o país todo e o mundo como testemunha.

A sentença deve ser lida pelas vozes da floresta, saída da boca de todos os povos que Bolsonaro e a família tentaram destruir pela fome, pela doença e a tiros.

Os yanomamis e outros grupos da floresta deveriam organizar simbolicamente, antes do julgamento da Justiça, o Nuremberg de Bolsonaro e sua quadrilha de exterminadores de indígenas, para todo o mundo ver.

 

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Foi colunista e editor especial de Zero Hora. Escreve também para os jornais Extra Classe, Jornalistas pela Democracia e Brasil 247. É autor do livro de crônicas ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim)

 

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