Construir Resistência

2 de junho de 2023

Comunicação de Governo debatida em seminário na Bahia

Da Redação com informações e fotos de Felipe Bianchi (Barão de Itararé) O seminário “Os desafios da comunicação numa era de desinformação e ataques à democracia”, organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, realizado no dia 1 e 2 de junho, em Salvador (BA), trouxe várias visões de como o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve lidar com a questão fundamental na luta pela democratização da Comunicação e contra as fake news. O evento teve abertura do coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, jornalista Altamiro Borges. Abaixo, trechos da participação de alguns dos debatedores: Paulo Pimenta – ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR): “O debate do PL 2630 tem a ver com o futuro da democracia, com o futuro do Brasil. Não podemos nos curvar, sob hipótese alguma, ao modelo de negócio das big techs”. “Apesar de ter ganho mais relevo após a tentativa frustrada de golpe de Estado do dia 8 de janeiro, quando hordas de ultradireita tomaram a Praça dos Três Poderes, em Brasília/DF, financiados por empresários bolsonaristas, o assunto já tramita há cerca de três anos na Câmara dos Deputados, na forma do Projeto de Lei 2630 – o chamado “PL das Fake News”. “Hoje, qualquer país do mundo discute projetos de regulação para as plataformas. Elas não são simples meios de comunicação. Plataformas chegam a dominar 90% das buscas no mundo, coletando quase todas as informações sobre nós. É uma questão de proteção. Quando esse debate é travado na Europa, ninguém chama de censura. O Brasil não pode ser o país onde impera a vontade das plataformas. Regula-las é defender a democracia”. “No dia dos ataques às escolas tiramos 500 sites do ar, em parceria com governos e prefeituras, pois exaltavam o nazismo e a violência, a pedofilia, o racismo e a homofobia. Também vale ressaltar que existe uma relação direta entre desinformação e as mortes durante a pandemia no Brasil”. “Não seremos o gabinete do ódio às avessas. Ganhamos uma eleição para governar para todos, não só para quem pensa como nós. Não vamos fazer comunicação somente para lacrar, para ganhar like”. João Brant – secretário de Políticas Digitais da SECOM/Presidência da República do Brasil “A crítica que fazemos às plataformas pelo que estão entregando não deixa de reconhecer o valor que elas têm. Nós queremos continuar usando as ferramentas, mas com um ambiente saudável”. “Não dá pra voltar a uma era anterior às plataformas e aos problemas que elas suscitaram na sociedade. O que dá para fazer e é nosso papel é dizer às plataformas: Tik Tok, Instagram, Twitter, vocês vão seguir a vida e continuar no mercado, mas terão também de proteger a sociedade brasileira. Vocês vão, também, atuar de forma a impedir a difusão de conteúdo ilegal”. “A lógica do dever de cuidado é você ter uma série de obrigações, sendo a maior delas preventivas, para que se crie um ambiente saudável de debate público”. “Isso diminui a desinformação, diminui a circulação de conteúdo ilegal e o impacto negativo das redes.  A desinformação é lucrativa porque sua adesão é muito mais fácil do que o debate democrático”. “Para a mídia privada, não interessa que as iniciativas de Comunicação Pública, como a EBC, evoluam. Eles sabem que é difícil chegarmos na competência econômica deles, mas o problema deles é ideológico. Eles defendem o pensamento único”. “É óbvio que há uma enorme desvantagem do sistema público em relação ao privado na comunicação, apesar de a Constituição rezar pela complementaridade. E isso torna a batalha de ideias e visões extremamente desigual na sociedade”. Laurindo Leal Filho (Lalo) – professor aposentado da Universidade de São Paulo, coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) “Lula fez um encontro histórico com diversos mandatários sul-americanos nesta semana, recolocando em pauta as ações e mecanismos de integração e desenvolvimento na região. Algo histórico. Mas a mídia só fala de Nicolás Maduro, que é ditador e outros mantras”. “Para a mídia, o Congresso da Venezuela é corrompido. Mas não é corrompido o Congresso brasileiro, com a bancada do boi, da bala e da bíblia. Esse é um exemplo claro da necessidade da regulação. Não é sobre cassar a Rede Globo, mas abrir espaço ao divergente, promover a pluralidade”. Cynara Menezes – jornalista, editora do site  Socialista Morena “O desafio das mídias independentes é comunicar melhor e de forma mais ampla. Falamos muito sobre furar a bolha, o que é, de fato, um grande desafio. O cidadão está à mercê não só da desinformação, mas também da voz única dos meios hegemônicos – que muitas vezes também desinformam”. “Quando o jornalismo só reflete as classes dominantes, peca por não falar dos problemas do povo. E é isso que a gente faz na mídia independente”. Leandro Fortes – jornalista, professor e escritor “Vou discordar de quase tudo. Não estamos discutindo comunicação; estamos discutindo luta de classes”. “Discutir dialeticamente a comunicação é a única forma capaz de nos dar as respostas que buscamos. Precisamos controlar e fiscalizar os algoritmos, que são mecanismos que definem os rumos do mundo”. “Nossa luta é contra as classes dirigentes e dominantes no Brasil. Nossa burguesia sequer pode ser chamada de nacional; é uma burguesia interna”. “Quem domina, hoje, a mídia no Brasil é o sistema financeiro. Eles não estão interessados em comunicação. Eles estão interessados no negócio”. “É preciso voltar nossas atenções para as periferias. Há uma indigência explícita no jornalista médio brasileiro de hoje. Só na periferia poderemos criar comunicadores com os pés na realidade. Não há como interpretar a realidade vivendo somente em redes sociais, ‘achando’ como as coisas funcionam”. Editado por Simão Zygband AJUDE A MANTER A MÍDIA DE RESISTÊNCIA  PIX para Simão Félix Zygband no 11 997268051 QUALQUER FORMA DE CONTRIBUIÇÃO É BEM VINDA.    

