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A marca de Caim

Por Vidomar Silva Filho

Ricardo chegou da escola e cumpriu o mesmo ritual de todos os dias: tirar o uniforme, dobrá-lo e guardá-lo cuidadosamente no armário, vestir calção e camisa de estar em casa, lavar as mãos e sentar-se à mesa. De olhos fixos no prato vazio, esperou que o pai fizesse a oração e só então se serviu. Comeram os dois em silêncio. Depois coube ao menino lavar pratos e panelas enquanto seu Orlando tirava um cochilo antes de voltar para o trabalho.

Ao sair, como sempre, o pai deixou tarefas para ocupar a tarde do filho. Ricardo deveria passar o rastelo nas folhas do quintal e acumulá-las num canto, para que fossem depois queimadas. No tempo restante, deveria estudar e fazer as tarefas da escola. Orlando não o queria na rua com os moleques dos Ganchos.

Dois anos depois de um câncer levar-lhe a esposa, Orlando Stephens mudara‑se com o filho para Governador Celso Ramos por necessidade de ofício. Era o único funcionário da pequena agência de correios. O blumenauense reservado e ordeiro não entendia aqueles pescadores que passavam nove meses do ano no mar e os outros três em terra, em vagabundagem coletiva, bebendo, fazendo farras-de-boi, comendo e bebendo uns na casa dos outros, falando mal da vida alheia feito comadres. Não queria de forma alguma o filho único misturado com aquela gente.

Ricardo estava com dez anos e cursava o quarto ano primário. No ano seguinte, iria para Florianópolis morar com Dalva, uma tia solteira. Lá poderia cursar o ginásio em uma escola melhor. O pai o queria engenheiro.

No meio da tarde, quando o menino tinha acabado de rastelar as folhas e ajuntá-las num monte no fundo do quintal, ouviu que alguém o chamava da frente da casa:

– Ô, Ricardo, Ricardo… Ô, Alemão!

Era Mancha, um menino do Gancho de Fora. Ricardo, que morava no Gancho do Meio, conhecia Mancha da escola, de onde ele havia sido expulso alguns meses antes. O apelido devia-se a um sinal de nascença grande e escuro, que começava em meia testa e desaparecia sob os cabelos. Ninguém o chamava pelo nome. Quando expulso, Mancha ainda cursava o terceiro ano primário, apesar de já ter quase treze anos. Era tido como rebelde, arruaceiro e preguiçoso, um caso perdido. Mesmo depois da expulsão, costumava ainda aparecer na saída das aulas, ora para vender uma pipa ou trocar figurinhas, ora para se envolver em brigas.

– Eu vou subir o morro da salga pra caçar ovo de passarinho. Vamo junto?

– O pai não quer que eu saia de casa, Mancha.

– A gente volta logo. Ele nem vai saber que tu saísse. Vamo?

Ricardo pensou um pouco enquanto guardava o rastelo e decidiu aceitar o convite. Pulou o muro do lado para não correr o risco de que o pai, olhando da agência, o visse saindo de casa.

Ia alegre com o outro pela estrada. O convite dava-lhe um senso de acolhimento que nunca havia experimentado desde quando foi morar nos Ganchos, no início daquele ano. Até então só ouvia os meninos xingarem-no de alemão batata e caçoarem do seu sotaque.

Passaram o morro que separava os vilarejos, atravessaram o Gancho de Fora e subiram pelo lado da salga. Mancha foi contando como armara uma arapuca e pegara um sabiá, falou do curió campeão de um tio e foi levando Ricardo por caminhos cada vez mais estreitos, até que quase não havia mais trilhas. Dizia que os jacus e tucanos tinham os ninhos mais escondidos. Era preciso ir mais longe para encontrá-los.

Numa pequena clareira, deixou que Ricardo passasse à frente. De repente, sem aviso, pulou sobre ele e derrubou-o no chão. Estirou-se sobre Ricardo, que caíra de bruços. Segurando-lhe os pulsos, apertava seus braços contra o chão. O menino ficou apavorado. Pensava que o outro iria matá‑lo bem ali e que só encontrariam seu corpo depois que os urubus começassem a rondar. Quis gritar, mas a voz não saía.

