Construir Resistência

Notícias

Lula e a Venezuela

Por Simão Zygband O que melhor vi sobre a Venezuela, mais odiada que amada, inclusive por supostos esquerdistas, é um filme que A Globonews tem obsessões infantis com o Maduro. Lula não pode sequer sugerir que, talvez, à Venezuela não seja a ditadura que os EUA sugerem, que os jornalistas entram em convulsão. Hoje, para provar como Lula defende ditaduras, Eliane Cantanhêde exaltava Condoleezza Rice, Secretária de Estado de Busch quando esta garantiu para Lula que a Venezuela era uma ditadura. Condoleezza, para lembrar, foi a mão de ferro de Busch na sua política intervencionista. A atitude combativa e solidária de Lula em relação a Venezuela, mais uma vez, demonstra a diferença essencial do líder petista e seu partido com a social-democracia europeia e congêneres, incluindo aqueles que habitam o PT: o compromisso anti-imperialista. https://youtu.be/bjGX6-2jQHQ

Lula e a Venezuela Read More »

O que a barbárie da Vila Belmiro revela sobre a desgraça brasileira?

Era apenas um jogo de futebol, entre duas grandes equipes brasileiras. De um lado, o meu Corinthians. Do outro, o Santos, clube de devoção de tantas amigas e de tantos amigos. Nós, corinthianos, perdemos. Mas levamos a classificação, graças ao saldo de gols. De repente, no final da partida, sinalizadores e bombas são atirados ao gramado, mais especificamente contra o goleiro Cassio, atualmente o maior ídolo do alvinegro da capital. Termina a peleja e os atletas saem de campo em confraternização. De repente, no entanto, começam a pipocar vândalos criminosos em campo. Um deles, na covardia, por trás, empreende uma voadora em nosso arqueiro. Se pegasse de jeito, poderia ter acabado com a carreira da vítima. Um jogador do Santos tenta cessar o ataque. E Cassio, com dois gestos sutis, um de mão e outro de perna, recorre a um golpe de judô para se defender. Outros bandidos invadem a cancha. Um deles chega a abordar Cassio, quando é contido por seguranças. Corrijam-me se cometo equívoco. Não lembro de nenhuma outra treta em que um espectador conseguiu entrar em campo e bater no adversário. Briga entre jogadores, comissão técnica, arbitragens, sempre tem. Mas não lembro de torcedor atingir atleta do outro time. Ontem, aconteceu. O episódio é também obra da irresponsável diretoria do Santos que, recentemente, levou o elemento vivendeiro para servir de exemplo para seus associados e torcedores. Este perigoso incentivador da violência certamente inspirou os vândalos que mancharam a história da Vila Belmiro Houve também uma série de fatos lamentáveis no Maracanã. Torcedores do Atlético Mineiro foram covardemente perseguidos e espancados. Uma pedra destroçou o vidro do ônibus do time mineiro. Até no outro jogo da Copa do Brasil, na Serrinha, entre Goiás e Atlético Goianiense foram registrados conflitos violentos entre as torcidas. O futebol está exibindo para todo o Brasil um quadro de intolerância e violência sem igual em nossa história. Não é coincidência. Ao mesmo tempo, são inúmeros casos de invasões de comunidades indígenas, com agressões, estupros e assassinatos. O mesmo se passa em assentamentos dos sem-terra, em bairros dos morros e das periferias proletárias. É o horror, como aquele que varreu a Alemanha no início dos anos 1930. Essas atitudes têm sido incentivas diariamente pelo elemento vivendeiro, com seus discursos de ódio, sua apologia das armas e sua incapacidade de compreender a divergência. Estamos numa senda perigosa de degradação do rito civilizatório. Os milicianos, na iminência de perder o jogo, adotam a tática do pombo. Derrubam as peças do xadrez.

