Construir Resistência

2 de novembro de 2023

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O luto não termina, se transforma

Por Fernando Chiavassa Quando meu pai morreu – de um resfriado a uma embolia – eu, que já tinha chorado muito, emudeci. Há 32 anos, a imagem do meu irmão de fronte às Clínicas, com os braços cruzados, foi decisiva. Algumas horas depois, revi a janela da sala de onde meu pai olhava para o mundo. Revi, também, a poltrona onde ele enrijeceu, sem que eu pudesse fazer nada. Não sento mais nessa poltrona, mas ainda vejo o mundo dessa mesma janela. Depois, ajudei a levar um terno dele ao IML, para vestí-lo. Estas imagens são quase impossíveis de descrever. Saí rápido desse edifício mortal e naquela madrugada fria, já do lado de fora, pedi ajuda. Enquanto olhava para uma garoa fina (contra a luz dos postes da avenida Eneas de Carvalho Aguiar), eu entendi que tinha perdido algo irrecuperável. Sentia (e ainda sinto) algo indigesto: estava aprendendo que o luto não termina. E, pela primeira vez, me senti exilado: estava num lugar onde não havia mais familiaridade com nada; onde não havia mais comunicação; apoio; nada. Começava uma época, onde apenas o tempo avançava frio como caia aquela garoa escura. Mas, olhando melhor, tinha algo diferente. A garoa tinha um brilho singular. E algo me ajudou a entender que o brilho dessa garoa expressava uma mensagem que meu pai deixou, de esperança, contra a gravidade da existência. Amarelo. Aquele amarelo brilhante em movimento, mesmo em queda, era bom. Em cenas sucessivas, o amarelo permanecia e se repetia, sem acabar. O luto não termina, mas se transforma. Depois disso, procuro esse brilho o tempo todo, em todos os lugares e em todas as pessoas. E tento – mais do que escrever, mesmo falar – estar presente junto das pessoas amadas, com meus filhos e amigos, para dar calor num abraço e num olhar, transmitir um brilho amarelo. Sol, muito sol, mesmo que a garoa continue caindo e meu pai se transformando. Abraço, pai! Fernando Chiavassa é arquiteto, escritor e professor   O CONSTRUIR RESISTÊNCIA DEPENDE DE SUA CONTRIBUIÇÃO   Ajude a manter vivo este site de luta! Qualquer quantia ajuda. Em nome do editor Simão Félix Zygband 11 997268051 (copie e cole este número no seu pix) Ou ainda acessando e interagindo com os anúncios que aparecem na página     

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Empoderamento feminino significa desafiar a objetificação e o estigma sexual

Por Maria Cândida O empoderamento feminino é uma jornada incrível que nos convida a abraçar e celebrar todas as facetas de nossa identidade, incluindo nosso corpo e nossa sexualidade. É hora de rejeitar os padrões de beleza irreais e abraçar a diversidade. Cada corpo é único e bonito à sua maneira, e não devemos permitir que a sociedade dite como devemos nos parecer. Nossa sexualidade também é uma parte essencial de quem somos. É importante lembrar que não existe uma única maneira “certa” de ser feminina. Cada mulher tem o direito de explorar, entender e expressar sua sexualidade de maneira que lhe seja confortável e empoderadora. Não devemos nos envergonhar por desejos, fantasias ou preferências. Devemos nos sentir livres para falar abertamente sobre sexo, aprender sobre nossos corpos e buscar relacionamentos baseados no respeito mútuo. Empoderamento feminino significa desafiar a objetificação e o estigma sexual. Significa afirmar nosso direito de tomar decisões informadas sobre nossa saúde sexual, contracepção e reprodução. Significa lutar contra a violência sexual e garantir que todas as mulheres possam viver sem medo. Lobas, vamos celebrar nossa força, nossa individualidade e nossa capacidade de moldar nossas próprias vidas. Isso é empoderamento feminino. Maria Cândida é jornalista, apresentadora de TV, criadora de conteúdo Mulher Madura e autora do livro Mulheres que brilham

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