Construir Resistência

30 de abril de 2023

Trabalhadores chargistas unidos no 1° de maio

Da revista da Pirralha    Praticamente todos os países do mundo celebram a data do 1º de Maio como Dia Internacional dos Trabalhadores. A origem histórica desta data foi uma greve de trabalhadores ocorrida em 1886, em Chicago, nos Estados Unidos, reivindicando jornada de 8 horas por dia, na ocasião, em uma manifestação ocorrida na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e deu origem a um grande tumulto com mortos e feridos, tanto entre manifestantes quanto policiais. A polícia prendeu vários manifestantes e quatro deles foram acusados pelo massacre e condenados a morte, mesmo que sua culpa nunca tenha sido comprovada. estes trabalhadores são conhecidos como os “Mártires de Chicago” e em sua homenagem foi instituído o Dia do Trabalhador com o objetivo de continuar a luta pela redução da jornada de trabalho. Após sua instituição os trabalhadores passaram a se reunir anualmente nesta data para celebrar a luta por melhores condições de trabalho e salário. Este é o primeiro acontecimento a nível global cuja origem não tem relação com a religião ou costumes milenares. Foi a obstinação dos trabalhadores unidos nos mais variados países que fez com que a data, inicialmente combatida e reprimida pelos governos, acaba-se por ser aceita e incluída no calendário oficial dos países. Neste sentido, a própria existência da data é uma vitória internacional da classe trabalhadora, mesmo que em várias localidades seja tratada apenas como mais uma festa deixando em segundo plano a proposta inicial de denúncia das condições de trabalho. No Brasil os operários introduziram a celebração nos primeiros anos do século XX e a data foi reconhecida durante o governo de Getúlio Vargas em 1930 (decreto 19.488 de 15 de dezembro). Como os chargistas e os cartunistas também são trabalhadores, eles celebram o 1º de Maio unidos com seus colegas de classe fazendo a crítica das condições de trabalho com a arte do Humor. Bira Bira Thiago Thiago Guto Camargo Guto Camargo Alex Ponciano Alex Ponciano Genildo Alexandre Paixão Ykenga Mário  

Trabalhadores chargistas unidos no 1° de maio Read More »

Por que o MST assusta tanto?