Mancha largou-lhe os braços, deu-lhe uma gravata e, com a mão livre, desceu um pouco o próprio calção. Depois começou a puxar para baixo o de Ricardo, que só então entendeu o que estava para acontecer.

Ricardo sentia o braço do outro a sufocá-lo e a dureza de seu sexo a cutucar‑lhe as coxas. Sabia que não era páreo para a força do garoto maior e viu que precisava ser esperto. Fingiu ceder, amolecendo o corpo, afastando um pouco as pernas. Mancha afrouxou a gravata e foi descendo o calção de Ricardo até os joelhos. Depois levantou um pouco o corpo para poder pôr o sexo no lugar certo.

O menino aproveitou-se desse descuido de seu algoz, levou a mão para trás e apertou-lhe com toda força os testículos. Mancha soltou um grito rouco e deixou-se cair para o lado, com as mãos entre as pernas, gemendo, enrodilhado feito um camarão cozido.

Quando Ricardo se levantava para fugir, Mancha conseguiu estender uma das mãos e agarrou-o pelo calção, que ainda estava na altura dos joelhos. O menino não teve outro jeito senão tirar uma perna por vez e sair correndo só de camisa. O calção ficou nas mãos do outro.

Após correr um trecho, arranhando-se nos galhos das árvores, embaraçando‑se nos cipós, Ricardo escondeu-se atrás de uma moita espessa. Logo depois ouviu o ruído que Mancha fazia no mato e viu-o passar correndo, com seu calção ainda nas mãos.

Deixou-se ficar ali escondido. Temia que o outro o estivesse esperando adiante. Como faria para chegar a casa seminu, arranhado e todo sujo de terra? Resolveu esperar que a noite chegasse. Os mosquitos picavam-no impiedosamente. Cada ruído no mato deixava-o arrepiado. Sentia uma falta enorme da mãe. Chorava de vergonha, ódio e medo.

Quando a noite finalmente caiu, tomou coragem para descer o morro. Por sorte a lua crescente ajudava-o a ver a trilha. Acabou de descer o morro, seguiu pela praia até perto da saída do Gancho de Fora, para que as luzes da rua não traíssem sua nudez. Conseguiu chegar a casa sem que ninguém o visse e entrou chorando.

Não teve remédio senão contar tudo ao pai, que lhe aplicou uma tremenda surra. No dia seguinte não foi à escola. Estava acamado, com as costas lanhadas de cinto. Era comum que tomasse surras do pai, mas nunca apanhara tanto.

Quando voltou à escola, já corria o boato de que Mancha o tinha comido no morro. Agora não o xingavam só de alemão-batata. Virara o mariquinha. Na sala, o menino que sentava junto dele expulsou-o e Ricardo teve que se isolar numa carteira no fundo. Quando a professora perguntou o porquê da mudança, todos riram e alguém gritou que o Ricardo andava fazendo malcriação no mato.

Ricardo foi até a mesa da professora para contar o que realmente acontecera. Mas a turma começou a vaiá-lo e ela mandou que voltasse ao seu lugar para continuar a aula. Na saída da escola, ele ainda teve de correr para fugir da vaia e do coro de mulherzinha, mulherzinha.

Mancha esperou-o no portão da escola no dia seguinte. Deu-lhe socos e rasgou‑lhe a camisa. Depois gritou que fosse buscar o calção que tinha esquecido no mato. Ricardo tomou outra surra do pai pela camisa rasgada.

Passados uns dias, já o incomodavam menos, e o menino que o expulsara convidou‑o a sentar novamente com ele. Dali a pouco o garoto acariciou sua coxa, por baixo da carteira. Levou um soco tão forte que caiu estatelado no chão, com o nariz sangrando. Ricardo foi suspenso por dois dias, tomou outra surra em casa e não teve mais companhia na carteira.

Nos dois meses que faltavam para o fim das aulas, o menino experimentou o inferno. Só podia sair de casa para ir à escola. Parou de brincar com os outros no recreio porque, a qualquer desentendimento, sempre cabia a ele o xingamento que mais doía. Ficava isolado pelos cantos.

Quando o sino tocava para o fim das aulas, ele esperava até que a professora se dirigisse ao portão e caminhava ao lado dela, sobressaltado. Temia que Mancha ou outro menino o agredisse.

Passou a devotar aos moleques dos Ganchos o mesmo ódio e desprezo que o pai dedicava a todos eles. E foi com grande alívio que ele pôde ir morar com a tia em Florianópolis quando terminou o ano letivo. Mas mesmo lá, a dezenas de quilômetros dos Ganchos, ainda tinha pesadelos confusos com Mancha, os moleques e o pai e acordava aos gritos.

Ricardo agora tomava o ônibus a cada quinze dias e passava o fim de semana com o pai nos Ganchos. Lá as poucas conversas de frases quase monossilábicas giravam sempre sobre o progresso na escola e sobre recomendações para que se comportasse na casa da tia. No domingo à tarde, o pai lhe dava o dinheiro para as despesas e acompanhava‑o ao ponto de ônibus. Ao embarcar, Ricardo pedia a bênção e o pai respondia com um Deus te abençoe sem beijo ou abraço. Um dia, no ônibus de volta, Ricardo deu-se conta de que o pai só o tocava para surrá-lo.

Nos domingos em que o sobrinho não ia visitar o pai, Dalva passou a levá-lo consigo para assistir à missa. Ricardo não se lembrava de ter ido uma vez sequer com o pai à missa depois que a mãe morrera. Recordava claramente de irem os três à missa em Blumenau e das novenas em casa pela cura da mãe. Mas, depois que a doença a prendeu à cama, não foram mais à missa e cessaram as novenas. A última vez em que Ricardo viu o padre foi quando a mãe recebeu a extrema-unção. Quando os remédios para dor já de nada serviam e ela pedia aos gritos que Deus tivesse piedade, levaram-na para o hospital. O menino não assistiu ao velório nem ao enterro. Só lhe disseram que a mãe já não sofria e que tinha ido para o Céu.

Ricardo gostava de ir com a tia à missa na Catedral. Agradava-lhe o cheiro do incenso, os cantos, a Sagrada Família esculpida em madeira, os anjinhos na nuvem atrás do altar. Passava largo tempo a olhar as esculturas de santos, os vitrais e as pinturas com as quatorze estações da Via Crúcis. Aos poucos, aprendeu a dar as respostas às palavras do padre e a acompanhar as orações e cânticos. Quando quis tomar a hóstia como a tia, soube que precisaria fazer a primeira comunhão. A seu pedido, Dalva matriculou-o nas aulas de catecismo, que ele frequentava nas manhãs de sábado.

Um dia a catequista contou a história de Abel e Caim e falou da marca que Deus pôs no assassino para que todos soubessem do seu enorme pecado. Quando Ricardo perguntou como era essa marca, ela lhe disse que ninguém sabia como era, porque a Bíblia não esclarecia. Mas dali por diante ele passou a imaginar um Caim com uma mancha escura na testa atraindo com falsas promessas o irmão para o mato e lá o matando, ainda que soubesse que Caim só recebera a marca depois do crime.

Quando a catequista lhes falou do amor de Jesus e da necessidade de perdoar, Ricardo procurou imaginar-se perdoando Mancha. Tentava ver-se oferecendo ao outro o perdão de Cristo, mas não conseguia. Nas orações simples de menino, pedia a Deus que limpasse seu coração da mágoa e lhe desse paz, mas desesperava-se ao sentir que a nódoa do ódio ainda estava lá, escura, indelével.

Nas férias do meio do ano, ele pediu para ficar com a tia e não houve objeção do pai. Quando voltaram as aulas, pretextou que tinha que estudar nos fins de semana e passou a ir a Governador Celso Ramos apenas uma vez por mês. E nem isso faria se Dalva não o mandasse visitar o pai.

No fim de novembro, Orlando veio vê-lo fazer a primeira eucaristia. Pela primeira vez desde que Ricardo tinha lembrança, o pai abraçou-o. Mas foi uma coisa fria, desajeitada. Separaram-se logo, envergonhados. Pareceu ao menino que abraçara um estranho.

Passou duas semanas com o pai nas férias de fim de ano, mas quase não pôs os pés na rua. Levou consigo livros que a tia lhe comprara e passava as tardes no quarto lendo. Em vez dos meninos dos Ganchos, foram seus companheiros o Conde de Monte Cristo, Crusoé, Tom Sawyer, Zezé e seu pé de laranja lima falante.

Nos anos seguintes, as visitas tornaram-se irregulares. Orlando passou a vir eventualmente a Florianópolis para visitar a cunhada e o filho, e as idas do rapaz aos Ganchos cessaram por completo.

Quando o pai morreu de um infarto, Ricardo cursava o primeiro ano do segundo grau. Foi Dalva que tratou do traslado do corpo. No enterro simples em Blumenau, somente ela, o rapaz e os coveiros assistiram à descida de Orlando Stephens para junto dos restos da esposa. Foi também Dalva que tratou da venda da casinha em Governador Celso Ramos e que depositou o dinheiro apurado numa conta de poupança em nome do sobrinho. Móveis, louças, roupas, tudo foi deixado para o comprador, exceto uma caixa de madeira com umas poucas fotos, alguns documentos, as duas alianças de casamento e um relógio de pulso folheado a ouro.

Ricardo preferiu não usar o relógio do pai. Só tirou da caixa uma foto em preto e branco, a única em que apareciam ele, o pai e a mãe. Mandou emoldurá-la e a pôs sobre o criado-mudo.

Jamais voltou aos Ganchos e, nas conversas com a tia, evitava mencionar qualquer fato relativo ao ano em que morara lá.

Quarenta anos depois, em Florianópolis, o doutor Ricardo Luiz Stephens, oncologista, prepara-se para deixar o consultório para almoçar. Olha no pulso o velho relógio herdado do pai. Onze e meia. O primeiro paciente da tarde chegará às duas. Terá tempo para passar na concessionária e ver o carro de que Marilene gostou. Ajeita no console a velha fotografia dele com os pais, que foi ganhando a companhia de outras ao longo dos anos. Numa ele está de beca junto à falecida tia Dalva no dia da formatura. Em outra Marilene e ele posam com Paula no colo no dia do batizado. Uma bem recente mostra a filha, o genro e o neto na roda gigante de Londres. O filho Bruno aparece em outra, com a esposa e as filhas, na ilha do Campeche.

Quando já tem na mão a chave do carro, a secretária bate à porta e põe a cabeça para dentro.

– Doutor, o senhor tem como atender o paciente das dez e meia, o seu Jorge? Ele chegou agora com a acompanhante. Parece que pegaram fila na BR. Ela diz que ele tá com muita dor.

A secretária usou a palavra-chave, dor.

– Manda entrar, Juçara, manda entrar.

Entra no consultório um homem aparentando sessenta e tantos anos, que usa um boné surrado e caminha com dificuldade. Acompanha-o uma mulher mais jovem, e Ricardo pode conferir novamente que são sempre as mulheres a cuidar dos homens nas fragilidades da infância, da velhice e das doenças.

As roupas e calçados simples da dupla deixam claro que fazem parte do que ele e Juçara chamam “o terço do padre Pedro”. Há anos que atende a um pedido – na verdade, um desafio – que um padre da Catedral lhe fez, reservar um terço de suas consultas para os pobres.

O médico manda-os sentar e recebe da mulher um envelope com resultados de exames.

– O senhor desculpa o atraso, doutor. A gente saiu de Governador cedo, mas teve acidente na BR e depois nós ainda tivemos que pegar o exame no laboratório…

– A senhora não se preocupe, eu entendo. Então, seu Jorge, o que é que o senhor me conta?

A mulher responde por ele:

– Ele anda sentindo dor numa perna, dor no lado da barriga, muita dor na cabeça e tontura.

– Faz muito tempo isso, seu Jorge?

O homem tenta falar, mas a voz é baixa, quase inaudível. Novamente a mulher intervém:

– Ele não lembra, e a gente não sabe direito. O tio Jorge morava com um amigo, o seu Nelo. Ele morreu faz três meses. Aí o tio veio morar com a gente

– Ah, a senhora não é filha do seu Jorge?

– Não, eu sou sobrinha. Ele é solteiro.

Ricardo percebe que está sendo intrusivo.

– E esses exames aqui… A senhora deixa eu dar uma olhada…

Abre o envelope. São imagens e laudo de uma biópsia de pele: melanoma nodular.

– A mãe diz que isso tudo que ele tá sentindo é da cachaça e do cigarro…

– Pode ser. Daí o seu Jorge para de beber e de fumar, né, seu Jorge?

O homem sorri e o médico pode ver que os poucos dentes restantes estão em péssimo estado. Ele sabe que os sintomas até podem estar relacionados ao álcool e ao tabaco, mas quase certamente indicam múltiplas metástases do melanoma. Em trinta anos de profissão já atendeu dezenas de pacientes com o mesmo quadro. Têm sorte os que morrem mais rápido.

– Deixa eu dar uma olhadinha aí onde tiraram o material pra biópsia, seu Jorge.

O homem tira o boné. Um grande sinal escuro começa pouco acima do supercílio esquerdo e estende-se até metade da calva. Um curativo marca o local da biópsia.

Ao ver o sinal, Ricardo tem um baque. Toma o laudo novamente. Jorge Ambrósio dos Santos, 58 anos. Só pode ser ele!

– Vocês são de Governador Celso Ramos mesmo?

– Isso, lá do Gancho de Fora. O senhor conhece?

O médico não responde. Quarenta e tantos depois, ali está outra vez a marca de Caim! A dor que os anos tinham quase apagado volta de pronto e ele vê‑se novamente menino a chorar no escuro do mato, a tomar socos e golpes de cinto, a ser perseguido pelo riso e os gritos dos moleques.

Seu primeiro impulso é contar ao sujeito que lhe resta muito pouco tempo de vida, contar‑lhe que sofrerá dores tão atrozes que remédio algum conseguirá aliviar. Dirá que nada pode fazer e depois o mandará embora. Quer escorraçá-lo, fazer sumir dali aquele infeliz e toda sua miséria.

Subitamente dá-se conta de que segura com tal força o resultado da biópsia que amarrotou as folhas. Suas mãos crispadas tremem. Olha em volta meio desorientado e então seus olhos caem sobre os retratos no console. Volta a si. Respira fundo e sente o corpo ir relaxando aos poucos.

Mais calmo, olha com atenção o homem à sua frente. Ali está um pobre diabo, desdentado, amedrontado, pálido de dor. O menino que tanto o machucou desapareceu há muito tempo. E ele também não é mais a criança ferida e assustada.

Abre uma gaveta no console e escolhe dentre as amostras grátis algumas caixas de um analgésico poderoso. Vai à porta e pede à secretária que traga um copo d’água. Depois aproxima-se do paciente e faz o que sempre faz nesses casos, dá‑lhe umas palmadinhas no ombro e diz com voz alegre e amistosa:

– Depois a gente vê o que pode fazer pra ajudar o senhor, seu Jorge. Mas primeiro vamos cuidar dessas dores aí.

O carro de Marilene pode esperar.

 

Vidomar Silva Filho é doutor em Linguística pela UFSC. Professor de Língua Portuguesa e Literatura do Instituto Federal de  Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC)

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