Construir Resistência

1 de agosto de 2023

UOL demite Ricardo Kotscho por “corte de custos”

Por Vitor Félix – Portal dos Jornalistas   O jornalista Ricardo Kotscho publicou nesta terça-feira (1º/8) seu último texto como colunista do UOL. Na despedida, escreveu que o UOL o demitiu sob a justificativa de “corte de custos”, sem maiores explicações. Informou que descansará por alguns dias e deve anunciar seus novos desafios em breve. Kotscho estava no UOL desde 2020, quando seu blog Balaio do Kotscho, criado por ele em 2008, estreou no UOL Notícias. No espaço, escrevia sobre diversos temas, como o cenário da política brasileira, histórias do cotidiano, além de esporte e cultura. Kotscho atuava também como comentarista do UOL News, e participava, de segunda a sexta, como “palpiteiro” na reunião matinal de pauta do veículo. No texto de despedida, agradeceu pelo período na redação do UOL. “Uma das melhores onde já trabalhei, em que se respira notícia 24 horas por dia, e o serviço nunca termina”, descreveu. “Sei que a nossa profissão passa por grandes transformações nas relações de trabalho e de negócio. No futuro, não haverá mais casos de profissionais que passaram a vida toda na mesma empresa. (…) Mas, apesar de tudo, já entrando na prorrogação da carreira, continuo achando que o jornalismo é a melhor profissão do mundo para espíritos inconformados com os rumos da humanidade, solidários e intrépidos como a dos repórteres de ofício”, escreveu. Aos 75 anos e prestes a completar 60 de jornalismo, a trajetória de Kotscho na imprensa confunde-se com a própria história do jornalismo brasileiro. Neto, pelo lado materno, de um popular jornalista alemão, Kotscho é irmão do também jornalista Ronaldo Kotscho, e pai da também jornalista Mariana Kotscho. Atuou em muitos veículos da imprensa brasileira, nas funções de repórter, repórter especial, editor, chefe de Reportagem, colunista, blogueiro e diretor de Jornalismo. Foi correspondente do Jornal do Brasil na Europa nos anos de 1977 e 1978, e exerceu o cargo de secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no período de 2003 a 2004. Seu blog Balaio do Kotscho foi hospedado no portal iG e no R7, antes de chegar ao UOL, em 2020. Ganhou vários prêmios Esso, em 1975, 76, 78 e 95; o Vladimir Herzog, em 1981 e 83; o Comunique-se, em 2010 e 2012; o Top Blog, em 2009; entre outros. Em 2008, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Imprensa da ONU. Tem também 20 livros publicados.

UOL demite Ricardo Kotscho por “corte de custos” Read More »

