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Cinema Novo de Eryk Rocha em exibição no Festival Estação Virtual

Por Arthur Bandeira

Cinema brasileiro não se aprende na escola

Parafraseando o dito de Haroldo Barbosa, que samba não se aprende na escola, cinema muito menos, infelizmente.
Eu estava conversando com o Julio Calasso, que participa do Festival Estação Virtual com o filme sobre Plinio Marcos, Nas quebradas do Mundaréu, e ele disse que perguntou a um grupo jovens atores, qual filme brasileiro eles tinham assistido? A resposta foi de um silêncio abstrato e que de repente alguém falou – tem aquele do Selton Mello, não lembrando o nome. Fica clara que a formação da geração com filmes da Globo Filmes não forma. O filme documentário então é uma realidade mais rala entre Discovery Chanell e as reportagens do Globo Repórter.
Cinema Novo de Eryk Rocha é um documentário que vem para ilustrar a essa turma e a todos que se interessam sobre o assunto. O filme foi premiado nos festivais de Cannes e no É tudo verdade.
O diretor declarou que fez um filme com o Cinema Novo e não sobre o Cinema Novo, uma visão poética do movimento do cinema brasileiro, que seu pai, Glauber Rocha, foi o expoente. Filme que empolga e é denso em seus 93 minutos. Ele inclui uma homenagem a cineastas de gerações anteriores como Mario Peixoto, Humberto Mauro, Alberto Cavalcanti e Alex Viany.
Na gênese, o Cinema Novo tinha como projeto a transformação do Brasil e veio da Bahia, do Rio de Janeiro, com o filme Cinco Vezes Favela (filme em cinco episódios) que foi patrocinado pela UNE e da influência do paulista Nelson Pereira dos Santos que tinha intensa ligação com o neo-realismo italiano.
Apoiado numa imensa pesquisa feita em arquivos de várias partes do globo, Eryk descartou depoimentos atuais dos remanescentes da época, utilizando apenas imagens e depoimentos realizados no calor do movimento, revelando até um falante Leon Hirszman. Cacá Diegues diz que o AI5 veio acabar com o sentimento de turma e gerar o isolamento dos cineastas.
Algumas pontas soltas do filme são a participação de Roberto Santos com as fortes imagens e a música de A Hora e a Vez de Augusto Matraga, que aparecem sem muita amarração e a inclusão de Walter Hugo Khouri que foi um opositor do movimento. Uma ausência, na minha opinião, é a não citação do movimento posterior que foi o Cinema Marginal, mas enfim Cinema Novo já nasce como referência, uma obra de grande fôlego que poderia ser exibido nas escola, vale a pena ver. E você pode assistir neste link do Festival Estação Virtual.

Arthur Bandeira é cineasta, jornalista e diretor da TV Assim

https://vimeo.com/530990911?fbclid=IwAR2xpkd8-s3HNjO1vFX6ImEkjD3Dpyq_dgedfnw3JxAfdzwKg-FtmgCLcvc

 

 

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