Construir Resistência
Ilustra Luiz Hespanha

Estupidezes, rebeldias e crueldades sinceras

Por Luiz Hespanha

 

Tudo bem que a gente é democrata, libertário etc etc etc, mas precisa garantir na Constituição, no Código Penal, no Código Civil ou na Convenção do Condomínio, que a pessoa tem o direito de ser imbecil, idiota, burro e estúpido?

Perguntinha que não para de quebrar vidraças e atear fogo em catracas invisíveis: com tanta rebeldia acumulada, não seria Ciro Gomes um líder aposentado dos Blac Blocs, quiçá do MPL?

Amei o slogan e o clipe”A rebeldia da esperança”. Ciro Gomes foi rebelde em todos os partidos que frequentou (PDS/PMDB/PSDB/PPS/PSB/PROS e PDT). Quem nesse país foi (e continua) rebelde assim em tantos partidos? Adoraria saber o que Belchior, Baltazar, Gaspar, Ednardo, Fagner e Zé Ramalho achariam disso? 

O Patinhas, era assim que João Santana, assinava suas belas parcerias com o Gereba e o Capenga do grupo Bendegó (a Diana Pequeno também gravou canções dele), tá mal de criatividade. É óbvio que o produto também não ajuda muito. Vi o clipe do rock-rap-rebeldia cirista e achei um desperdício, até porque não chamaram o Marcelo Nova ou o Roger Moreira para colocar voz naquilo. Eu usaria, sem traumas, a canção-tema de “Cria cuervos” do Carlos Saura que a Lilian. aquela que cantava com o (Gi)Leno, regravou. Todo mundo, de Sobral a Paris, sabe que o Ciro é rebelde porque o mundo quis assim. Em tempo: o Chico César, também regravou, mas tenho certeza que ele não cederia seu canto ao Ciro.

Afinal de contas, o deputado David Miranda entrou no Partido Democrata ou no Partido Republicano?

A OMS, a Anvisa, o Imperial College, A Royal Academy de Quixeramobim e os cientistas de mundo inteiro estão errados. Só Bolsonaro, Queiroga&Familícia and Terraplanistas estão certos. Amigos de vários credos me garantiram e eu acredito: depois do Ministério da Saúde assegurar que a cloroquina é melhor que a vacina, Deus finalmente entrou com pedido de aposentadoria. É justo. E não adianta o Queiroga ganhar o Nobel de Medicina, a Damares subir na goiabeira ou a Michele esmerilhar na Glossolalia. Deus deixou claro: FUI.

“Deus está morto, Marx e Freud também, e eu, sinceramente, não estou passando muito bem”. Essa frase ganhou muros e tapumes de SP nos anos 1980/90. Em 2022 ela poderia ocupar o país inteiro com o complemento: “…mas, felizmente, Lula está inteirinho da Silva, sadio, tipo “pectus fartus e coxobus suculentus”.

O povo é generoso e cruel. Sabadão na fila de uma lotérica do centro velho paulistano um lídimo representante do sentimento popular perguntou: “Meu, cê soube que a mãe do Bolsonaro morreu? O interlocutor, com cara, verbo e origem semelhante, questionou: Bolsonaro tinha mãe?”

Não bastasse cantar, ser e continuar sendo isso tudo, Elza Soares não mandava dizer, cantava e dizia. Outras tantas mal cantam e, quando tentam dizer algo, conseguem apenas soar igual ou pior ao que cantaram. Que bom que continuam mortas e Elza continua viva.

Lula poderia ter adiantado um tantinho o relógio da História em 2003 com a regulamentação da mídia, taxação das grandes fortunas; e enfrentado a tutela militar com a punição dos torturadores e mandantes. Continua atrasado e devendo. Mas…E quem continua em 1917, quiçá em 1905, em Petrogrado e não na Brasilândia, no Cariri, ou na Rocinha, está adiantado? 

O governador João Agripino Dória continua acreditando ser ele a única via da terceira via. É o que chamam de fé. Vale pagar uma promessa tipo ir de bike dentro de uma “slim fit” com um cashmere azul e amarela sobre os ombros até Aparecida, digo Campos de Jordão. Vai com fé João Agripino.

Os editoriais do Estadão contra Lula têm provocado rachas homéricos no Grande Monde bandeirante. Domingos Jorge Velho, Raposo Tavares, Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, Borba Gato e suas desbravadoras senhoras já não se sentam à mesma mesa.

A arte urbana que ilustra esse texto é de autoria não identificada. Quem souber da autoria que ajude o fotógrafo, por sinal o mesmo autor do texto. O registro foi feito na rua General Jardim, Vila Buarque, SP/Capital.

 

Luiz Hespanha

 

Luiz Hespanha é corintiano, jornalista, escritor, compositor de música popular e alguém que tem certeza que Goiânia, Barretos e circun’semelhanças não fazem divisa com Nashville, Miami ou Orlando.

Ilustra Luiz Hespanha

 

Os textos assinados não necessariamente representam a opinião do Construir Resistência

Compartilhar:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Matérias Relacionadas

Rolar para cima