O que a barbárie da Vila Belmiro revela sobre a desgraça brasileira? Read More »

Quem é Otoni de Paula, o capanga de Bolsonaro enviado a Foz do Iguaçu

Ontem, o Brasil assistiu perplexo às manobras de um parlamentar federal para defender o vivendeiro, honrar a tradição de brutalidade da extrema-direita e, por fim, dividir uma família, cooptando os irmãos do guarda municipal Marcelo Arruda, assassinado no sábado por um bolsonarista. Mas quem é Otoni? Trata-se de um dos mais nocivos deputados federais que o Brasil já teve, eleito com mais de 120 mil votos pelo povo do Rio de Janeiro. Para variar, é pastor evangélico e acumulou patrimônio com suas furiosas pregações de intolerância cultural e religiosa. Ataca sistematicamente o Carnaval, afirmando que se trata de um “culto aos orixás com dinheiro público”. Na Internet, dispara frequentemente contra Anitta. Pergunta, por exemplo: “ela é cantora ou é uma garota de programa?”. Também é reconhecido por sua ira contra os homossexuais. No mês passado, mobilizou a ala conservadora do Congresso para a realização de uma audiência pública sobre os supostos danos causados às crianças pela versão da boneca Barbie que homenageia uma mulher transexual, a atriz norte-americana Laverne Cox. Esteve envolvido no esquema de fake news da extrema-direita. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, pagou R$ 238,5 mil de sua cota parlamentar para a quadrilha encarregada de disparar mensagens falsas em campanha eleitorais e nas convocação de atos antidemocráticos. É um dos entusiastas da campanha de ódio movida pelo mandatário e seus filhos. Os fatos foram comprovados após quebra de sigilo autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No ano passado, foi condenado a indenizar o ministro Alexandre de Moraes por outros insultos: “cabeça de ovo”, “cabeça de piroca”, “lixo” e “esgoto”. A decisão foi tomada pela 5ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que estabeleceu estabeleceu punição com pagamento de R$ 50 mil. Otoni de Paula descobriu a inclinação política dos irmãos de Marcelo por meio do influenciador Oswaldo Eustáquio, elemento que foi preso por determinação do mesmo ministro Alexandre de Moraes no inquérito que investiga a organização de atos antidemocráticos. Ele deixou da prisão em janeiro de 2021.

Quem é Otoni de Paula, o capanga de Bolsonaro enviado a Foz do Iguaçu Read More »

Irmãos de petista assassinado concordam com Bolsonaro e atacam Gleisi e o PT

Vamos ser diretos e começar com uma pergunta: é verme que chama? Pense e responda! Nesta terça-feira, o presidente vivendeiro conversou por videoconferência com Luiz e José, dois bolsonaristas, irmãos do guarda municipal de Foz do Iguaçu (PR) Marcelo Arruda, assassinado no sábado, em sua festa de aniversário de 50 anos, pelo policial penal Jorge Guaranho, admirador fanático do capitão. O encontro por vídeo foi promovido pelo deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), que foi recebido na casa de um dos irmãos de Marcelo. A dupla ocultou o encontro da viúva, a cunhada Pâmela Suellen Silva. O que disse Bolsonaro? – A possível vinda de vocês a Brasília, se concordarem, qual é a ideia? É ter uma coletiva de imprensa para falar o que aconteceu. Até para [evitar] ataques ao seu irmão. Não é a direita, a esquerda. Esse cara [que o assassinou], pelo que tudo leva a crer, é um desequilibrado. Eu faria isso para vocês terem a imprensa na frente de vocês para mostrar o que aconteceu. Se bem que a imprensa dificilmente vai voltar atrás, porque grande parte da imprensa tem o seu objetivo também, que é desgastar o meu governo. Luiz de Arruda, que não compareceu à festa, afirmou que a esquerda está fazendo “uso político” do ocorrido. “A gente sabe que o ambiente era todo petista. Apareceu lá a Gleisi Hoffmann, que eu tenho pavor, mas como meu irmão é petista eu não vou falar nada. Está lá […] Ele era de esquerda e estão usando [para politizar o caso]”, disse. O outro irmão, José, que também não compareceu à festa, completou: – O que nós não estamos admitindo, presidente, nessa parte, é a esquerda ficar utilizando o meu irmão como palco de politicagem. Isso nós não aceitamos de forma alguma. Bolsonaro determinou que os familiares do petista assassinado não deixem que a esquerda tire “proveito político” do episódio. “Com toda certeza, a Gleisi só foi aí [velório] para aparecer”, disse o presidente. Os irmãos de Marcelo ainda não decidiram se irão a Brasília para auxiliar Bolsonaro nos ataques ao PT e à esquerda. A dupla também afirmou que analisa a “agressividade” dos que chutaram o assassino no salão de eventos. Otoni de Paula descobriu a dupla de direitistas por meio do influenciador Oswaldo Eustáquio, elemento que foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que investiga a organização de atos antidemocráticos. Ele deixou da prisão em janeiro de 2021. A viúva de Marcelo, Pâmela Silva, reagiu com indignação às tratativas entre Bolsonaro e os cunhados. – Os irmãos de Marcelo não estavam na festa, como eles podem ter concordado com o que o presidente falou? Sabíamos que eles apoiavam o presidente, mas não imaginei que chegasse a esse ponto de eles deturparem a real história, dizer que o cara não foi por motivos políticos lá. Então, por que ele foi? Se a gente não conhecia ele, se a gente não sabia quem ele era? Ele tirou a vida do meu marido porque Marcelo era gordo, barrigudo? Óbvio que foi por motivo político.