Por Frei Betto O MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), que vi nascer e ao qual permaneço vinculado, é o mais popular, combativo e democrático movimento popular do Brasil. Congrega, hoje, cerca de 500 mil famílias assentadas e 100 mil acampadas. Luta por um direito elementar, jamais efetivado no Brasil, um país de dimensões continentais e onde há muita gente sem terra e muita terra sem gente – a reforma agrária. É, no mínimo, uma vergonha constatar que no século XXI os únicos países que não fizeram reforma agrária na América Latina foram Brasil, Argentina e Uruguai. O modelo de propriedade da terra que ainda perdura em nosso país é o das capitanias hereditárias. E a relação de muitos proprietários de terras com seus empregados pouco difere dos tempos de escravidão. Nascido em 1984 e prestes a completar 40 anos em 2024, o MST sabe, desde seus primórdios, que governo é como feijão, só funciona na panela de pressão… Ainda que tenha contribuído decisivamente para eleger Lula presidente, o MST jamais se deixou cooptar pelo governo. Mantém a sua autonomia e sabe muito bem que a relação de governo com movimentos sociais não pode ser de “correia de transmissão” e, sim, de representação das bases sociais junto às instâncias governamentais. Muitos políticos enchem a boca com a palavra “democracia”, mas temem que passe de mera retórica para ser, de fato, um governo cujo principal protagonista é o povo organizado. O MST se destaca também pelo cuidado que dedica à formação política de seus militantes, o que muitos movimentos e partidos de esquerda negligenciam. Os sem-terra mantêm, inclusive, um espaço próprio para o trabalho pedagógico, a Escola Florestan Fernandes, em Guararema (SP). E em todos os eventos que promove, o movimento valoriza a “mística”, ou seja, atividades lúdicas (cantos, hinos, painéis etc.) e símbolos (fotos, artesanato etc.) de caráter emulador. O MST segue rigorosamente os ditames da Constituição Cidadã de 1988. A Carta defende o uso social da terra, que deve respeitar o meio ambiente e ser produtiva. E exige algo ainda em compasso de espera e imprescindível se o Brasil quiser alcançar o desenvolvimento sustentável e abandonar sua submissão aos ditames das nações metropolitanas, que nos impõem a mera condição de exportadores de produtos primários, hoje elegantemente chamados de “commodities”… Ocupação não é invasão. Jamais o MST ocupa terras produtivas. Hoje, o movimento é o maior produtor de arroz orgânico na América Latina e defende a Reforma Agrária Agroecológica, capaz de facilitar o acesso à terra como direito humano; produzir alimento saudável e sustentável para toda a sociedade brasileira; oferecer ao mercado alimentos salubres e livres de agrotóxicos; valorizar o papel da mulher trabalhadora do campo; expandir o número de cooperativas de agroecologia; e ampliar a soberania e a biodiversidade alimentares no combate à fome e à insegurança alimentar. A campanha do “Abril Vermelho” não usa o adjetivo como evocação da cor preferida dos símbolos comunistas (e, também, das vestes solenes dos cardeais), como querem interpretar os detratores do MST. É, sim, a cor do sangue dos 19 sem-terra cruelmente assassinados pela Polícia Militar em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, a 17 de abril de 1996. Sete vítimas foram mortas por foices e facões, e os demais por tiros à queima-roupa. Cerca de 100 mil famílias aguardam assentamento no Brasil. E é no mínimo um desserviço o agronegócio promover o desmatamento de nossas florestas para expandir a fronteira agrícola, usufruir de isenção fiscal na exportação de seus produtos e concentrar sua produção em apenas cinco mercadorias: soja, milho, trigo, arroz e carne, controladas por grandes empresas transnacionais. A fome cresce no mundo. Já são quase 1 bilhão de pessoas afetadas. E isso não resulta da falta de alimentos. O planeta produz o suficiente para alimentar 12 bilhões de bocas. Resulta da falta de justiça. No sistema capitalista, o faminto morre na calçada à porta do supermercado. Porque o alimento tem valor de troca e não de uso. Ora, enquanto a produção alimentar não seguir os padrões agroecológicos e a terra e a água, recursos naturais limitados, não forem considerados patrimônios da humanidade, a desigualdade tende a se agravar e, com ela, toda sorte de conflitos. Paz rima com pão. O MST assusta tanto porque luta para que o Brasil, uma das nações mais ricas do mundo, e que figura entre as cindo maiores produtoras de alimentos, deixe de ser um país periférico, colonizado, marcado por abissal desigualdade social. Tomara que, um dia, nunca mais se torne realidade os versos cantados por João Cabral de Melo Neto em “Funeral de um lavrador”: “Não é cova grande / É cova medida / É a terra que querias / Ver dividida”.   Frei Betto é escritor, autor de “O marxismo ainda é útil?” (Cortez), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org  

Por que o MST assusta tanto? Read More »

Titãs dá a largada no Rio para turnê Encontro com 31 músicas (30 delas do século passado)

