Construir Resistência
homeschooling

Homeschooling em pauta

EDUCAÇÃO

Por Amanda Moreira

“Ah! Que se dane o homeschooling! Temos outras prioridades e não deveríamos nos preocupar com isso, afinal é uma pauta que só atinge uma minoria da população.”

De fato, hoje apenas cerca de 20 mil famílias são adeptas da prática do homeschooling no Brasil. A questão é que o projeto aprovado ontem na Câmara dos Deputados, de forma açodada e sem passar por comissões, representa um grande ataque à Educação brasileira de conjunto.

A educação domiciliar sempre foi uma das pautas prioritárias do governo Jair Bolsonaro, junto às escolas cívico-militares. Na Educação básica essas foram as bandeiras levantadas pela chamada “guerra cultural”, impulsionada pela extrema-direita.

Os bolsonaristas damaristas, assombrados pelo “fantasma do comunismo”, sempre sonharam com a possibilidade de tirar os seus filhos da escola pública ou mesmo privada, cujo conteúdo de ensino ministrado “fere os seus preceitos morais e religiosos”.

Com a regulamentação do homeschooling aumentará muito o número de famílias adeptas da prática e isso não vai se resumir somente à população mais abastada, atingirá principalmente um setor da classe média que não pode colocar os filhos em uma escola confessional com mensalidade cara e acabará optando pelo ensino em casa.

Além disso, esse projeto tem como objetivo criar um mercado de ensino domiciliar (que ainda não existe fortemente no  Brasil) para que grupos que advogam um ensino sectário e criacionista possam se estabelecer na educação e lucrar à vontade. Ou seja, um dos objetivos é atender aos interesses empresariais e formar um nicho de mercado para setores de plataformas digitais ligados ao fundamentalismo religioso.

É “só isso tudo” que está em jogo.

A quem interessa limitar o acesso ao conhecimento, restringir as relações sociais e manter a educação restrita à esfera privada no seio das famílias e das igrejas?

#NãoAoHomescholling
#EmDefesaDaEscolaPública
#emdefesadaeducaçãopública
#pelavalorizaçãodosprofessores

Amanda Moreira é doutora em educação pela UFRJ e professora da UERJ.

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