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Bolsonaro nega até que seja ele mesmo

Por Moisés Mendes

Tivemos hoje mais um depoimento de Bolsonaro para negar que tenha planejado o golpe.

Na semana que vem, ele será interrogado de novo em outro inquérito para dizer de novo que nunca foi golpista.

No mês que vem ele depõe em outra investigação para dizer que não roubou as joias das arábias.

Antes do fim do inverno, vai negar ao Ministério Público que tenha fraudado o cartão de vacina.

No inquérito sobre os crimes da pandemia, vai dizer que nunca defendeu a cloroquina e não negou a vacinação a ninguém.

No começo da primavera, em outro interrogatório, negará que tenha sustentado o gabinete do ódio.

Numa vara especial de Brasília, vai assegurar que jamais falou sobre estupro com a deputada Maria do Rosário.

À Polícia Federal, vai dizer que nunca pensou em interferir na própria PF para proteger os filhos.

Em mais um inquérito, mostrará provas de que nunca participou de rachadinhas.

E ainda tem mais. Os inquéritos do cartão corporativo, do genocídio na pandemia, dos vampiros das vacinas, do vazamento de investigações da Polícia Federal da matança de yanomamis…

E assim teremos por muito tempo uma manchete nessa linha: Bolsonaro nega que…

Enquanto isso, os manés do 8 de janeiro já estarão na cadeia, Mauro Cid estará fora do Exército (com soldo integral) e nada saberemos sobre quem matou Marielle.

E o Brasil estará debatendo se Raul Seixas pode aparecer todo exibido na propaganda das novas havaianas.

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Escreve também para os jornais Extra Classe, DCM e Brasil 247. É autor do livro de crônicas Todos querem ser Mujica (Editora Diadorim). Foi colunista e editor especial de Zero Hora

 

 

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