Construir Resistência
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A Globo no ar

 Por Coca Trevisan

Apesar de a Jovem Pan estar se superando, a Globo não perde suas raízes. Se o canal do senhor Tutinha (Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho) conta com uma equipe formada por Coppola, Constantino, aquele sei lá “Artrites” (foi demitido semana passada por saudar nazistas), e, acreditem, até o ex-ministro da boiada (me digam, isso é jornalismo?), a Globo ainda conta com uma Miriam Leitão, uma Madalena arrependida, vejam só, criticando duramente o governo. Ora, batalhou como soldado no golpe, seu filho comemorou com festas a prisão do Lula quando lançou seu livro, e agora vem… Depois da “traição” de seu presidente, estão pagando por muitas…que já fizeram.

Estão sem rumo, e agora acusam o atual governo de tudo, ignorando que foram essenciais no golpe. Lembrei do atual colunista parcial do jornal Gaúcho Zero Hora (no lugar do inesquecível Paulo Santana) que escreveu dezenas de textos alegando que o PT havia acabado. E agora?  Quem poderá ajudar suas teses? Nem Chapolim Colorado…

Mas, voltemos a plim-plim, semana dessas, dia 19 de Janeiro para ser mais exato, uma matéria apresentava o seguinte título: “Prefeitura suspende vacinação infantil após criança de 10 anos sofrer infarto em Lençóis Paulista”. O título já definiu a culpa do uso da vacina infantil não é mesmo? Então, os monstros (vejam só, escrevi ministros mas o corretor trocou, e acho que ficou até mais conveniente), da Saúde do governo tinham razão…ora, ora, e acreditam.

O professor e doutor em Comunicação, Nilson Lage dizia que 80% das matérias publicadas nas mídias são lançadas sem a comprovação, isto significa que somente depois serão comprovadas a veracidade das notícias. Um escândalo. Ficamos nas mãos (cabeça, pés e tronco) do que eles querem. Vejam a Jovem Pan e vocês vão confirmar o que digo, agora ex-participantes do BBB são comentaristas “especializados”, sempre defendendo o atual governo.

Tem de tudo. E o pior são seus seguidores repetindo, repetindo e repetindo frases sem nexos, ou como diz o professor Nilson, sem nenhuma veracidade. Não percebem que fazemos parte da história. Quando vão entender a frase de Marx que diz que somos peças da história mas daquela história já definida. Mas o que irrita são aqueles que dizem “deu na globo”. Esse jargão servia no processo contra a Dilma, mas agora que a Globo acusa os devaneios insanos do governo, os mesmos dizem que a plim-plim é…comunista…tá loko…

Como já disse, vangloriaram um caçador de Marajás onde o maior marajá era ele próprio, e agora um mito(sic) na luta contra a corrupção, porém, com caixa 2, rachadinhas, acordos com o Centrão e por aí vai…

Porém, no exemplo das vacinas quem ler todo o texto, vai comprovar que a morte não ocorreu devido à vacina, mas o mal já estava disseminado. E piora, pois outros afirmam que a vacina pode nos transformar em…jacarés. Enquanto isso, a Europa ri da “nossa” cloroquina, mas quem não tem um parente que tomou tal medicamento? A fraude vendeu milhões… A mídia comanda o espetáculo e daqui alguns anos surgirão o Mito II entre outras aberrações. O gado é resiliente. Agora a novidade é a internet e suas redes sociais, mas a essência segue normas das culturas industrializadas. Logo estaremos comprando panelas com ar-condicionado. Deu na Globo.

A doutrina é antiga, em 1936 George Orwell alertava que Londres estava infestado de cartazes espalhados pela cidade de comidas industrializadas e remédios, induzindo as pessoas a corroerem suas tripas com essa ou aquela forma de lixo sintético. Homens tratados como subprodutos do capital indo em direção às suas sepulturas. Tudo é dinheiro.

Há décadas a rádio Globo entra com seu “O Globo no Ar” (ainda existe?) e mesmo que o sociólogo Émile Durkheim tentasse separar o normal do patológico, ou o normal dos medos criados pela mídia e instituições sociais, a saga continua. Cabe ao indivíduo definir seus caminhos, caso contrário vamos continuar seguindo Ratinhos, tirando o chapéu para não sei quem e rezando a cartilha do “deu na Globo” ouvindo as “verdades” do Globo no ar…

 

Coca Trevisan é jornalista e escritor.

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