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O ponto fraco dos fascistas no Congresso

Por Simão Zygband Depois de passar os seis primeiros meses de governo chantageados pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, que supostamente controla a bancada de direita no Congresso, conhecida como Centrão, o governo Lula parece que descobriu o calcanhar de Aquiles destes parlamentares com histórico de chantagear governos, sobretudo os do PT. Ontem foi deflagrada uma operação da PF contra virtuais aliados de Arthur Lira. Apesar de não reconhecer, foi um recado do governo para arrefecer os ânimos chantagistas dos parlamentares de direita, que vendem facilidades para Lula. Para se ter uma ideia das dificuldades de negociação na Câmara Federal, basta dizer que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), vulgarmente conhecida como bancada ruralista, elegeu 300 deputados, correspondente hoje a 58% da composição total da Casa. Trata-se de um poder inédito. São números suficientes para criar embaraços para o Planalto. Com este poderio todo, nasceram das fileiras conservadoras as CPIs do MST, o redesenho dos Ministérios de Lula e outras excrescências que visam atrapalhar o governo e não permitir que se disponibilizem recursos para a necessária Reforma Agrária, para a proteção dos Indígenas ou implementem projetos sociais para tentar amenizar o caos social, herança maldita deixada pelo extremista Jair Bolsonaro, cujo desgoverno privilegiou as elites, sobretudo uma casta militar. Mas toda esta gente tem culpa no cartório e, aparentemente, o ministro da Justiça, Flávio Dino, que tem se notabilizado pelo confronto verbal com os fascistas do Congresso, também descobriu que muitos deles possuem telhado de vidro e que poderiam ser minimamente acuados utilizando a Lei, nada mais do que a Lei. Assim, nesta quinta-feira (1º), a PF encontrou um cofre lotado de dinheiro durante uma operação contra crimes de fraude em licitação e lavagem de dinheiro que investiga uma empresa pertencente a aliados do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. A força-tarefa que inclui a PF investiga desvios em contratos para comprar de kits de robótica, feitos com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A Controladoria Regional da União em Alagoas (CGU/AL) informou que os crimes deram prejuízo de R$ 8,1 milhões ao erário público. Os potenciais de perda chegam a R$ 19,8 milhões, conforme o sobrepreço gerado e as despesas analisadas. Não é segredo para ninguém que o (des)governo Bolsonaro regou muitos parlamentares de sua base de apoio com as emendas do chamado Orçamento Secreto. Muito dinheiro público escorreu por ralos exatamente tendo como beneficiários parentes ou laranjas dos deputados achacadores. Não é a toa que grande parte deles foi contrária à eleição do Lula pois temiam que a mamata fosse acabar. E deve terminar. No começo, Lula teve alguma dificuldade, mas sacou que estes sanguessugas tinham culpa no cartório. E não adiantará espernear, pois o presidente tem a caneta nas mãos. Não que a PF deva ser usada como instrumento político, mas ela não fará nada fora da lei, a não ser combater o crime. Deputados criminosos, que se locupletaram do dinheiro roubado do povo brasileiro, com o Orçamento Secreto ou que financiaram a tentativa de golpe de 8 de janeiro, devem ser investigados, julgados e se necessário punidos. E olhe que não são poucos os que se beneficiaram do derrame de dinheiro que foi o desgoverno anterior. Este é o única linguagem que os criminosos, ladrões do dinheiro público, entendem. Não retroceda, presidente Lula. Pegue duro neles. É por isso que 60 milhões fizeram o L.        

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