Criptomoedas e suicídio

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Por Ari Meneghini

Ocorreu há dois dias mais um suicídio de um jovem que tentou ficar rico rapidamente com as criptomoedas. Perdeu, emprestou dinheiro se afundou mais ainda, não suportou a pressão e se matou.

O brasileiro saiu da poupança e caiu diretamente no mercado de ações (mais de 4 milhões de brasileiros na Bolsa) e as criptomoedas.

Hoje existem mais de 10.000 criptomoedas, tokens DeFis, NFTs e os projetos não param.

Vejo muita gente jovem seduzida por gurus de youtube que fazem loucuras pelas criptomoedas. Às vezes um consegue ganhar muito dinheiro mesmo. O que a maioria não sabe é que esses youtubers ganham dinheiro com mídia e cursos.

Vejo empresas vendendo relatórios em vídeos promocionais que prometem ganhos rápidos.

Mesmo o BTC e mais umas três moedas que irão ficar mesmo não são ativos para ficar especulando, para ficar fazendo trades.

Bitcoin, Etherum, Cardano e BNB são projetos consistentes. O restante é pura especulação. A moeda que Elon Musk disse ser a sua queridinha, a Doge Coin, não passa de um meme. Hoje é a quinta moeda do mercado em volume de transações. E, não estou falando de um mercado pequeno. Já existem 1,4 trilhão de dólares em criptomoedas.

Além dos investimentos em criptomoedas, os jovens estão entrando em cursos de DayTrade. Não passa de um jogo viciante onde quem ganha é a banca. Uma pesquisa da FGV/SP mostrou que 97% dos daytrades perderam dinheiro e que, mesmo os mais profissionais, no final do mês não ganham tanto assim.

Se derem uma pesquisada (daytrade + suicidio + cripto) vão ver um número considerável de notícias.

Criptomoeda não é pirâmide como muita gente pensa. Num prazo de 3 a 4 anos é possível ganhar dinheiro muito mais rápido, sim.

Hoje bancos, empresas de viagens, cartões de crédito já aceitam várias moedas, não tem mais volta. Entretanto, o mercado é volátil, o sobe e desce das moedas deve ser encarado para quem estuda muito.

Olhem muito para os seus filhos porque são os jovens que entram afoitos nesse mercado com sonho de ficarem ricos em pouco tempo.

A quantidade de propaganda para assinaturas de orientações para investimentos, recebidos em relatórios por e-mail ou plataformas, são sedutores num país onde a poupança tem juros negativos, onde falta emprego, onde falta perspectiva de futuro.

Há quase dois meses o mercado de cripto moedas está em tendência de baixa, ficando a maior parte do tempo andando de lado em pequenas subidas e descidas. O que é normal em qualquer mercado.

Esses suicídios são preocupantes. Eles revelam o que é que as pessoas pensam sobre a vida, sobre o viver. A maioria quer apenas ter dinheiro e quando se vêem no vazio em que se meteram, se suicidam.

 

Ari Meneghini é historiador, especialista em transformação digital e se dedica a estudar as criptomoedas há 4 anos.

 

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