Construir Resistência
Foto: Arquivo pessoal

Esgoto

Por Virgilio Almansur

Irão para o ralo da história aqueles que desde 16 aceitaram o discurso do terror. Sabemos muito bem qual era o mote à época: “… Tiremos a Dilma! Depois, se não der certo, a gente tira o próximo; tira de novo…”.

E como tira, hein!? Tiram nada! E ainda botaram um tira vagabundo na presidência… Na seara médica, o que vimos foi o exercício negacionista. Médicos, como esse coronel vagabundo no MS, que primam em cuspir no juramento hipocrático — num momento em que nos damos conta de 500.000 mortes evitáveis! —, devem ser identificados como irmanados à tortura.

Não pode haver perdão! E quando digo irmanados à tortura é porque são conhecedores de todo o processo que marcou as forças armadas em seu périplo assassino. Poucos — ou quase ninguém! — podem ignorar o que se dava nos porões da ditadura civil-militar-empresarial que barbarizou nos anos ditos de chumbo. Ninguém!!!

Basta atentarmos às 5as.fs. hediondas quando das lives no Planalto; ali, o chefe da nação não só é tartamúdico ou anacolútico, mas é muito mais um porta-voz do milicianato incrustrado no poder com ameaças veladas, numa latência a autorizar o guarda da esquina resoluto como um ustra brilhante.

Durante as manifestações ocorridas nos recentes anos de 15/16, corria solta a idéia da volta dos militares (e voltaram!!!) ao poder. Queriam a ditadura: exatamente para acabar com a “corrupção crônica” da esquerda, do PT, do Lula e companhia… A corrupção, historicamente, acompanha os regimes capitalistas, sendo inerente aos sistemas de dominação e exploração de difícil solução. Não há instituição isenta!

A corrupção penetra em tudo, de tal sorte que o modus operandi já se alinha integralmente ao modus pensanti, e, na hierarquia mediocrática a servir a tropa ignara, sobrevem naturalmente um componente gravíssimo: a dominação e subjugação de uma parte pela outra — não necessariamente uma maioria sobre minorias, mas o cumprimento ordenado que se faz mister pela continência gradual.

O mito de que as FFAA são infalíveis e honestas é produto de desinformação. Nas barbas do oficialato sempre se primou pelo contrabando, pela propina desavergonhada e não raro esses maganos engalanados arrotam incorruptibilidade sonegando, terceirizando ao roubar afrontando e submetendo.

Quantos de nosso congresso não foram pegos com a mão na botija no day after da autorização do impedimento da presidenta. “Contra a corrupção e pela minha vovozinha e cachorrinha, digo sim ao impeachment e não à corrupção!” Dois dias depois apareciam o contrabando, o roubo, o desvio e as sonegações… Assim como o presidente antisistema, deputado, carregava seus contrabandos desde a AMAN.

Um Brasil sadio se faz com educação, educação cultural e nacionalismo revolucionário. Estamos longe… O produto que se nos apareceu é o lixo de sempre. É essa gentalha, espelhada no banditismo crônico de viés golpista. A marca é a covardia! São todos covardes!

Nosso presidente é fruto desse esgoto em que nossa justiça também se meteu. Pouco Direito e muito direito juristocrático, que intenta uma submissão de nossos pretos, pardos e pobres — esgarçados nesse backyard periférico e dependente que nos tornamos —, é o legado deixado por uma mediocracia atrasada que não olha para esse outro brazil que tem donos.

Não temos muita saída! A que existe, não posso publicar… Não há limpeza para a farda! A imprensa brasileira, em parte, já endossou nos 60 e aceitou assassinatos. Agora… Bem, agora é olhar e observar as mesmas viúvas de sempre tentando suas recuperações.

 

Virgilio Almansur é médico, advohgado e escritor.

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