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Silvio Santos se ‘rende’, conversa com Lula e deixa Bolsonaro no passado

Recluso há mais de um ano, Silvio Santos conversou com o presidente Lula (PT) ao telefone no final da tarde da última quarta-feira (5), quando duas de suas filhas, Daniela Beyruti e Patrícia Abravanel, foram ao encontro do chefe da nação no Palácio do Planalto, em Brasília.

A reunião teve o pretexto de apresentar Beyruti a Lula como nova presidente do SBT, cargo que ela ocupa desde abril, e contou também com a participação do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, e de Roberto Franco, vice-presidente institucional do SBT.

Em linhas gerais, tratou-se de uma necessária aproximação do SBT com o novo comando do poder executivo. Por mais que Silvio Santos sempre tenha se assumido governista, sem receio de bajular explicitamente o chefe da nação, nunca antes na história do SBT a emissora esteve tão próxima do poder como aconteceu durante o governo Bolsonaro (PL).

A vantagem é que essa proximidade não se escondia nos bastidores ou debaixo do pano, e era sacramentada oficialmente pela presença de um membro da família no ministério do agora inelegível ex-presidente: o então deputado Fábio Faria, casado com Patrícia Abravanel, foi ministro das Comunicações, área diretamente relacionada ao principal negócio do sogro, até o fim do mandato anterior.

No encontro de Patrícia e Daniela com Lula está empacotada uma diplomática reaproximação com o o sujeito que desbancou o ex-chefe de Faria. Ao irem até o Planalto para reverenciar Lula, as herdeiras dão ao atual presidente o recado que mudaram de canal e a programação agora é outra.

É conveniente que a família Abravanel deixe isso claro, não por qualquer receio de risco na renovação de concessão dos canais, que está absolutamente em dia e nem é assunto cogitado por Lula e seu estafe, mas por questão bem mais pragmática e essencial ao funcionamento da empresa: a publicidade oficial distribuída pelo governo federal.

Verbas publicitárias

Desde a era Temer, o SBT foi agraciado com um aumento do percentual que lhe cabia no bolo da verba publicitária do governo, com campanhas sobre aposentadoria, saúde, educação, Banco do Brasil e Caixa Econômica, entre outras pastas.

Embora tenha perdido audiência de lá para cá, a participação da TV de Silvio Santos nessa conta aumentou, principalmente durante a gestão Bolsonaro, que reduziu, em contrapartida, a parcela abocanhada pela Globo nas campanhas definidas pelo Planalto.

A aproximação do SBT com Lula visa a não perder a escala conquistada nesse menu, em função das boas relações com o governo passado, sabidamente opositor do atual. É aquele momento de pedir que nada seja feito com revanchismo e que o SBT passe longe dessa disputa travada entre os dois, mesmo tendo apoiado abertamente o outro lado até outubro passado, quando Bolsonaro foi derrotado nas urnas.

A semana do Presidente, no SBT

Foi o encanto de Dona Dulce Figueiredo que levou o ex-presidente João Figueiredo a assinar a concessão da TVS para Senor Abravanel, em 1980, dando origem ao SBT. Desde então, até o governo FHC, Silvio manteve na programação dos domingos, seu dia mais nobre em audiência, a famigerada A Semana do Presidente, em que o saudoso locutor Lombardi, voz padrão do Programa Silvio Santos, relatava todas as ações positivas realizadas pelo titular do poder executivo na semana que acabara de se encerrar.

Lula nunca usufruiu de tal bajulação, mas Silvio Santos tampouco se permitiu confrontar qualquer governo vigente, sempre cioso da concessão definida pelo Congresso Nacional, mas também submetida à presidência.

Ao longo do governo Bolsonaro, Silvio chegou a interferir no jornalismo do SBT para poupar o ex-presidente e distribuiu nota afirmando que o chefe da nação era seu “patrão”.

A minha concessão de televisão pertence ao governo federal, e eu jamais me colocaria contra qualquer decisão do meu ‘patrão’, que é o dono da minha concessão Disse ele, logo após receber Bolsonaro em casa, em dezembro (2020), ambos sem máscaras.

“Nunca acreditei que um empregado ficasse contra o dono, ou ele aceita a opinião do chefe, ou então arranja outro emprego.”

O texto já havia sido divulgado em maio de 2020, quando circulou um boato sobre a possível interferência de Silvio na definição do novo ministro da Saúde, diante da saída de José Henrique Mandetta do cargo, ainda no início da pandemia

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