Irmãos de petista assassinado concordam com Bolsonaro e atacam Gleisi e o PT Read More »

Universitária assassinada causa comoção na comunidade acadêmica do Rio de Janeiro

Atualizado às 16:00 h (Sonia Castro Lopes) Mais um caso de feminicídio choca o Rio de Janeiro, especialmente a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Trata-se do assassinato por estrangulamento da estudante de pedagogia Ayend Cristine Hammad nesta última sexta feira (29). O marido, Samy Fouad Hammad, é o principal suspeito do crime, pois teria enviado mensagem aos colegas de trabalho informando que havia assassinado a mulher e deixado a chave na porta do apartamento do casal, em Vila Isabel, zona norte do Rio. Após a denúncia, policiais foram até o local e encontraram o corpo da jovem universitária. Ayend Hammad, além de estudante de pedagogia, estagiava na  Prefeitura do Rio e deixou dois filhos pequenos. O marido da vítima, que se encontrava foragido, acabou de ser preso  hoje à tarde e confessou o crime. Colegas e professores lamentaram a morte da jovem e se solidarizaram com a família. Deixamos registrado nesse espaço as palavras do professor Leonardo Castro, que se encontra profundamente abalado pela  tragédia. “As mãos que mataram Ayend foram muitas! As que teclam discursos de ódio Que tornam rijos papéis rosa e azul Que fazem armas frente ao povo Que determinam, dos púlpitos, opressões às mulheres Que invadem terras coletivas Que ignoram saberes diversos Que mitificam as trevas Que controlam as mídias sangrentas Que pregam o uno destruindo o plural Que nos fazem chorar sua partida precoce! Aos filhos amados nosso carinho na tentativa de consolar essa dor que será eterna nos seus corações. Quantas Ayend iremos chorar até findar a prepotência de todas essas mãos?”   Foto: Jornal O Dia, 29/4/22. Reproduzida das redes sociais

Universitária assassinada causa comoção na comunidade acadêmica do Rio de Janeiro Read More »

