Construir Resistência
Mamãe Falei na Ucrânia

A estupidez de Mamãe Falei e o duro golpe nos fascistas

Por Simão Zygband

 

O deputado do MBL foi à Ucrânia conflagrada pensando que estava indo a uma balada em Maresias, no litoral norte de São Paulo, paraíso de jovens paulistanos desmiolados, que muitas vezes recebe a presença do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro

 

O deputado estadual por São Paulo (Podemos) Arthur do Val, vulgo Mamãe Falei, de fato prestou um excelente serviço à pátria. Eleito como o segundo parlamentar mais votado no estado, nas eleições de 2018, com 478 mil votos, impulsionado por um grupo de jovens fascistas reunidos na suspeita sigla do Movimento Brasil Livre (MBL), bancada com dinheiro da extrema direita internacional, ajudou a eleger não somente a si mesmo como “elementos” ligados às máfias e milícias brasileiras, como o seu ex-ídolo Jair Bolsonaro.

Arthur do Val, que já tinha cometido o desplante de ser candidato a prefeito em 2020, quando obteve expressivos 9,78% dos votos (exatos 522.210), tinha intenção de se candidatar ao governo do Estado em outubro de 2022, proporcionando palanque para o candidato da terceira via, o imoral ex-juiz Sérgio Moro, que armou um julgamento falso que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e virtual candidato a presidência, a imensos 580 dias de prisão.

Sérgio Moro e seu apoiador, Mamãe Falei

Quem ouviu o áudio gravado de Mamãe Falei, que supostamente teria ido à Ucrânia para engrossar as fileiras fascistas contra a invasão russa, na fabricação de coquetéis molotov (sic) – estava acompanhado na proeza de Renan Santos, coordenador do MBL (contra quem pesa uma acusação de estupro), não tem como não se indignar. As falas são grosseiras, machistas e irreprodutíveis, de tão baixo nível que são.

Tornou-se assim o herói do turismo sexual em região conflagrada pela guerra, onde mais de 1,2 milhão de ucranianos tiveram que abandonar suas casas para não serem vítimas do conflito. Olhava as ucranianas nas longas filas das alfândegas fronteiriças, com desejo, como se elas estivessem se preparando para entrar em uma boate.

Mamãe Falei se esqueceu do ambiente de tragédia que estava adentrando e disse que as mulheres ucranianas, vítimas da guerra, “eram fáceis, por serem pobres”. Revela na conversa, dura de ouvir até o final,  que os membros do MBL sempre vão à Ucrânia para fazer turismo sexual atrás de “loiras” e que preferiam assediar as mulheres em vilarejos pobres, pois assim se tornavam “mais fáceis” do que as do litoral”.

Mamãe Falei foi à Ucrânia conflagrada pensando que estava indo a uma balada em Maresias, no litoral norte de São Paulo, paraíso de jovens paulistanos cabeça de vento, que muitas vezes recebe a presença de outro desmiolado, o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, frequentador da casa de seu amigo, o surfista Gabriel Medina.

É evidente que o repugnante deputado jamais poderia imaginar que entre aquelas lindas loiras (policiais, como ele diz) que estavam nas barreiras alfandegárias, existia uma agente que gravou suas conversas. Ele as descreve como “deusas” e com quem teria relações inclusive escatológicas. E ele, na sua medíocre mentalidade, como tem a maioria dos jovens de direita, acreditava que elas estavam dando bola para ele, um irresistível garanhão. Mas, afinal, quem vazou os seus áudios?

Ao contrário de Arthur do Val, os russos não foram para a Ucrânia brincar. Levam muito a sério atividades de guerra, bem diferente do presidente ucraniano, o humorista Volodymyr Zelensky, um piadista que se tornou presidente e que decidiu desafiar o império russo com um exército composto por “Mamães Falei” do mundo inteiro. Até estupradores e pedófilos de extrema direita que estavam presos foram libertados para enfrentar os “invasores”, por ordem do valente mandatário, atual herói do mundo livre.

Zelensky é outro fanfarrão (também eleito após um golpe de estado como seu similar brasileiro, Bolsonaro) que decidiu levar seu país a uma guerra descabida onde todos já sabiam quem seria o vencedor. Lembra em sua atitude desequilibrada os militares da ditadura argentina, presidida pelo general Leopoldo Galtieri, que decidiu desafiar a Inglaterra, na chamada Guerra das Malvinas, onde morreram 649 argentinos. Uma verdadeira aventura, assim como faz o presidente ucraniano.

Arthur do Val, que junto com seu agrupamento, o MBL, é um ser rasteiro, atrasado e moralista, foi um dos responsáveis por um protesto contra a realização de uma exposição sobre diversidade sexual em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde denunciavam que as obras estariam promovendo pedofilia e a sexualização das crianças. Comprova-se agora que são falsos moralistas, que compõem parte de seu eleitorado.

Com sua “bravura”, Arthur do Val presta um grande serviço ao país, ao fazer cair a máscara da falsa moralidade dos fascistas como ele, Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, e outros tipos nefastos que estão infelicitando o país. Não se pode negar que é um duro golpe na direita brasileira, que deverá ter reflexos nas eleições de outubro.

Um basta aos fascistas. Não passarão!

 

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