Construir Resistência

21 de março de 2023

As manifestações pelo mundo…

Por Túlio Vilaça  Na França, o governo decidiu invocar um artigo da Constituição estratégico, que permite mandar o Parlamento às favas e aprovar uma lei porque ele quer, e com isso aumentou em dois anos a idade da aposentadoria. Protestos em todo o país, população nas ruas, e o governo diz: dane-se. Em Israel há um golpe em curso, o governo de extrema direita está tentando aprovar uma lei que permite anular decisões do STF de lá. Ou seja, o Supremo diz que algo é ilegal, e o governo diz – dane-se. Protestos em todo o país, população na rua, reservistas se recusando a serem convocados, e o governo diz… Nos EUA, o governo ameaça banir o Tik Tok, empresa chinesa, acusando-o de compartilhar dados dos usuários com o governo chinês. Aparentemente, quer nos fazer acreditar que nenhuma das empresas americanas como Meta e Google faz isso com o governo americano. Parece estar bem menos preocupado também com o uso dessas redes para disseminar o fascismo, na forma de teorias de conspiração e fake news. Estes são países classificados como democracias. O segundo, inclusive, é chamado a única democracia do Oriente Médio, e apoiado incondicionalmente pelos EUA (assim como apoiam a ditadura da Arábia Saudita). Já por aqui, tivemos um governo de extrema direita que por muito pouco não devastou a nossa democracia. Foi defenestrado por uma coalisão gigante, e mesmo assim com enorme dificuldade, enfrentando uma montanha de informações falsas disseminadas pelas redes sociais. E hoje se sabe que o mercado financeiro preferia que ele tivesse ficado e é oposição total ao governo que tenta reconstruir o país. São coisas que levam a gente a relativizar temas como democracia e liberdade de expressão. Não elas em si e seu valor, mas a classificação dada a quem as aplica e de que forma, e os momentos em que são invocadas, e para quê. E como elas se curvam e se amoldam aos interesses da elite financeira, e como elas servem enquanto servem de fachada a seus interesses, e como elas podem ser descartadas facilmente quando os contrariam – ou exaltadas enquanto são violadas e distorcidas diante dos nossos olhos. Túlio Vilaça é crítico musical e profissional de Comunicação   AJUDE A MANTER O CONSTRUIR RESISTÊNCIA PIX para Simão Félix Zygband no 11 997268051 OU CLICANDO E OBSERVANDO OS ANÚNCIOS QUE APARECEM NA PÁGINA. QUALQUER FORMA DE CONTRIBUIÇÃO É BEM VINDA.

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Primavera dos Livros começa no dia 23 em SP