PT oferece vice de Haddad para PSB desistir da candidatura de França

  Por Edoardo Ghirotto do portal Metrópoles Articulação contemplaria Márcio França com uma vaga ao Senado na chapa que seria encabeçada pelo petista Fernando Haddad em São Paulo   A direção do PT em São Paulo ofereceu ao PSB a vice na chapa de Fernando Haddad para tentar convencer Márcio França a desistir da candidatura ao governo estadual. O acordo permitiria que França disputasse o Senado. A ideia de colocar o PSB na vice de Haddad partiu do presidente estadual do PT, Luiz Marinho. O petista conversou com Haddad sobre o assunto e sugeriu o nome de Jonas Donizette, ex-prefeito de Campinas, para ocupar o posto. O entendimento é de que Haddad precisa arrumar um vice que seja do interior de São Paulo e que esteja posicionado mais ao centro no espectro ideológico. Além de ter comandado a terceira maior cidade do estado por dois mandatos, Donizette foi presidente da Frente Nacional dos Prefeitos por quatro anos. Marinho e Haddad se reuniram com Donizette para tratar do assunto. O ex-prefeito é presidente estadual do PSB e pré-candidato à Câmara dos Deputados. Segundo relatos de petistas, Donizette disse que pensaria na proposta se o acordo com França e com as direções nacionais dos partidos avançasse. As conversas ocorreram antes da reunião que Lula teve com França nesta terça-feira (22/2), na sede do Instituto Lula. O encontro serviu para França expor ao ex-presidente por que deveria ser o candidato da esquerda em São Paulo, mas Lula disse a ele que não se colocará contra o projeto de Haddad. A situação segue indefinida no estado.  

PT oferece vice de Haddad para PSB desistir da candidatura de França Read More »