Por Marcos Bragatto Já são mais de duas horas de uma apresentação daquelas em que todo mundo ali reunido conhece todas as músicas de cor e salteado, e canta verso por verso sem vacilar. Mesmo assim, algo parece faltar, a tal peça do quebra-cabeças tão perto e tão distante de ser achada. Isso porque o embalo do show em si deixa tudo meio enevoado, em um êxtase coletivo que desconecta o pensamento da emoção. É quando, súbito, tudo se resolve com uma notinha só, e o sprint final da agitação se impõe com um dos maiores hits de uma das maiores bandas do rock brasileiro em todas as épocas. É assim que o público se acaba de vez com “Bichos Escrotos”, no desfecho do show do Titãs, nesta sexta (28/4), em uma Jeunesse Arena lotada, no Rio. É o segundo show da chamada “Titãs Encontro”, a turnê que reúne, pela primeira vez desde o final dos anos 1990, a possível formação clássica da banda, com o produtor e multi-instrumentista Liminha tocando guitarra no lugar de Marcelo Fromer, morto brutalmente em 2001. Ou seja, é possível ver de volta com os Titãs Arnaldo Antunes (vocais), Nando Reis (baixo e vocal), Paulo Miklos (sax e vocal) e até o batera Charles Gavin, fora da carreira de músico há tempos. Oportunidade rara para fãs das antigas, mas também para as gerações seguintes que não viram essa turma junta ao vivo. E estão todos lá, cantando sem parar. Não é mais o Titãs dos bons tempos, o que se percebe no andamento mais lento e certa falta de intensidade, sobretudo nas músicas mais pesadas e velozes, mas ainda assim são os Titãs reunidos, e as 2h20 com 31 músicas (30 delas gravadas no século passado) valem muito à pena. Por isso quem espera pela nervosa abertura de roda punk em “Lugar Nenhum”, logo a segunda, ou na pedrada “Policia” (com Sergio Britto arrasando no gogó), tem que ficar com uns pulinhos a mais no meio do público, hoje de idade avançada como a dos membros da banda, e amaciada por dezenas de músicas lentas que o grupo passou a fazer para trilhas de novelas globais nas últimas décadas. Por isso e escolha do repertório, só da fase antiga dessa formação, com mais identificação com o rock e o pop de origem, ao menos em um primeiro momento, surte efeito. Nem mesmo o set acústico atrapalha, já que as cinco músicas escolhidas para a degola já não são grande coisa, como as babas “Epitáfio” e “Pra Dizer Adeus”, ou mesmo “Os Cegos do Castelo”, que estreou no primeiro disco do formato. Ou seja, não estragaram nenhuma música. E todo mundo cantou e foi lindo, claro. O set acústico tem um dos momentos mais sensíveis da noite, com a filha de Fromer, Alice, cantando em “Toda Cor” e em “Não Vou Me Adaptar”. Escorada por Arnaldo, ela não tem carreira promissora como cantora, mas a participação realça pela representatividade do pai, cuja imagem exibida antes nos telões arrancou aplausos do público. O palco é do tamanho da importância e do interesse geral pela turnê – os ingressos evaporaram e datas extras surgiram -, com um telão gigante no fundo e dois de cada lado, cinco modernos octógonos de luz no teto e dois níveis de plataformas, sendo o mais alto sobre a bateria. É por ali que os oito músicos entram, em silhueta negra, e de onde o guitarrista Tony Bellotto dá a largada com o riff da sensacional “Diversão”, prenúncio de uma noite para se anotar no caderninho. Com Liminha nas bases, Bellotto deita e rola nos solos e andamentos mais arrojados, fornecendo peso em dobro nas músicas da fase mais pesada; só do “Cabeça Dinossauro”, de 1986, são 10 faixas incluídas. Outros destaques instrumentais são o batera Charles Gavin, concentradíssimo na função, e Nando Reis, desfilando solos e estaladas no baixo, e não apenas nas músicas mais reggae/ska/pop em que ele canta. Antes de “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas”, Nando se diz assustado de como músicas tão antigas dos Titãs ainda soam atuais. Algumas sim, como “Homem Primata” e “Estado Violência”, por exemplo, mas muita coisa já mudou e já voltou pra trás de novo. Nessa seara, a banda deixa passar a chance de atualizar certas letras, era só incluir a burrice da internet em “Televisão” e – bola quicando – a Covid-19 em “O Pulso” – um certo ex-presidente negacionista, porém, foi incluso em “Nome aos Bois” (música de 1987 que compila facinoras como Pinochet, Hitler, Médice e Francisco Franco, entre outros). O mais feliz de todos ali no palco é Branco Melo. Recuperado de cirurgias na garganta, tem agora uma voz esganiçada, mas canta (diferente, mas) bem mesmo assim. O hit “Flores”, com o saxofone de Paulo Miklos, é um dos grandes momentos da noite. Miklos vai bem como cantor solo e nos apoios, apesar de exibir uns quilinhos a mais que não comprometem. E a dancinha de Arnaldo, marca registrada dele nos Titãs, segue impagável. Com ele, “Comida”, “Miséria” e “Televisão” são outra conversa, mas que ficou faltando “O Que”, faltou. Detalhes que certamente não passaram pela cabeça de um refestelado público que viu a sequência em clímax até “Bichos Escrotos”, e um bis arrematado com “Sonífera Ilha”, em clima de irresistível ska/fanfarra de bloco de sujo. Ou seja, nem pense em deixar de ir nessa turnê.   Set list completo: 1- Diversão 2- Lugar Nenhum 3- Desordem 4- Tô cansado 5- Igreja 6- Homem Primata 7- Estado Violência 8- O Pulso 9- Comida 10- Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas 11- Nome aos Bois 12- Eu Não Sei Fazer Música 13- Cabeça Dinossauro 14- Epitáfio 15- Os Cegos do Castelo 16- Pra Dizer Adeus 17- Toda Cor 18- Não Vou Me Adaptar 19- Marvin 20- Go Back 21- É Preciso Saber Viver 22- 32 Dentes 23- Flores 24- Televisão 25- Porrada 26- Polícia 27- AA UU 28- Bichos Escrotos Bis 29- Miséria 30- Família 31- Sonífera

Titãs dá a largada no Rio para turnê Encontro com 31 músicas (30 delas do século passado) Read More »

Rolar para cima