Construir Resistência
Faixa De Gaza 10out2023 848x477

A chacina e o genocídio

Por Simão Zygband

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Foto capturada da TV Al Jazeera

A chacina terrorista praticada pelo grupo islâmico Hamas em território israelense está sendo respondida com o genocídio de palestinos na Faixa de Gaza. Não poderia haver cenário mais indigesto. Tudo se realiza com muito ódio, com sangue nos olhos, mas que acaba, como sempre, jorrando nos lares dos inocentes.

Aliás, quando há um conflito com estas proporções, o sangue que escorre é sempre o dos inocentes. Como aceitar que o grupo terrorista (revolucionário?) Hamas invada uma festa Rave que havia sido inadequadamente organizada a 20 km da Faixa de Gaza e chacine 260 jovens que apenas estavam lá para se divertir? Não existe luta de resistência para libertar a Palestina que justifique tal atrocidade. Nenhuma revolução ou movimento de libertação pode ocorrer com massacre de civis inocentes.

Mas, para tal ato atroz, se achará a tese de que o histórico de opressão aos palestinos, desde a fundação do Estado de Israel em 1948, justifica ação tão absurda e, na minha opinião, indefensável. Seria a lógica do Olho por Olho, Dente por Dente, defendida pelos intolerantes de lado a lado. Lógico que a política expansionista israelense é a principal culpada por atos extremistas. E em cima da falácia de segurança, de proteger o território de Israel, se elegem terroristas extremistas como o sanguinário primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o mais longevo da história de Israel.

É o que explica o analista de relações internacionais Lúcio Reiner, que conta que Israel nasceu como um estado de centro-esquerda socialista orientado pelo Partido Trabalhista que dominou a política israelense por muitas décadas até a guerra de Yom Kippur, em 1973. Diante da falha de segurança ocorrido naquele episódio, governos mais à direita foram ganhando terreno até Netanyahu assumir sucessivamente o poder de 1996 a 1999, de 2009 a 2021 e reeleito em 2022, cada vez mais realizando alianças mais conservadoras com partidos intolerantes, que aceitam práticas nazistas, desde que não sejam contra judeus.

“Com o tempo, a ascensão da direita se converteu em extrema direita, o que evoluiu para um congelamento de relações com os países vizinhos”, analisa Reiner,

“O novo gabinete de Israel criou uma política fascista. Curioso que o povo judeu agora esteja fazendo um gueto para os palestinos. Gaza é um gueto em que tudo, até a água, é controlado. Os princípios do início, com organização social mais generosa, se perderam. Agora virou um estado de extremíssima direita que pensa que vai resolver a questão com a força”, diz Reiner

“O objetivo principal do Hamas é criar insegurança e um abalo que leve à queda desse governo depois das operações militares, com novas eleições que prometam paz em troca de abandonar colônias ilegais na Cisjordânia ou pagamento pela terra e permissão para um território palestino na região”, acredita o analista.

Atualmente, a Faixa de Gaza tem cerca de dois milhões de habitantes palestinos. O Hamas preencheu a região com reféns israelenses para evitar ataques do exército inimigo ao longo do fim de semana ao usá-los como escudo humano. O Hezbollah, grupo terrorista localizado no Líbano, anunciou apoio ao Hamas com ataques ao norte de Israel. Ambos são majoritariamente financiados pelo regime iraniano.

Anti-semitismo

Evidente que um quadro tão adverso como este não poderia criar ambiente mais propício para não somente colocar em xeque o genocídio que Israel pratica contra os 2 milhões de palestinos residentes em condições precárias na Faixa de Gaza, como também por reações intolerantes de puro antissemitismo. É importante destacar que muitos judeus apoiam a criação de um estado palestino, mas não concordam, como preconiza o Hamas, com a extinção pura e simples do estado de Israel, o que também seria uma aberração.

Confesso que olho com muita desconfiança a investida terrorista no Hamas, sobretudo com os métodos utilizados que, na minha modesta opinião de leigo, apenas jogou gasolina na tensa relação entre os povos. Mais aceitável que os mísseis palestinos, financiados pelo Irã, mirassem exclusivamente alvos militares, como procurou fazer o exército russo ao invadir a Ucrânia, quando eles tentaram (suponhom eu) reduzir as mortes de civis.

Mas esta lógica não prevalece em mentes doentias como a de Bibi Netanyahu. Depois de demonstrar fraqueza exatamente no que ele se julgava mais preparado, que é a defesa do território de Israel e do cidadão israelense, só resta a ele fazer jorrar o sangue de inocentes palestinos, conduta que já pratica há dezenas de anos e agora, claro, com muito mais motivo. Mas também chama a atenção que esta invasão tenha ocorrido exatamente no momento em que a guerra da Ucrânia comece a fazer água e já se torne iminente a derrota do aventureiro, o infeliz comediante Volodymyr Zelensky. Mas este é um outro capítulo, talvez da mesma trágica novela.

Muito triste tudo isso……..

 

 

 

 

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