Padre Lino e a ossada das crianças de Belford Roxo

Por Vinícius Carvalho Um dos crimes que mais perturbavam a cabeça do brasileiro que ainda possui capacidade de se indignar foi, parcialmente, elucidado hoje: o desaparecimento de três crianças no município de Belford Roxo, desde o último dia 27 de dezembro. Os meninos são Lucas Matheus, de 9 anos, Alexandre Silva, 11, e Fernando Henrique, 12. As ossadas foram encontradas hoje pela manhã, após a denúncia do irmão de um dos supostos executores num, rio/valão em uma das partes mais miseráveis de uma das cidades mais miseráveis da região sudeste. O denunciante avisou ainda que o motivo do crime foi torpe. As crianças foram acusadas de sumir (furtar) com uma gaiola e com um passarinho dentro dela. A gaiola pertencia ao parente de um traficante local que, ainda de acordo com a denúncia, executou e ocultou as três crianças. Isso mesmo, por causa de um passarinho e uma gaiola. Mas o que este crime fala sobre nós para além da brutalidade? Venho acompanhando este caso com muita atenção desde o primeiro momento em que li a notícia e quando se fala em violência urbana no Rio de Janeiro, tornou-se lugar comum, uma espécie de cloroquina, falar que toda ela é praticada por alguma milícia ou pelas polícias. O problema é que a sociedade não é preto no branco, não é Deus e Diabo, Bem e Mal, tão somente. A sociedade é uma grande massa cinzenta e gelatinosa. As pessoas simplesmente esqueceram que existe latrocínio e tribunal do tráfico nesse país, e o que fez com os setores populares da sociedade civil, no geral, guinasse à extrema-direita e elegessem um projeto político que prometeu violência policial sem precedentes (Bolsonaro) é, também, o discurso do “bandido bom é bandido morto”. De uma forma geral, num estalar de dedos, como num passe de mágica, após o assassinato da Marielle, ficamos condicionados – para demonstrar posição política e distanciamento ideológico daquilo que repudiamos – a falar que absolutamente toda a violência brasileira, todos os quase 70 mil assassinatos anuais no país, são praticados pela polícia ou pela “milícia”. Erramos, e aí começamos a perder a capacidade mínima de dialogar com a população, a “zona cinzenta”. Maior vítima de todo esse processo. Eu conheço o município de Belford Roxo. Um tio PM morava na mesma localidade onde a ossada dos meninos apareceu. Esse meu tio, mesmo sendo da corporação polícia militar, teve que fugir, abandonando a sua casa, que era própria e foi construída do chão por ele, por conta do tráfico local que sabia que ele era PM e, uma hora ou outra, ia executá-lo ou executar o seu filho, meu primo. Um drama cotidiano das nossas cidades. Hoje, a notícia que se tem é que a sua antiga casa foi invadida pelos traficantes e virou boca de fumo. Por que conto isso? Porque a sociedade, como eu disse, é cinza. O PM, meu tio, é eleitor do PT, os traficantes (ligados ao Terceiro Comando) que invadiram a sua casa, espalharam grafites do Bolsonaro e bandeiras de Israel pelo bairro. É um padrão? Não, mas não existe padrão no limbo, no umbral da sociedade. A forma como a política se organiza no UMBRAL é diferente da forma como ela se organiza nos fóruns do DCM, Brasil 247, Revista Fórum, nos bairros da Tijuca, Jardins, Laranjeiras e Brooklin. As esquerdas precisam compreender isso. Agora, o que tudo isso tem a ver com o Padre Lino? Na última terça-feira eu entrevistei o Padre Lino, um senhor italiano com cerca de 80 anos de idade, que exerce a sua cátedra na Igreja Nossa Senhora da Paz, no bairro da Aldeota, classe alta de Fortaleza. Ao efetuar uma crítica a Jair Bolsonaro, o padre foi atacado de forma cruel durante a missa e os ataques de ordem pessoal e ameças de todos os tipos prosseguiram. A ponto do mesmo solicitar entrar no programa de proteção de testemunhas da Polícia Federal. Uma das poucas vezes que senti vontade de chorar entrevistando alguém foi quando uma pessoa do público me pediu para perguntar ao padre se alguém da igreja católica, praticamente vizinha à sua, uma comunidade chamada “Shalom”, de linha “carismática” lhe prestou algum apoio ou solidariedade, o padre balança a cabeça, faz um silêncio muito triste e afirma, “não, meu filho, não….eles prestaram – em nota – solidariedade aos fascistas que me atacaram”, e prosseguiu, “eu vi o final do fascismo na Itália, na década de 40, era uma criança, não imaginava que passaria aqui no Brasil o mesmo que meus parentes passaram por lá”. Conversava com o padre e, sem querer, o entrevistei com uma camisa de banda de death metal chamada “Death Breath”. Uma camisa horrorosa cheia de figuras de zumbi. Fiquei um pouco sem graça devido a pouca liturgia de minha parte naquela entrevista, pedi desculpas e disse que era agnóstico. O padre foi enfático na resposta, “meu filho, no céu que eu acredito, muito católico que tem calo nos joelhos (de tanto rezar de joelhos na igreja) e vai a todas as missas, não vai entrar…e tem muito ateu e comunista que vai entrar sim”. Lembrei então do trabalho realizado pela antiga Teologia da Libertação no então “umbral” político relatado na primeira parte deste texto. A região de extrema pobreza. O meu primeiro contato com a miséria extrema foi numa região conhecida como Lixão do Gramacho. Ali eu vi uma cena bizarra que me atormenta e me dá pesadelos até hoje; um policial civil conhecido da área que comandava um esquema de prostituição infantil, saindo de dentro de uma casa de paliçada abotoando a calça com a barriga de fora, provavelmente tinha acabado de consumar algum ato criminoso com alguma adolescente – alguma “funcionária”. Eu não fui lá fazer trabalho social, eu não fui lá como um “colonizador” levando a palavra de São Marx. Eu não fui lá fazer safári social, levando a “iluminação” para aquelas pessoas “atrasadas”. Até porque eu não sou otário, eu jamais faria esse tipo de abordagem com uma gente

Padre Lino e a ossada das crianças de Belford Roxo Read More »