As polícias sanguinárias de São Paulo e da Bahia

Por Simão Zygband O final de semana foi extremamente sangrento em São Paulo e na Bahia. E envolveu Polícias Militares pertencerem a estados governados por um bolsonarista e um petista. Disse um amigo petista de São Paulo através de mensagem de whatsapp: “É o Faroeste Caboclo. Não dá para aceitar, normalizar operações policiais onde ocorram 10 mortes (agora são 14) em São Paulo e outras 15, desde sexta-feira, na Bahia sob gestão de governador petista. E o que você me diz sobre a Bahia governada pelo PT? Vamos relativizar, passar pano”? Respondi para ele: “O governo do PT baiano tem que intervir na PM baiana. Eles agem como estado paralelo. Mas não sei se o Jerônimo (governador) tem força para depurar a corporação. Foi na Bahia, inclusive, que “queimaram o arquivo” do Adriano de Nóbrega, líder do grupo criminoso Escritório do Crime, envolvido no assassinato da Marielle Franco. Uma triste atuação da polícia baiana que ficou sem explicação”. Então ele respondeu” Sim. Na Bahia, houve a versão de que os assassinados tinham armas. Elas são versão da PM. Dá pra acreditar? Pelo número de mortos, parece execução. Nenhum PM ferido. Estranho, né? Não sei se o governador mandou apurar. De todo modo, a PM é igual em todos os lugares. São jagunços fardados”. Confesso que tudo isso criou um zum zum zum nas redes sociais. Muitos petistas (e sobretudo psolistas) apontando o dedo para o governador Jerônimo Rodrigues, que sucedeu na Bahia a Rui Costa, atual ministro da Casa Civil do governo Lula. Dei-me ao trabalho então de analisar os casos com um pouco mais de cuidado. Evidente que a minha tendência é defender o governo petista, inclusive o da Bahia. Mas não dá apenas para defender por defender. Então fui ler a matéria publicada no G1 sobre o incidente naquele estado. Apesar de ser um número alarmante, as 15 mortes ocorreram em locais diferentes: oito delas na zona rural de Itatim, cidade a cerca de 214 km de Salvador e as outras sete em Jauá, na cidade de Camaçari, região metropolitana de Salvador. Na primeira ocorrência foram apreendidos uma quantidade de drogas e armas e na segunda, um forte e pesado arsenal. Não são motivos para justificar as chacinas. Já as mortes de São Paulo aconteceram em uma única cidade, no Guarujá, litoral paulista,  ocorridas durante a chamada Operação Escudo, realizada após o assassinato do soldado Patrick Reis da equipe Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) durante patrulhamento, ocorrido na última sexta-feira. São agora 13 mortos, muitos deles sem passagens pela polícia  Ao comentar o caso, governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, afirmou estar “extremamente satisfeito” com a ação. Para justificar o morticínio, a polícia paulista diz que apreendeu 32 kg de drogas. A Anistia Internacional Brasil se pronunciou sobre o caso do Guarujá: “O nome disso é chacina. E, pior, patrocinada pelo Governo do Estado. Segundo moradores e a Ouvidoria da Polícia, são, pelo menos, dez mortos na ação de extermínio (subiu para treze), alguns possivelmente inocentes, que tinha o pretexto de encontrar o assassino do soldado Reis, da Rota, na última semana”, revela a nota da entidade. Não é segredo para ninguém que as Polícias Militares dos Estados são corporações que atuam sem controle, muitas delas implantando um clima de medo, principalmente contra a população mais pobre. Agem como grupos de justiceiros, adotando a pena de morte e tocando o terror nas periferias das grandes e médias cidades brasileiras. Arriscaria a dizer que todas elas apresentam problemas semelhantes, com policiais violentos, corruptos, sanguinários. O quadro se tornou muito pior com a eleição do genocida Jair Bolsonaro. Polícia, milícia, narcotráfico, esquadrões da morte e crime organizado convivem juntos e misturados. Os anos bolsonaristas, quando se difundiu o uso indiscriminado de armamentos, também conferiu aos agentes de segurança uma espécie de licença para matar. O número de chacinas explodiu e os confrontos entre PMs e supostos bandidos não parou de crescer. O governo fascista se elegeu exatamente com o discurso do endurecimento da segurança pública. O eleitor de Bolsonaro acreditava, no seu inconsciente, que esta opção ideológica, de incriminar as vítimas do modelo excludente iria ser suficiente para colocar ordem na criminalidade. Total engano. Mas comparar o governo do bolsonarista Tarcísio de Freitas com o do petista Jerônimo Rodrigues na área de segurança púbica é, no mínino, agora de má fé. Não se pode acreditar que no governo do PT haja uma licença para matar como há no dos fascistas. Enquanto Tarcísio incentiva a chacina de pobres (“extremamente satisfeito” com a ação que culminou com a morte de 14 pessoas, onde ele achou que não houve “hostilidade” ou “excesso” nas abordagens da polícia). O petista, quando muito, não controla a sua polícia, que ainda age às sombras do bolsonarismo, muitas vezes até tentando atuando para prejudicar o governo do PT. Precisa se ter muito cuidado para não comprar o discurso fácil da direita, que gosta de colocar todo mundo no mesmo balaio, como se governos fascistas e petistas fossem iguais. Simão Zygband é jornalista profissional desde 1979. Trabalhou em TVs, rádios e jornais de São Paulo, onde foi respectivamente pauteiro, repórter e redator. Foi funcionário das TVs Bandeirantes, SBT, Gazeta, Record e dos jornais Notícias Populares, Diário Popular, Diário do Grande ABC , Diário do Comércio, entre outros. Foi coordenador de Comunicação no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (onde editou o Jornal Unidade) e redator do jornal Plataforma do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Também fez assessoria de comunicação em campanhas eleitorais e mandatos parlamentares. Trabalhou na Comunicação de Secretaria Municipal de Transporte de São Paulo. Foi diretor da Rádio e TV Educativa do Paraná e Secretário Municipal de Comunicação da prefeitura de Jacareí, São Paulo. CONTRIBUA COM O CONSTRUIR RESISTÊNCIA Com qualquer quantia, em nome de Simão Félix Zygband 11 997268051 (copie e cole este número no seu pix)

As polícias sanguinárias de São Paulo e da Bahia Read More »

