Construir Resistência

11 de abril de 2023

Três generais terão que se explicar à Polícia Federal

Por Marcelo Auler     Três generais de divisão (três estrelas) – Gustavo Henrique Dutra de Menezes, Carlos José Russo Assumpção Penteado e Carlos Feitosa Rodrigues – estão entre os 80 militares das Forças Armadas que foram convocados a prestar depoimento na Polícia Federal nessa quarta-feira (12/04). Todos serão ouvidos no Inquérito que apura o envolvimento de autoridades, por omissão ou participação, na preparação e/ou participação dos atos terroristas de 8 de janeiro, quando bolsonaristas atacaram as sedes dos três poderes da República em Brasília. Dutra era Comandante Militar do Planalto e é apontado como responsável por não ter permitido que a Polícia Militar desmontasse o acampamento de bolsonaristas radicais na frente do Quartel General do Exército, no Setor Militar Urbano, em Brasília. Foi no acampamento que armaram os ataques à praça dos Três Poderes e para lá que os baderneiros retornaram. A PM do Distrito Federal, tendo à frente o então interventor na segurança pública do DF, Ricardo Cappelli, na noite do mesmo domingo quis prender os manifestantes, mas foram impedidos por tanques estrategicamente colocados na entrada do Setor Militar Urbano por ordem de Dutra. Já Penteado e Carlos Feitosa faziam parte do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e eram subordinados ao general da reserva Augusto Heleno. Penteado, como secretário-executivo, era o segundo homem na hierarquia enquanto Carlos Feitosa respondia pela Secretaria de Segurança e Coordenação Presidencial. Os dois explicarão os motivos de o GSI ter menosprezados os alertas de que os bolsonaristas armavam um ataque às instituições. Outro oficial de comando convocado para comparecer à Polícia Federal na quarta-feira foi o tenente-coronel Jorge Fernandes da Hora. Ele comandava o Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), responsável pela segurança do Palácio do Planalto e está sendo acusado de nada ter feito para impedir que os manifestantes invadissem o prédio.

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Os 80 anos do Levante do Gueto de Varsóvia

Por Simão Zygband  Em 19 de abril de 1943 , reunindo comunistas, sionistas e socialistas judeus, começava no Gueto de Varsóvia a primeira revolta armada desencadeada por civis no interior da Europa ocupada pelos nazistas. Em 1943, a deportação em massa de habitantes do Gueto de Varsóvia para o campo de extermínio de Treblinka, na Polônia, instigou o instinto de sobrevivência. Sabendo do destino que os esperava nos campos, os judeus optaram por morrer lutando. Assim, se formou a coligação entre a Organização da Luta Judaica (Zydowska Organizacja Bojowa, ZOB) e a União Militar Judaica (Żydowski Związek Wojskowy, ZZW), movimentos juvenis que operavam no Gueto, para enfrentar os soldados nazistas e resistir à morte nas câmaras de gás. Na Polônia ocupada por Hitler, mais de 400 mil pessoas viviam encurraladas numa área de quatro quilômetros quadrados num bairro em Varsóvia. Cercadas por altos muros, sujeitas a inúmeras proibições e controles, recebiam uma ração mínima de comida. Por imposição da SS, um conselho de moradores, responsável pela ordem e limpeza, era também obrigado a listar os nomes dos próximos a serem removidos para o campo de extermínio. Entre julho e setembro de 1942, mais de 300 mil judeus foram transportados de trem do gueto para a morte certa no campo de Treblinka. A resistência foi formada a partir do desespero. Trabalhadores formaram a resistência No final de 1942, houve uma pequena pausa nas deportações. Cerca de 70 mil pessoas ainda viviam no gueto, na maioria mão de obra compulsória para a indústria que fornecia equipagem para o Exército alemão. Esses operários formaram o núcleo da resistência Liderado por Mordechaj Anielewicz, jovem ativista do movimento sionista, o primeiro conflito ocorreu em 18 de janeiro de 1943, quando batalhões da SS foram atacados pela resistência enquanto marchavam rumo ao gueto, sendo obrigados a se retirar. Durante os três meses seguintes, os habitantes do gueto prepararam-se para o que esperavam ser a luta final, cavando túneis por baixo das casas que se ligavam pelo sistema de esgoto e davam acesso às zonas mais seguras de Varsóvia. O intuito era que pudessem se esconder e fugir pelos túneis. Em 19 de abril de 1943, véspera da Páscoa judaica (Pessach), os nazistas invadiram o Gueto de Varsóvia e foram atacados pela oposição, que reunia mais de mil moradores. Depois um mês de batalha, as chances de vitória eram praticamente nulas para a resistência, que eventualmente foi contida pelas tropas. Mordechaj Anielewicz e outros jovens que organizaram o ato foram assassinados em batalha ou cometeram suicídio, reivindicando o que chamavam de “morte digna”. Poucos prisioneiros conseguiram fugir – e, os que sobreviveram, foram capturados e deportados para os campos de concentração de Lublin e Majdanek. A organização do Levante chegou ao conhecimento de muitos e, com isso, inspirou insurreições em outros locais – sendo, por isso, considerado o maior ato de resistência armada a enfrentar a opressão nazista. Outros lugares de resistência Rompendo com qualquer possibilidade de que caminhariam passivamente para a morte, houve muitos outros ataques armados contra os nazistas em pelo menos 100 outras localidades. Ainda em 1943, judeus que viviam em Vilna, Bialystok e outras cidades também organizaram levantes, mesmo sabendo das poucas chances que teriam de sobreviver. Para além dos guetos, ocorreram ações contrárias ao poder nazista em alguns campos de extermínio, como Treblinka, Sobibor e Auschwitz. Criou-se um processo de resistência com a criação de entidades culturais judaicas que promoviam festas e rituais religiosos, se dedicando à manutenção da educação de forma clandestina, às produções culturais e artísticas, à publicação de boletins, à escrita de diários ou até mesmo a esconder registros e objetos que, hoje, são fontes históricas sobre o que foi o Holocausto.  

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