De 23 a 26 de março, no Galpão do Armazém do Campo do MST (Alameda Eduardo Prado, 499 – Campos Elíseos)     23 de março Quinta-feira TERRITÓRIO EDITORIAL ATENÇÃO: Programação exclusiva para editores e profissionais do livro neste horário 11h às 12h30 A importância dos planos de leitura e como levá-los a mais cidades e estados Vereadora Elaine Mineiro, Dep. Antonio Donato, Renata Costa e Ruivo Lopes. Mediação: Haroldo Ceravolo 13h30 às 15h Editais governamentais: dicas e questões práticas Fernanda Emediato (consultora editorial), Aloma Carvalho (Bamboozinho) e Isabel Malzoni (Ed. Caixote). Mediadora: Lara Korovaeff (Semente/Libre) 15h às 16h30 Formação de acervo: como as bibliotecas escolhem seus livros (para comprar e descartar) Maria Cristina Palhares (unafai), Wanda Moreira Martins Santos (Desenv. Coleções e Tratamento da Informação/SMC)  e Ueliton Alves (SESC). Mediação: Lizandra M. Almeida 16h30 às 18h As festas literárias da periferia e a formação de leitores Suzi Soares (Felizs), Sandro Coelho (Flino), Júlio Ludemir (Flup). Mediação: Silvia Tavares (pedagoga/Felizs) 18h às 20h Abertura da Primavera dos Livros ao público Slam das Minas   Dia 24 de março sexta-feira TERRITÓRIO LITERÁRIO Programação aberta ao público 15h às 16h30 Leis de incentivo à cultura: perspectivas com o novo governo Eliana de Freitas (Baderna Literária) e Camila Perlingeiro (mapa lab) 16h30 às 18h Profissionais negros do mercado editorial se organizam Reinaldo Reis Alves e Thais de Moura. Mediação: Lizandra M. Almeida TERRITÓRIO AUTORAL Entrevistas com autores de editoras presentes na feira 18h às 19h Biblioteca, comunidade e o impacto na leitura Kin Guerra entrevista Bel Santos Mayer (Solisluna) 19h às 20h Sabedoria do inconsciente: Jung e outros caminhos Bruna Próspero entrevista Soledad Domec e Luciana Juhas Maurus (Bambual) Sábado 25 de março  TERRITÓRIO LITERÁRIO Programação aberta ao público 11h às 12h30 Escrita terapêutica: a palavra como elaboração da vida Larissa Lima (Ed. Patuá), Marina Fiuza (Primavera Editorial) e Daniele Moraes. Mediação: Camila Perlingeiro (mapa lab) 15h às 16h30 Leitura de imagens, ler além do texto João Rocha Rodrigues e Cândido Granjeiro (Ed. Palavras).Mediação: Maria Rocha Rodrigues 16h30 às 18h A oralidade no papel e o texto oralizado: edição de textos orais e escrita de diálogos audiovisuais Pam Araújo e Carolina Peixoto (Baderna), Janaína Tokitaka (roteirista e autora Boitempo, Pallas, Jujuba, entre outras), Jessica Balbino (pesquisadora). Mediação: Lizandra M. Almeida (Jandaíra/Libre) TERRITÓRIO AUTORAL Entrevistas com autores de editoras presentes na feira 18h às 18h40 O papel da arte para a sobrevivência humana. As crianças no Holocausto Lara Korovaeff (Semente/Libre) entrevista Luciane Fernandes Bonace (Aletria) 18h40 às 19h20 Como a realidade atua sobre a ficção e como esta a modifica na escrita de contos Haroldo Ceravolo entrevista Bernardo Kucinski (Alameda) 19h20 às 20h Participação social na política do livro e leitura Sergio Alli entrevista Ricardo Queiroz (Terra Redonda) 26 de março (domingo) TERRITÓRIO LITERÁRIO Programação aberta ao público 11h às 12h30 Criando pequenes feministes Cintia Barreto (Oficina Raquel), Carolina Delboni (mapa lab), Kiusam de Oliveira (Pallas). Mediação: Amelinha Teles (Alameda) 15h às 16h30 Clubes de assinaturas e a difusão da leitura e da bibliodiversidade Claudia Lamego (Clube F), Ana Rocha (Dois Pontos), Renata Nakano (Clube Quindim). Mediação: Daniele Moraes (Clube Jardim) 16h30 às 18h Cosmovisões literárias Rita Carelli (Pallas, 34 e outras), Michelliny Verunschk (Editora Patuá, Companhia das Letras e outras), Monique Malcher (Jandaíra). Mediação: Claudia Lamego TERRITÓRIO AUTORAL Entrevistas com autores de editoras presentes na feira 18h às 19h A ousadia de comer bem e a cura pela nutrição Camila Perlingeiro entrevista Dra. Elizabeth Brenda (mapa lab) 19h às 20h Amazônia: perspectivas para o futuro Nicodemos Sena (Kotter Editorial)   AJUDE A MANTER O CONSTRUIR RESISTÊNCIA PIX para Simão Félix Zygband no 11 997268051 OU CLICANDO E OBSERVANDO OS ANÚNCIOS QUE APARECEM NA PÁGINA. QUALQUER FORMA DE CONTRIBUIÇÃO É BEM VINDA. TODO APOIO AO LIVRO, LEITURA, LITERATURA E BIBLIOTECAS ✊  

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Professor hitlerista é afastado. E o deputado?