A campeã olímpica que driblou a pobreza

De Monique Vasconcelos – NINJA Esporte Clube com Redação   Natural de Vila Fátima, em Guarulhos (SP), Rebeca Andrade tem seis irmãos, e na infância morava com eles e a mãe, Rosa Santos, empregada doméstica, numa pequena moradia nos fundos de um sobrado   Superação, talento e carisma: três palavras que definem bem a ginasta Rebeca Andrade. Não tem como imaginar como seriam as Olimpíadas de Tóquio sem a atleta e sua performance única ao som instrumental do funk “Baile de Favela”. Em pensar que se as Olímpiadas de Tóquio tivessem sido em 2020, como era programado, provavelmente a gente não assistiria ao show dessa gigante de 1,54cm. Com apenas 22 anos, Rebeca já passou por três cirurgias de joelho por causa do impacto da modalidade e a última delas, em 2019, seria a responsável pela possível ausência nas olimpíadas. Com o adiamento dos Jogos Olímpicos devido a pandemia da Covid-19, a ginasta conseguiu se recuperar, garantiu a vaga individual em junho e está em plena forma no Japão, se equiparando às melhores do mundo novamente, como quando foi finalista do individual geral na Rio 2016. A performance em solo somada ao salto e as barras assimétricas lhe renderam 57.399 pontos na qualificação, ficando só atrás de Simone Biles (EUA) no individual geral, posicionando-a, portanto, como favorita na modalidade após saída de Simones Biles. Rebeca também ficou com a terceira colocação no salto e a quarta no solo. A disputa pela final do individual foi na quinta-feira (29), quando conquistou a medalha de prata. Neste domingo (1), escreveu seu nome na história olímpica mundial ao ganhar a medalha de ouro na decisão do salto e amanhã pode novamente subir ao podium na categoria solo. De Guarulhos para o mundo Natural de Vila Fátima, em Guarulhos (SP), Rebeca Andrade tem seis irmãos, e na infância morava com eles e a mãe, Rosa Santos, empregada doméstica, numa pequena moradia nos fundos de um sobrado. A vida não era fácil para sua família naquela época, Dona Rosa acordava em plena madrugada, preparava o café antes de sair para o trabalho, enquanto os filhos mais velhos ajudavam aos mais novos.   Aos quatro anos, Rebeca começou a frequentar a escolinha de ginástica do município, no Ginásio Bonifácio Cardoso, na Vila Tijuco, implantada durante a gestão do prefeito Elói Pietá, do PT, num primeiro momento levada pela tia que trabalhava no local. Depois seu principal meio de transporte para chegar aos treinos era a bicicleta, aonde ia de carona com seu irmão mais velho. O objetivo inicial das aulas de ginástica era ocupar o tempo daquela menina cheia de energia, que amava dançar. Mas a brincadeira ficou séria. Rapidamente, Rebeca Andrade foi apelidada de “Daiane dos Santos 2” por sua desenvoltura nos aparelhos. Com nove anos a vida de Rebeca teve uma grande reviravolta. Tão jovem, a atleta foi morar longe da família para se dedicar aos treinos, em Curitiba-PR. Em 2011, um novo ciclo se iniciava, a ginasta recebeu o convite para treinar na equipe juvenil do Flamengo, onde está até hoje. Com as primeiras medalhas nas grandes competições, Rebeca não esqueceu as origens e comprou um apartamento mais confortável em Guarulhos para sua família. Depois disso, o nível de Rebeca só foi subindo, e em 2012, com apenas 13 anos, Rebeca tornou-se campeã do Troféu Brasil de Ginástica Artística no primeiro campeonato como profissional, superando ginastas de renome, como Jade Barbosa e Danielle Hypolito. Em 2015, estreou nas competições adultas internacionais na Copa do Mundo de Ginástica, em Liubljana, na Eslovênia, onde competiu nas finais das paralelas assimétricas ficando em terceiro lugar, conquistando a medalha de bronze. A medalha de ouro não tardou, veio em 2017, na etapa de Koper, também na Eslovênia, após conquistar a prova de salto sobre a mesa. A partir dali o topo do pódio virou rotina na vida de Rebeca. Em 2018, a ginasta disputou mais uma etapa da Copa do Mundo, em Cottbus, na Alemanha, e assegurou mais dois ouros: no salto sobre o cavalo e na trave. No ano seguinte, em Stuttgart, também em território germânico, Rebeca conquistou o primeiro lugar na disputa por equipes. Agora, Rebeca realiza o sonha do ouro nas Olimpíadas de Tóquio. Por aqui, continuamos na torcida!

A campeã olímpica que driblou a pobreza Read More »

Rolar para cima