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Irmãos de petista assassinado concordam com Bolsonaro e atacam Gleisi e o PT

Vamos ser diretos e começar com uma pergunta: é verme que chama? Pense e responda!

Nesta terça-feira, o presidente vivendeiro conversou por videoconferência com Luiz e José, dois bolsonaristas, irmãos do guarda municipal de Foz do Iguaçu (PR) Marcelo Arruda, assassinado no sábado, em sua festa de aniversário de 50 anos, pelo policial penal Jorge Guaranho, admirador fanático do capitão.

O encontro por vídeo foi promovido pelo deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), que foi recebido na casa de um dos irmãos de Marcelo. A dupla ocultou o encontro da viúva, a cunhada Pâmela Suellen Silva.

O que disse Bolsonaro?

– A possível vinda de vocês a Brasília, se concordarem, qual é a ideia? É ter uma coletiva de imprensa para falar o que aconteceu. Até para [evitar] ataques ao seu irmão. Não é a direita, a esquerda. Esse cara [que o assassinou], pelo que tudo leva a crer, é um desequilibrado. Eu faria isso para vocês terem a imprensa na frente de vocês para mostrar o que aconteceu. Se bem que a imprensa dificilmente vai voltar atrás, porque grande parte da imprensa tem o seu objetivo também, que é desgastar o meu governo.

Luiz de Arruda, que não compareceu à festa, afirmou que a esquerda está fazendo “uso político” do ocorrido. “A gente sabe que o ambiente era todo petista. Apareceu lá a Gleisi Hoffmann, que eu tenho pavor, mas como meu irmão é petista eu não vou falar nada. Está lá […] Ele era de esquerda e estão usando [para politizar o caso]”, disse.

O outro irmão, José, que também não compareceu à festa, completou:

– O que nós não estamos admitindo, presidente, nessa parte, é a esquerda ficar utilizando o meu irmão como palco de politicagem. Isso nós não aceitamos de forma alguma.

Bolsonaro determinou que os familiares do petista assassinado não deixem que a esquerda tire “proveito político” do episódio. “Com toda certeza, a Gleisi só foi aí [velório] para aparecer”, disse o presidente.

Os irmãos de Marcelo ainda não decidiram se irão a Brasília para auxiliar Bolsonaro nos ataques ao PT e à esquerda. A dupla também afirmou que analisa a “agressividade” dos que chutaram o assassino no salão de eventos.

Otoni de Paula descobriu a dupla de direitistas por meio do influenciador Oswaldo Eustáquio, elemento que foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que investiga a organização de atos antidemocráticos. Ele deixou da prisão em janeiro de 2021.

A viúva de Marcelo, Pâmela Silva, reagiu com indignação às tratativas entre Bolsonaro e os cunhados.

– Os irmãos de Marcelo não estavam na festa, como eles podem ter concordado com o que o presidente falou? Sabíamos que eles apoiavam o presidente, mas não imaginei que chegasse a esse ponto de eles deturparem a real história, dizer que o cara não foi por motivos políticos lá. Então, por que ele foi? Se a gente não conhecia ele, se a gente não sabia quem ele era? Ele tirou a vida do meu marido porque Marcelo era gordo, barrigudo? Óbvio que foi por motivo político.

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