Por Simão Zygband

Lula e Nísia Trindade

A comunidade médica brasileira comemorou a indicação da médica Nísia Trindade como a primeira mulher a comandar o Ministério da Saúde, castigado durante quatro anos pela incompetência do desgoverno Bolsonaro, que redundou na morte de mais de 680 mil brasileiros por Covid-19, se transformando no segundo país do mundo onde ocorreram o maior número de óbitos (só superado pelos EUA).

A doutora Nísia tem um currículo invejável para dirigir o Ministério da Saúde. Ela coordenou as ações da Fiocruz durante o enfrentamento da pandemia de Covid-19 no Brasil e criou o “Observatório Covid-19”, uma iniciativa com a intenção de monitorar e divulgar informações e notícias sobre a pandemia e seus impactos no país. Ela também esteve à frente das negociações com o Ministério da Saúde, a universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca para permitir que a Fiocruz fabricasse as vacinas contra a Covid-19 no Brasil.

Nísia também foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Fiocruz. Ela é membro da Zika Alliance Network, um consórcio de pesquisa multinacional para pesquisa e combate do Zika vírus, e participou do Plano de Ação Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de otimizar a pesquisa global para os sistemas de saúde dos países.

A futura ministra da Saúde contará, entretanto, com um orçamento de R$ 149,9 bilhões para 2023, o menor valor desde 2014. Mesmo assim, ela promete fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), o que certamente o fará, mesmo com a escassez de recursos. É uma questão de princípio, bem diferente do desgoverno que antecedeu a gestão de Lula, que não tinha nenhum apreço pela vida humana.

Afora o cenário orçamentário nada promissor, que necessitará retirar o Ministério da Saúde colocado no fundo do poço pelo governo de extrema-direita de Bolsonaro, a doutora Nísia poderá enfrentar um novo desafio e medidas devem ser tomadas imediatamente para que não cheguem novamente ao Brasil: uma nova onda de Covid-19 que está assolando a China.

É bem verdade que graças à atuação de médicas como a Dra. Nísia e Margareth Dalcomo, também da Fiocruz, houve uma pressão para que o governo Bolsonaro adquirisse as vacinas contra a Covid-19, cuja demora foi a responsável pela grande letalidade da doenças.

Mas com a Covid não se brinca, como mostram todos os estudos, e as mutações podem criar problemas. Na China, por exemplo, por causa de um confinamento rigoroso se conseguiu durante um período conter a transmissão da doença e reduzir o número de óbitos. Por quase três anos, bloqueios rígidos, quarentenas centralizadas, testes em massa e rastreamento rigoroso de contatos foram realizados para conter a propagação do vírus.

Neste final de ano, entretanto, esta estratégia foi abandonada após uma onda de protestos em todo o país contra as restrições que estavam prejudicando os negócios e a vida cotidiana. Resultado: houve uma nova explosão de casos de Covid, com o esgotamento do sistema de saúde e aumento da mortalidade, que beira os 5 mil óbitos/dia. Já se fala que a nova pandemia pode ceifar quase 1 milhão de vidas naquele país.

Os especialistas já haviam alertado que a China estava está mal preparado para efetuar uma liberalização tão drástica, não tendo conseguido aumentar a taxa de vacinação de idosos, a capacidade de terapia intensiva em hospitais ou estocar medicamentos antivirais, por exemplo.

No Brasil, os números de imunização são considerados “satisfatórios”: 86% da população está imunizada com ao menos uma dose, 79,4% com o 1º ciclo vacinal completo e 48,4% com a dose de reforço. Mas com a doença nunca se deve bobear e algumas medidas já devem ser tomadas.

No governo do presidente Lula teremos um Ministério da Saúde comprometido com a vida humana e a Dra. Nísia, com certeza, já deve estar de olho nesta questão da volta da Covid. Mas a estratégia para impedir que a doença volte a levar a óbito novamente milhares de brasileiros, assim como está ocorrendo na China, certamente já deve estar no radar da nova equipe que assume agora no dia 1º de janeiro.

 

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