Construir Resistência
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Ou aprendemos a lutar a luta deles ou podemos dizer tchau para a Democracia

Por Simão Zygband

 

Nunca mais a gente vai ter sossego nesta terra? Desanimada. Este desabafo, da amiga Maria Ester Costa, postado no Facebook dela, traduz um pouco do sentimento de frustração dos democratas que se reuniram na Frente Ampla para derrotar a extrema-direita.
A pergunta que se faz é quando a cadela do fascismo sairá do cio?
A luta contra os fascistas virou uma moto-perpétua. Não darão um minuto de trégua e não se pode bobear um segundo com eles.
E os fascistas, de modo surpreendente, estão por toda parte: entre os supostos amigos, militares, aliados, na família, nas estruturas de poder, nas igrejas, no empresariado, impregnado na alma de uma parcela considerável da população.
Os efeitos do pós-guerra de ser vergonhoso ser fascista aparentemente já acabou, e ele ganhou nova forma e impulso com o advento das redes sociais. Todos podem babar o seu ódio e destilar sua intolerância através de um veículo de comunicação pessoal e intransferível. É um crime sem castigo. Consegue trazer a tona o lado mais perverso do ser humano.
Não se trata, evidentemente, de um fenômeno que ocorre exclusivamente no Brasil. A radicalização de sentimentos grotescos ocorre em todos os cantos do mundo. Por isso é difícil cravar quem faz o jogo mais sujo neste momento na guerra que se trava no Leste europeu entre a Rússia e a Ucrânia. Putin é pior do que Zelensky? Difícil dizer. Aparentemente são dois iguais se exterminando.
No Brasil, Bolsonaro não foi o responsável por este sentimento asqueroso que o fascismo trouxe para a realidade brasileira, antes embalada pelo samba e futebol. Ele se tornou o catalisador de uma manifestação que estava adormecida no inconsciente coletivo. Bastou esfregar a lâmpada para aparecer o gênio do mal.
Confesso que me incomoda muito a crítica fácil de dizer que a Comunicação do governo Lula está ruim. Somente ela conseguirá conter o ímpeto fascista? Claro que é necessário construir a rede de esclarecimento, tomar o lugar de fala dos fascistas em todo os modais possíveis: redes sociais, mídia imprensa e eletrônica, criação de um grupo virtual de enfrentamento, entre outros procedimentos imprescindíveis.
Por que exatamente aqueles que se perdem na crítica fácil não são capazes de retransmitir uma única postagem do governo Lula? Trata-se apenas do chamado fogo amigo?
Insisto na mesma tecla. O governo tem que construir sua rede. Não basta apenas ter bons projetos de governo se não consegue torna-los públicos. E não é apenas pagando propaganda em horário nobre de TV. Só isso não basta mais. É necessário entrar no whatssap de cada cidadão, estar presente e combater as fake news dos fascistas no terreno preferido deles.
Não é fácil construir isso. Mas é necessário começar. Fazer a disputa de narrativa no whatssap e nas redes sociais de todos os brasileiros. E ser feliz na produção de conteúdos. A direita é muito boa nisso. E transforma a compra de uma simples gravata pela Janja para o presidente Lula em instrumento de luta, em um ariete para infernizar o governo.
Ou aprendemos a lutar a luta deles ou podemos dizer tchau para a Democracia.

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