CPMI do 8/1 volta com ‘tese’ bolsonarista reforçada pela imprensa

Por Hugo Souza – Cone Ananás  No dia da volta da CPMI, Folha dá peso a relatório de militares isentando eles próprios pelo 8/1 e apontando “indícios de responsabilidade” do governo Lula.   No dia 18 de abril, quando o governo Lula ainda movia a musculatura para evitar ou pelo menos retardar a CPMI do 8/1, Rodrigo Pacheco adiou a leitura do requerimento de criação da comissão e, consequentemente, sua instalação. No dia seguinte, a CNN divulgou imagens do chefe do GSI, general Gonçalves Dias, transitando à paisana, algo perdido, no Palácio do Planalto, na hora dos ataques à Praça dos Três Poderes. As imagens, da maneira como foram divulgadas pela CNN, alimentaram o delírio velhaco do bolsonarismo de que o 8/1 foi obra do próprio governo atacado, “por ação ou omissão”. A leitura do requerimento da CPMI aconteceu no dia 26 de abril, e a comissão foi efetivamente instalada no dia 25 de maio. Menos de uma semana depois, no dia 31, o jornal O Globo publicou reportagem de Malu Gaspar intitulada “Ex-GSI de Lula falsificou relatório do 8/1 enviado à comissão de inteligência do Congresso”. A referência era ao general Gonçalves Dias. Todo um encadeamento de fatos apontavam, apontam para o envolvimento do Exército no fomento do 8/1, agora sim, por ação ou omissão, e a notícia de um general fraudando um relatório da Abin, após manter no GSI uma penca de militares nomeados por Augusto Heleno, evidentemente deveria fazer parte desta concatenação. A preferência, porém, foi por rifar a questão militar do título e do cerne da matéria, substituindo-a por “ex-GSI de Lula”. O bolsonarismo voltou a fazer a festa. O delírio velhaco do bolsonarismo, até dois meses atrás visto como não mais que isso, visto como natimorto em sua pretensão de causar tumulto, ganhou corpo. Vários requerimentos de convocação do general Gonçalves Dias foram aprovados na CPMI no dia 20 de junho, após terem sido rejeitados em um primeiro momento. Os autores dos requerimentos são, por exemplo, Sergio Moro, Magno Malta e Marco Feliciano. Após o oitiva muda do tenente-coronel Mauro Cid, a CMPI parou no âmbito do “recesso branco” do Congresso. A comissão volta aos trabalhos nesta terça-feira, 1º de agosto, em reunião para ouvir o depoimento do ex-diretor-adjunto da Abin Saulo Moura da Cunha. Trata-se justamente de quem assinou o relatório da Abin adulterado por GDias. Nesta segunda, 31, véspera da volta da CPI com a oitiva de Cunha, a Folha de S.Paulo publicou em seu site matéria intitulada “Inquérito de militares sobre 8/1 exime tropas e culpa governo Lula”. A matéria com o relatório vazado para a Folha com timing perfeito é manchete do jornal impresso nesta terça, ganhando peso e citando “indícios de responsabilidade” no subtítulo. Com uma imprensa dessa, que golpismo precisa de Sergio Moro, Magno Malta e Marco Feliciano? Matéria publicada originalmente no link abaixo do Come Ananás https://comeananas.news/cpmi-do-8-1-volta-com-tese-bolsonarista-reforcada-pela-imprensa/

CPMI do 8/1 volta com ‘tese’ bolsonarista reforçada pela imprensa Read More »

A política de genocídio do Tarcísio

Da Redação Após a morte do soldado Patrick Reis, a polícia iniciou uma chacina no Guarujá, litoral paulista. Até então, dez mortes foram confirmadas. Moradores relatam que casas foram invadidas e que até mesmo crianças e adolescentes foram abordados violentamente. Também há relatos de uma promessa da polícia de matar 60 pessoas em vingança. O governador Tarcísio de Freitas afirma que não houve excessos e diz estar “extremamente satisfeito” com a atuação da polícia. A fala fortalece a política de genocídio e responsabiliza as vítimas por sua própria morte. Da Rede de Observação da Violência Fala estarrecedora Ao menos 10 pessoas foram mortas por policiais da ROTA no Guarujá, em uma ação policial na região após a morte de um policial militar. De acordo com relatos de moradores, houve abusos, intimidação e até mesmo tortura contra cidadãos. Ao comentar o caso, governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, afirmou estar “extremamente satisfeito” com a ação. A fala estarrecedora mais uma vez ilustra a postura de autoridades brasileiras diante de abusos policiais e violações de direitos humanos. Até quando governantes vão legitimar a violência policial e tolerar ações arbitrárias que contrariam a nossa Constituição? Execução é crime! O Ministério Público tem a obrigação de controlar a atividade policial, chegando até o mais alto comando das forças de segurança, o que inclui o próprio governador. É inadmissível que massacres continuem sendo praticados sob a bandeira da justiça e da segurança pública. Da Anistia Internacional Brasil  Discurso vazio O nome do que aconteceu em Guarujá é chacina. E, pior, patrocinada pelo Governo do Estado. Segundo moradores e a Ouvidoria da Polícia, são, pelo menos, nove mortos na ação de extermínio, alguns possivelmente inocentes, que tinha o pretexto de encontrar o assassino do soldado Reis, da Rota, na última semana. A investigação tem que identificar quem matou, de fato, o jovem soldado, do qual me solidarizo com sua família. Precisa prender o criminoso e a Justiça puní-lo severamente! Mas, ao Estado não cabe o papel de revanchismo e de retaliação. Ao invés de ficar no discurso vazio e populista da Segurança Pública, o governador deveria agir com celeridade para ampliar o efetivo policial, coibir o crime organizado, investir em ações preventivas e de inteligência e dar real amparo às investigações. Da vereadora Telma de Souza Vendetta sanguinária Uma vergonha e um acinte a cobertura que a Globo News faz da chacina policial no Guarujá. Não só se esforçam por poupar Tarcísio, o responsável legal pela ação da polícia: o inacreditável Valdo Cruz (Credo) chega ao cúmulo de tentar responsabilizar a esquerda pela vendetta sanguinária praticada por “forças de segurança” notoriamente bolsonaristas. Que lixo de jornalismo! Do professor Maurício Caleiro    

A política de genocídio do Tarcísio Read More »

Rolar para cima