Em mulher não se bate nem com rosas?

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram

Por Adriana do Amaral

Infelizmente, a realidade é feita de espinhos

A primeira vez que escutei uma briga de marido e mulher eu estava no apartamento de parentes. Os gritos ecoavam fora das quatro paredes da intimidade do casal e foram crescendo até o silêncio absurdo. Não soubemos o que se passou, nem tivemos coragem de interceder. Afinal, em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, não é mesmo?

Pelo contrário.

Uma conhecida minha viveu durante décadas um relacionamento abusivo, marcado pelo alcoolismo. O patriarca sempre a acolhia e tentava mudar o rumo da história, mas ela justificava que os dois se amavam e viveram entre tapas e beijos até a morte do companheiro,  em consequências do uso abusivo de álcool.

Alcoolismo é uma doença que também mata.

Mais tarde, conhecidas me surpreenderam com os relatos são parecidos da violência doméstica sofrida, até o momento do basta. O que requer muito mais do que coragem de mudar o rumo da própria história, mas amor próprio e desapego.

Como quebrar o círculo nada virtuoso que é risco de vida?

Um dos relatos que não esqueço e não canso de repetir foi a conversa com a trabalhadora. Vítima de um relacionamento abusivo ela saiu de casa com uma mochila e foi até a escola do filho pedir transferência. Ao relatar o motivo a diretora, solidária, rompeu com os protocolos e liberou os documentos. A justificativa: o estudante, adolescente, antes de sair disse para a mãe: quando eu voltar eu vou matá-lo (o próprio pai). Sem titubear, ela pegou o menino e sem nada de material foi embora para viver uma nova realidade.

Nessa #Pandemia, de quando em quando, ouço discussões vindas de longe. Gritos de homem e mulher e choro de crianças. Felizmente a polícia chega a tempo.  A tragédia anunciada é impedida.

Do trajeto ao lar

A maioria dos casos de violência sexual, sabemos, acontecem no trajeto entre a ida e a volto do trabalho/escola à casa. Mas, de acordo com estudo do #FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), realizado pelo #Datafolha, atualmente o perigo mora em casa.

Durante o #isolamento social, a convivência acirrou os conflitos domiciliares. Na realidade pandêmica uma a cada quatro brasileiras, acima de 16 anos, sofreram algum tipo de violência doméstica, que vão das agressões físicas às psicológicas.

O fato novo é que o companheiro ou o pai não são mais os agressores em potencial, mas todos os que coabitam na mesma casa. Assim, de acordo com a pesquisa, 17 milhões de mulheres foram vitimas de alguma forma de violência no próprio lar.

A novidade identificada pela pesquisa é a migração do local onde as agressões acontecem. Se antes as mulheres estavam expostas nas ruas, hoje elas estão reclusas em casa. Comparado ao ano de 2019 houve até um retração nos números totais da violência, de 27,4%  para 24,4%.  Um fenômeno a ser entendido e combatido.

Violência contra a mulher é fenômeno mundial

Outra pesquisa, o #MapadaDesigualdade, havia revelado, no ano passado, que no decorrer de 2019 sofreram violência doméstica em São Paulo 83 mil mulheres. Embora seja identificada em todas as regiões, o estudo e mapeou os pontos críticos. É claro, as regiões periféricas.

Em março, o Construir Resistência repercutiu a pesquisa da #ONU (Organização das Nações Unidas), que comprovou que a violência contra a mulher é um fenômeno mundial e não um problema local. O relatório “Estimativas Globais, Regionais e Nacionais sobre Violência de Parceiros Próximos a Mulheres e Estimativas Globais e Regionais de Violência Sexual advinda de Não-Parceiros” mostrou que um terço das mulheres em todo o mundo já sofreram algum tipo de violência.

Há dias, o Brasil perdeu uma jovem trabalhadora, futura mãe, filha de uma família amorosa. Aos 24 anos, #KathlenRomeu morreu no bairro onde morava, em consequência de uma ação da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Em que estatística cabe esta violência?

A mulher está exposta tanto quanto ou mais do que os homens. Inclusive as crianças, mulheres com algum tipo de deficiência e as idosas, que vivem permeadas de abandono e violência. Razão porquê é urgente investir na informação, conscientização e sobretudo políticas públicas protetivas. A Lei Maria da Penha (Lei no 11.340/2006)  é um marco legal considerado excelência mundial, mas ela ficou restrita a um universo de abuso que não cabe mais nas estatísticas.

 

Vide matéria do ConstruirResistência:

 

Um terço das mulheres em todo o mundo já sofreu violência

Veja também

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *