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A imprensa escolhe seus candidatos

Por Mirian Guaraciaba

 

Em 2018, contra o PT, a chamada “grande imprensa” trabalhou e torceu por Bolsonaro

 

A capa da revista Veja desta semana traz o “jogo” de Sergio Moro. Texto longo. As imagens que o ilustram retratam um Moro anti-Bolsonaro. Sabemos, não foi assim. O ex-juiz garantiu sua eleição em 2018, tornou-se Ministro da Justiça do pior presidente da nossa história, e foi defenestrado por Bolsonaro um ano e quatro meses depois da posse.

O Globo de domingo traz a previsão (desejo?) do dono da XP, Guilherme Benchimol: o Brasil não elegerá em 2022 um candidato de esquerda à Presidência do Brasil. É o que refletem, diz a nota do jornal, os “vários” institutos contratados pela empresa.

Anti-petistas por natureza, agora anti-bolsonaristas, é irrefutável que empresários como Benchimol e veículos de informação torceram pelo Capitão em 2018. Hoje, atacam Bolsonaro e contra-atacam com disposição e argumentos próprios os surpreendentes índices alcançados por Lula na disputa pela Presidência da República, em 2022.

Jornais, telejornais, colunistas, articulistas, tem sido obrigados a se posicionar diante de evidente polarização entre Bolsonaro e Lula. Procuram com lupa terceira via possível para encará-los na campanha eleitoral, que já começou. Por enquanto, não há candidato que alcance o ex-Presidente em pesquisas de opinião conhecidas. A disparada de Lula assustou a quem o considerava carta fora do baralho.

Os ataques a Lula vem da desacreditada LavaJato. Sergio Moro, chefe da operação, foi considerado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal, e Lula foi inocentado na maioria dos processos. Em outros, as denuncias foram rejeitadas.

Dificilmente, a maioria de jornais e jornalistas e empresários como Benchimol voltarão a apoiar Bolsonaro. Mas sabem que o Capitão tem chances reais de chegar ao segundo turno. O Presidente da República tem a chave do cofre, o centrão e suas facilidades, e a caneta.

Sem uma terceira via exequível eleitoralmente, por enquanto – faltam 11 meses para as eleições – mais custoso para os veículos – e empresários – será abraçar Lula e o PT. Análises inconfiáveis os comparam. Dizem que são dois extremos. De fato, há inegáveis exemplos: um criou o Bolsa Família que tirou da miséria milhões de brasileiros. O outro acabou com o programa.

Trabalhoso criticar Lula pelo seu governo. Em oito anos, o ex-Presidente transformou a vida de pobres e miseráveis. A inflação, controlada pelo governo FHC, foi mantida sob controle. Os preços acessíveis. De 2019 para cá, tudo piorou, principalmente o humor do brasileiro. Os péssimos resultados de Bolsonaro, em todas as áreas, estão ai, todos os dias, cuspidos por ele mesmo.

 

 

Mirian Guaraciaba é jornalista

 

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