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Avançam os processos de beatificação de dom Hélder Câmara

Da Redação com informações do Vatican News

O Dicastério das Causas dos Santos comunicou que nomeou o monsenhor espanhol Melchor José Sanchez de Toca y Alameda como relator da Positio do processo de canonização dom Hélder Câmara, arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife e um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). No ano passado, o Vaticano anunciou a validação jurídica de todo o material enviado a Roma. A expectativa agora é que nos próximos dias o documento seja entregue aos membros das comissões romanas formadas por historiadores, teólogos, bispos e cardeais. O final do processo pode ainda demorar anos.

Semanas antes do golpe militar de 1964, Dom Hélder foi designado arcebispo na Arquidiocese de Olinda e Recife, cargo que ocuparia por 21 anos, mesmo período que perdurou a ditadura. Em terras pernambucanas, fortaleceu as comunidades eclesiais de base (CEBs). O processo de beatificação e canonização foi aberto pela Igreja pernambucana em 2014 e a fase arquidiocesana foi concluída em 2018. No ano passado, no encerramento do 18º Congresso Eucarístico Nacional, a Santa Sé anunciou a validação jurídica de todo o material enviado a Roma.

Aos 76 anos de idade, em 1975, deixou o comando da Arquidiocese de Olinda e Recife. Cearense de nascimento, seguiu vivendo na capital pernambucana, numa pequena casa aos fundos da Igreja de Nossa Senhora das Fronteiras, na rua Henrique Dias, bairro da Boa Vista. Morreu aos 90 anos, em 27 de agosto de 1999.

O administrador Apostólico de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, comemora mais um passo dado para reconhecer a santidade do arcebispo. “Esse é nosso desejo, a declaração oficial da Igreja, pois conhecemos de perto as virtudes de dom Hélder e o tomamos como modelo de santidade, na luta pela dignidade dos pobres, na vida de oração, na humildade e sabedoria”, afirmou.
Fundador da CNBB

Dom Hélder Câmara foi uma pedra no sapato da ditadura militar. Sempre se colocou publicamente em oposição a ela. Os meios de comunicação foram proibidos, a partir do AI-5 (1968), de entrevistá-lo. Mesmo assim, o arcebispo seguia falando em conferências e meios de comunicação internacionais, denunciando os crimes do regime ditatorial brasileiro.

Foi Dom Hélder que conseguiu autorização do Vaticano para fundar a CNBB e o CELAM. No Concílio Vaticano II (1965), ele foi o propositor do “Pacto das Catacumbas”, documento com 13 compromissos, como colocar os pobres no centro da atividade pastoral e levar uma vida simples, rejeitando símbolos de privilégio e poder. Este documento influenciou a criação do movimento da Teologia da Libertação.

O arcebispo de Olinda e Recife criou o movimento Ação Justiça e Paz, que tinha a intenção de denunciar as injustiças e socorrer os perseguidos e marginalizados pelo regime. Com seu trabalho, Dom Hélder passou a ser reconhecido mundialmente como liderança contra o autoritarismo e em defesa dos Direitos Humanos. Foi premiado com 32 títulos de doutor honoris causa em universidades brasileiras e estrangeiras, além de prêmios internacionais. O regime militar muitas vezes o acusou de ser comunista e até de contrabandear armas para grupos de guerrilha contra a ditadura.

Foi o brasileiro que mais vezes foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, com quatro indicações. Desde a primeira, em 1970, a ditadura militar brasileira empreendeu uma dura campanha difamatória sobre o religioso no exterior, associando-o  ao comunismo.

Em 1969 o auxiliar de Dom Hélder, o padre Antônio Henrique Pereira Neto, foi assassinado por uma milícia armada apoiada pela ditadura. O Padre Henrique, que era professor, teve uma reunião com pais de estudantes na noite de 26 de maio. Quando retornava para casa, já na madrugada do dia 27, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) – grupo paramilitar apoiado pelo regime militar e por empresários locais – sequestrou o Padre Henrique, torturou e assassinou.

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