Construir Resistência
Comício lula haddad

Começou a sacanagem contra o Lula e o PT

Por Simão Zygband

Fotos de Ricardo Stuckert 

Li em mais de um portal da internet que o comício do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-prefeito Fernando Haddad, realizado neste sábado (20) no Vale do Anhangabaú em São Paulo teve “pouco público” e que ficou “aquém do esperado”. Duas publicações se deram ao trabalho de medir, de forma “científica”, quantas pessoas participaram do ato, querendo fazer parecer ter ocorrido um fracasso.

Mesmo com alguma dificuldade de locomoção, decidi de última hora participar do comício. Desde muito jovem participo deste tipo de evento, principalmente quando está o Lula, que sempre é realmente um luxo ouvi-lo, não só pela eloquência, como também pelo brilhantismo dos discursos.

Confesso que achei o Lula um tanto cansado. Normal para quem tem 76 anos e está submetido a uma agenda tão intensa de comícios: um dia foi na porta da fábrica em São Bernardo, outro em Belo Horizonte e agora em São Paulo, com uma temperatura de 12 graus. Evidentemente que teria tido menos gente ainda se estivesse chovendo.

O portal Poder 360, do jornalista Fernando Rodrigues, que também vira e mexe apresenta pesquisas eleitorais não tão favoráveis ao Lula,  disse que ” o comício paulista teve cerca de 4.200 presentes”. A contagem, segundo a publicação, foi realizada através de “imagens aéreas do evento no momento em que havia a maior concentração de público”. Tenho certeza que as nuvens (que não existiam naquele momento) foram as responsáveis por não terem enxergado direito a multidão. Com certeza, não  contaram direito.

Outra publicação que nunca gostou muito do PT, o jornal O Globo, foi um pouco mais generosa com  Lula e o PT. Se deu ao trabalho de solicitar os préstimos de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP)  que “foram ao Vale do Anhangabaú, neste sábado, para medir quantas pessoas participaram do comício organizado pela campanha do candidato à Presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva”.

Segundo O Globo, por volta de meio-dia e meia, “eram 6.187 pessoas no local. O pico aconteceu menos de uma hora depois, às 13h20m, quando foram calculados 9.580 militantes na área. Os dados são do grupo de pesquisa “Monitor do debate político”, da Escola de Artes Ciências e Humanidades (EACH) da USP”.

Como jornalista que já cobriu inúmeros comícios de Lula, confesso que já presenciei outros maiores. Mas não dá para dizer que este, o considerado o pontapé inicial da campanha eleitoral, tenha sido tão ruim assim quanto a mídia, geralmente refratária ao PT, pretende pintar. Eu mesmo quase não fui ao evento. Considerei as condições extremamente ruins, sobretudo para idosos (como eu) ou para crianças. É evidente que a baixa temperatura afugentou o público. Mas tinha, com certeza, mais de 50 mil pessoas. É só ver nas imagens aéreas.

Outro detalhe importante que não pode passar despercebido é que sábado é considerado um dia útil. Muita gente trabalha neste horário e não pode participar do comício. Talvez os números tivessem sido mais favoráveis se ele fosse realizado no domingo e no período da tarde. É fundamental lembrar que não se realizam mais shows nestes eventos e aqueles que vão o fazem por vontade de ver os políticos. Claro que a falta de grana crônica também pesa nestas horas.

Outra questão que pesou muito e afetou diretamente a presença de uma multidão ainda maior é com relação à segurança do Lula o que eu, particularmente, considero importante, para preservar a maior liderança de esquerda do país, sobretudo com tantos fanáticos enlouquecidos apoiadores do genocida a solta por aí.

O comício só era acessível por uma única entrada realizada pela avenida São João. O público só acessava o Vale do Anhangabaú passando por algumas cancelas com bastante seguranças. Confesso que foi a primeira vez que vi que o povo teve que formar gigantescas filas para participar de comício. Extremamente inibidor.

Outro fator que pesou muito foi o fechamento da saída da estação Anhangabaú do metrô, que desemboca exatamente no local do comício. Desta forma, o Vale só se tornou acessível  através de ônibus (cujos terminais não ficavam tão próximos), ou por automóvel, sendo necessário pagar estacionamentos ou ainda a zona Azul, pelo menos duas horas para estacionar em local público.

Pelo que li na mídia privada, estas questões não foram analisadas pelos repórteres que foram ao local. Preferiram, portanto, as imagens aéreas. Talvez seja importante voltar a fazer jornalismo de verdade e não apenas o de tendência.

Em tempo: como a campanha do Haddad é muito colada na do Lula, sinto que há na imprensa uma má vontade com o PT em São Paulo, uma vez que caso ele ganhe as eleições, colocará fim a uma hegemonia de 28 anos de governo tucano no Estado, com quem a mídia tradicionalmente flertou de maneira descarada, sempre acobertando os problemas gravíssimos ocorridos nas gestões do PSDB em solo bandeirante.

 

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