Construir Resistência
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As manifestações contra o genocídio e a mídia

Por Simão Zygband

Foto de capa: Ricardo Stuckert

A jornalista Julia Dualibi, da Globonews, faz uma análise sobre o impacto das manifestações contra o governo genocida realizadas, desta vez, no sábado ( 19 ) reunindo mais de 750 mil pessoas no Brasil e em 17 países do exterior, segundo a coordenação nacional da campanha Fora Bolsonaro.
Em sua entrada na TV, Dualibi diz que o (des)governo do capitão reformado “sentiu ”, ao divulgar exatamente no dia das manifestações, um documento sobre os 900 dias de supostas “realizações”. Diz ela: “na linguagem popular, passou um recibo. Já tinha passado na manifestação do dia 29, maior do que o governo esperava. E nesta, passa o recibo de que está sentindo a pressão das ruas”.
Não é preciso dizer que o conglomerado Globo, da qual faz parte a Globonews, também passa seu recibo quando seus comentaristas criticam (com muita justiça) o governo genocida, responsável direto pela morte de meio milhão de brasileiros.

Nunca é demais lembrar que os empresários de Comunicação, incluindo os donos da Rede Globo, os Marinhos, se juntaram com os detentores do poder econômico (bancos, indústrias, agronegócio), ao Judiciário e congressistas “achacadoores” para derrubar o governo, através de um golpe, da presidenta Dilma Rousseff.
A Globo também encabeçou as operações, dando legitimidade às ações ilegais do ex-juiz Sérgio Moro, que culminaram com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que amargou 580 dias de prisão arbitrária, obviamente baseada em áudios vazados de forma criminosa a serviço do juiz e dos golpistas, utilizando inclusive repórteres da emissora para atender aos interesses escusos.
Também outro importante veículo de comunicação, a Folha de S. Paulo, também produz neste domingo (dia 20) uma primeira página totalmente em branco com os dizeres “Vamos morrer até quando?” por ocasião do registro de 500 mil mortes ocasionadas pela “gripezinha” do genocida Jair Bolsonaro. O Folhão, assim como todos os veículos deste conglomerado de comunicação, também esteve à frente do golpe contra Dilma Rousseff.
Como águas passadas não movem moinhos, diz o ditado popular, é necessário analisar por que estas ações de mídia funcionaram perfeitamente contra o governo do PT e das esquerdas e não é tão eficaz quando, apesar e haver manifestações gigantescas nas ruas, não é tão automática assim a queda de Jair Bolsonaro, disparado o pior governo da história do país?
A verdade é que o quadro atual serve como exemplo do que é a política no Brasil e desnuda de vez os interesses da grande mídia hegemônica e privada. Dilma Rousseff e os governos do PT, ao contrário de Jair Bolsonaro, incomodavam os poderosos. O empresariado queria um governo onde se pudesse liquidar com os direitos dos trabalhadores (conseguiram já com o golpista Michel Temer) e também uma reforma previdenciária que tirasse recursos da Previdência Social pública e as transferisse para os bancos (através da previdência privada). Nisso todos os empresários (inclusive os pequenos e médios, ingenuamente) estavam de acordo.
Hoje a mídia hegemônica está dividida. Não basta apenas o conglomerado Globo e a Folha de S. Paulo se alinharem à oposição a Jair Bolsonaro. Uma coisa é todos estarem contra o governo do PT, como aconteceu com Dilma Rousseff (e Lula), falando ao mesmo tempo contra eles em todos os veículos de comunicação privados (com raríssimas exceções) e outra é a Globo e a Folha se alinharem com a oposição (e não por uma questão ideológica, mas por redução das verbas publicitárias), mas ainda do outro lado estarem o SBT (de Silvio Santos), a Record (do “bispo” Edir Macedo), a RedeTV, a Jovem Pan, a Rádio e TV Bandeirantes, o Estadão, entre outros.
Bolsonaro, ao contrário do PT que abriu os cofres para seus algozes (talvez resida aí um dos grandes erros), só alimenta com dinheiro público aqueles que estiverem alinhados. Conta com isso com um suposto anunciante privado, a Havan, de quem Bolsonaro “perdoou” uma gigantesca dívida de mais de R$ 750 milhões com a Receita Federal, que o empresário retribui distribuído patrocínio, inclusive na camisa de um dos maiores clubes de futebol do Brasil, o Flamengo.
Mas, o que resta aos manifestantes contra o governo Bolsonaro é, sem dúvida, a guerra de desgaste contra o genocídio e o fascismo. E isso a sociedade dá mostras de querer encarar este desafio.
Portanto, seguir em frente na luta.
#forabolsonaro

Capa em branco da Folha de S. Paulo

 

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