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Escândalo do MEC pode acabar em pizza

Editado em 15/4/22

Por Sonia Castro Lopes

Há dois anos, à época da nomeação do terceiro ministro da educação deste (des)governo – o doutor honoris quase Carlos Decotelli -, o jornalista Elio Gaspari já denunciava a roubalheira que se instalara no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). E o Centrão ainda nem tinha se apoderado do aparelho com esse apetite voraz que hoje testemunhamos. Nessa altura havia sido embargado um edital que previa a compra e distribuição para escolas no interior de Minas Gerais de milhares de computadores em locais em que sequer havia internet. Cada estudante receberia mais de 30 unidades. Um escândalo! O caso foi abafado, em seguida foram divulgadas as falsas credenciais do doutor e para ocupar o cargo escolheram o pastor Milton Ribeiro. Deu no que deu.

Figura totalmente despreparada, Ribeiro protagonizou casos estarrecedores de corrupção e incompetência no MEC. Falhas na gestão do ENEM, com erros na correção das provas prejudicando milhares de estudantes em 2019, defasagem no Banco Nacional de Itens (BNI) cuja carência na reposição de questões obrigará os organizadores do exame a repeti-las no próximo ano. E tudo isso sob os efeitos de uma crise que levou inúmeros funcionários do INEP a deixarem os cargos às vésperas da realização da prova que dá acesso ao ensino superior. Mas para que investir no Enem, não é mesmo? A Universidade, na concepção do sujeito, não é para todos.

Todo esse desmonte da educação vem se desenhando desde o início do malfadado governo. Cortes nas verbas das universidades, nos recursos para a educação básica, nas bolsas e auxílios da Capes e CNPq impedindo que estudantes pobres possam se manter nas universidades públicas e professores possam se dedicar com afinco à pesquisa e produção do conhecimento. Enquanto isso sobram recursos para as escolas cívico-militares, estimula-se o ensino domiciliar e engendram-se mil estratégias para boicotar os princípios que devem pautar uma escola laica, universal e gratuita para toda a população.

Para culminar o circo de horrores estamos diante da maior corrupção deste ministério: a Farra da Bíblia! Pastores que negociam investimentos em escolas municipais mediante propinas pagas até em barras de ouro, ônibus escolares superfaturados, promessas de inauguração de escolas fake, compra de jogos robóticos para escolas que não dispõem de internet e onde há falta de água potável. Todas essas roubalheiras acontecem num contexto de pandemia (ou pós-pandemia), quando seria necessário intensificar o ensino para um enorme contingente de alunos que esteve privado das aulas presenciais e sequer teve acesso ao sistema remoto por total falta de condições técnicas e  financeiras.

Diante dessa situação vergonhosa, o mínimo que se espera é que as instituições democráticas reajam e que seja instalada uma CPI para apurar a responsabilidade dos crimes. O senador Randolfe Rodrigues fez a sua parte, mas acho pouco provável que essa investigação tenha continuidade. Alguns senadores já retiraram seu nome do pedido que deveria ser encaminhado ao Senado para que os trabalhos prosperassem. Estão recebendo dinheiro farto para ajudar o governo neste ano eleitoral, haja vista a atitude do senador Styvenson Valentim (Podemos, RN) que, após reclamar a exclusão de seu nome da lista de ‘privilegiados’ que receberam gordas verbas do governo, foi agraciado com R$ 287 milhões para retirar sua assinatura do pedido de investigação da roubalheira.

Milton Ribeiro e os dois pastores corruptos já foram para o sacrifício, ninguém mais quer ver seus nomes associados a eles. A bancada da Bíblia faz a egípcia, responsabilizando os dois recalcitrantes pela crise  e o presidente está blindado com o sigilo de informações em relação aos encontros que mantinha com os ‘representantes de Deus’. E agora? Os gatunos mais vorazes se arvoram em dar entrevistas e depoimentos afirmando que “ouviam” os pastores insinuar que “uma mão ajuda a outra”, mas nada sabiam de concreto. Quem diz isso é a raposa que toma conta do galinheiro, o chefe do FNDE, Marcelo Lopes da Ponte, ali colocado pelo mafioso Ciro Nogueira (PP-PI), atual ministro da Casa Civil, de quem Marcelo foi ajudante de ordens.

Até o ex-ministro da educação, Abraham Weintraub, olavista de carteirinha, se insurgiu publicamente contra os desmandos dos pastores no MEC com anuência do atual ministro e, especialmente, do presidente da República. Assistimos, estarrecidos, ao enriquecimento da quadrilha sob os olhos complacentes de um (des)governo que se elegeu pregando o combate à corrupção. O que me indigna é ver que 30% do populacho ainda justifica e apóia essa máfia que se apossou do país e o está destruindo a cada dia. Progressistas de todo o Brasil, uni-vos! Parem de fazer oposição dentro dos quadros da esquerda! Ou nos unimos agora, ou entregaremos o país a esse bando de criminosos.

 

 

 

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