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A geringonça do maestro Lula

Por Simão Zygband

No Brasil se costuma misturar o joio com o trigo, se esquecendo que na política sempre há nuances, assim como é o Código Penal.

Não se pode misturar um simples criminoso que realizou um furto (substração de bens sem uso da violência) com um latrocida  (aquele que mata para roubar).

Pois assim também é na política.

Não se pode misturar aqueles que articularam o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff com aqueles que foram no embalo, pegando carona na onda golpista que se formou, incensado pela mídia privada, para a deposição do governo petista.

Michel Temer, Eduardo Cunha, parlamentares de direita, banqueiros, industriais, empresários da Comunicação, parte do Judiciário, militares, entre outros, estiveram na articulação do golpe de Estado. Bem diferente daqueles que defenderam o chamado “impeachment” por não conseguir ficar de fora do modismo que foi tacar pedras no PT.

Vejo muita gente dizendo: como o Lula pode dizer que o Michel Temer é um golpista, se ele mesmo tem agora ministros que apoiaram o golpe, inclusive o vice-presidente Geraldo Alckmin?

Lula é daqueles que não faz política com o fígado. Talvez seja esta sua maior qualidade, que o transformou em tri presidente. É verdade sim que estendeu a mão para vários defensores do golpe. E muitos que viraram seus ministros, engrossaram as fileiras da Frente Ampla. Mas certamente não estiveram no núcleo duro daqueles que o tramaram, que o financiaram, que conspiraram, como é o caso do traidor Michel Temer.

Quando diz que Temer é um golpista, Lula delimita também o espaço político necessário dentro de seu próprio governo. O presidente sabe que Alckmin, Simone Tebet, José Múcio, Juscelino Filho, André de Paula, foram apoiadores da deposição de Dilma. Alguns deles, inclusive, votaram favoravelmente, no Senado e na Câmara, para derrubar a presidenta e, de alguma forma atentar contra a democracia.

Lula conseguiu atrair eles para o seu campo, retirou eles do apoio ao genocida Bolsonaro, para compor a Frente Ampla. Após a difícil vitória (que só se consolidaria com este armistício), compôs um Governo de Coalizão. Talvez seja a primeira vez na história do Brasil que se juntaram tantos diferentes para derrotar os antagônicos. Não é tarefa fácil para um governo que se iniciou com um quebra-quebra realizado pelos fascistas na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Até agora Lula tem sabido gerenciar com maestria todas estas diferenças. É de uma habilidade política que poucos possuem na história do país. Não é a toa que se tornou presidente eleito pelo povo, através do voto, pela terceira vez, para governar o Brasil. É o único a realizar esta proeza.

Claro que nada são flores. O amigo de ontem rapidamente poderá se tornar o inimigo de amanhã. Lula bem sabe disso. Mas está tendo habilidade para gerenciar a “geringonça”.

E o povo vai lhe apoiar.

E ele sabe disso.

 

 

 

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