Este é o Brasil que queremos

Por Simão Zygband

 

É inegável que não faltam motivos para a indignação. É uma sucessão de péssimas notícias, uma atrás da outra, que parece que o pesadelo não tem mais fim. Talvez por que haja hoje a existência deste mundo virtual, que tirou muita sujeira de debaixo do tapete e nos jogou a realidade nua e crua diariamente, diante dos nossos narizes.

Semana retrasada foi um Policial Rodoviário Federal asfixiando um cidadão comum, um trabalhador inocente, com gás, na traseira de uma viatura, somente por que ele transitava sem capacete em sua motocicleta.

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Já na semana passada foi a brutalidade do assassinato dos defensores da floresta, o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, esquartejados, incinerados e com restos mortais enterrados em uma cova no meio da floresta.

Ontem mesmo, a estupidez e insensibilidade de uma juíza de Santa Catarina, Joana Ribeiro Zimmer, que tentou convencer uma criança de 11 anos, vítima de um estupro, a levar adiante sua gravidez e desistir do seu direito ao aborto. Seria mãe do filho do seu estuprador, vejam só.

Claro que todos estes são sintomas de uma sociedade doente, que desembocou na eleição de um sádico genocida, um imprestável militar reformado (não servia nem para servir o Exército), que por sua vez incentiva o pior lado dos sentimentos humanos.

É desnecessário elencar tantos males que o elemento nocivo que ocupa a cadeira presidencial trouxe com seu cheiro insuportável de enxofre ao cotidiano de todos os brasileiros. É insuportável que alguém que ocupe o cargo a que chegou, sorria e ironize a tragédia humana que ele promoveu, castigando o povo, inclusive aquele que o elegeu.

São tantas as desgraças que vêm diariamente à tona, que uma acaba encobertando a outra, até que  surja uma nova fresquinha, para que esqueçamos a que passou. Será que era isso que nós, brasileiros, desejávamos para os nossos filhos e netos? Era este país que queríamos, como teve a pachorra de veicular a maior emissora brasileira em uma campanha denominada “Que Brasil você quer para o futuro?”, onde cidadãos gravavam um vídeo relatando suas expectativas?

Esta campanha, realizada pela emissora que encabeçou o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, rasgando a Constituição brasileira, ocorreu exatamente no ano em que ela acabou ajudando a eleger o candidato da extrema direita para governar o país, um desgoverno que acabou castigando os brasileiros e legitimando atos como de policiais que asfixiam com gás pessoas inocentes, pescadores amazônicos que esquartejam defensores da floresta e juízas que acham normal uma criança de 11 anos dar a luz a um bebê fruto de um estupro.

É evidente que a toda ação existe uma reação e elas começam a despontar com muita clareza. Formou-se para contrapor a este descalabro uma frente de oposição com 7 partidos que jamais pensariam em estar juntos se não fosse para lutar contra o fascismo. Outro sintoma da resistência foram as mais de 4 milhões de pessoas que participaram da Parada LGBT+, dando uma demonstração de que todas elas não querem mais o atual (des)governo, um totalitarismo homofóbico, misógeno, racista e entreguista.

Também na América Latina os ventos sopram mais prazerosos com a vitória da esquerda no Chile, com Gabriel Boric e na Colômbia, pela primeira vez, com Gustavo Petro, esta ocorrida neste último final de semanas. Em outubro, se as pesquisas se confirmarem, teremos Lula Presidente.

O Brasil não vê a hora de se livrar de Bolsonaro e de todos os serviçais do Bolsonarismo.

 

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