Por Altamiro Borges O site UOL informou nesta quinta-feira (16) que o professor de história gravado por alunos fazendo elogios a Adolf Hitler foi afastado por 60 dias da escola em que dava aulas no município de Imbituba (SC). “Ele já era investigado por apologia ao nazismo no ambiente escolar… O docente não teve a identidade divulgada”. No vídeo que viralizou nas redes sociais nesta semana, um estudante questiona se o professor apoiava o ditador alemão responsável pelo genocídio de milhões de judeus, comunistas, ciganos e outros grupos considerados não arianos. O aloprado afirma que “sim, claro” e ainda enfatiza que tem “uma admiração por Hitler”. Essa figura abjeta já havia sido punida pela escola em novembro passado por outros comentários preconceituosos. Agora, poderá até ser preso, já que a legislação brasileira tipifica como crime a apologia ao nazismo e fixa a pena de reclusão de dois a cinco anos, mais o pagamento de multa. Uma punição mais dura seria exemplar, pedagógica! “Mein Kampf” no Mato Grosso do Sul Infelizmente, outro apologista do nazista segue intocado. No dia 7 de março, o deputado João Henrique Catan (PL) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul com o livro “Mein Kampf” (“Minha Luta”), escrito por Adolf Hitler, e disse se inspirar em seus ensinamentos. Ao discursar sobre as dificuldades de acesso aos dados do governo estadual, ele afirmou que a obra retrata “estratégias para aniquilar, fuzilar o parlamento” e deveria servir para que o Legislativo “se fortaleça, se reconstrua e se reorganize nos rumos do que foi o Parlamento da Alemanha”. O discurso do parlamentar, que se diz um bolsonarista convicto, gerou mal-estar entre seus pares. Tanto que cresceu a onda pela cassação do seu mandato. Temendo a punição, o deputado metido a valentão jurou que tinha sido infeliz no uso do livro e que nunca defendera o nazismo. A desculpa parece que colou e ele segue livre e solto. Na sexta-feira passada (10), o jornal Correio do Estado informou que vários deputados sul-mato-grossenses já não aguentavam mais as provocações de João Henrique Catan e que essa é a sua “última aberração”. “Eles ressaltam que, em maio do ano passado, o deputado fez disparos com uma pistola, durante uma sessão remota, enquanto votava pela aprovação de um projeto de lei… Ele afirmou que os disparos eram uma ‘advertência ao comunismo’”. Na ocasião, ele foi apenas repreendido pelo então presidente da Assembleia Legislativa, o tucano Paulo Corrêa. O Conselho de Ética nem chegou a ser acionado para analisar a sua quebra de decorro. “Agora, mais uma vez, o atual presidente da Casa, deputado estadual Gerson Claro (PP), apenas deu um recado, enfatizando que o parlamento não será pautado pela ‘lacração’ das redes sociais, nem pela busca de engajamentos ou likes”, descreve o jornal. Altamiro Borges é jornalista, coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e editor do Blog do Miro   AJUDE A MANTER O CONSTRUIR RESISTÊNCIA PIX para Simão Félix Zygband no 11 997268051 OU CLICANDO E OBSERVANDO OS ANÚNCIOS QUE APARECEM NA PÁGINA. QUALQUER FORMA DE CONTRIBUIÇÃO É BEM VINDA. ✊

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O pastor de alambique

Por Mouzar Benedito  Boa gente aquele seu amigo pastor… Mas que cachaceiro! Nunca vi pastor beber daquele tanto!   Banco de Imagens Um dos meus grandes amigos, companheiro de beber umas cervejas nos finais de tarde, era o Mendes, sociólogo piauiense, meu colega de trabalho durante uns tempos. Uma história que me lembro dele é que uma vez fui fazer um trabalho em Pirassununga e o presidente da Associação Comercial e Industrial da cidade me ofereceu uma mesa num salão, que seria meu escritório durante um pouco mais de um mês. Fiquei admirado com uma coisa: ele tinha uma grande coleção de cachaças. Duas paredes enormes tinham prateleiras de fora a fora com cachaças de quase todo o Brasil. Pareciam ser bebidas muito boas, muitas delas com rótulos amarelados de tão velhos. Eu cobiçava aquelas pingas. Um dia falei com um empregado, tipo faz-tudo, da Associação Comercial: “será que a gente não podia abrir uma garrafa dessas com todo o cuidado, tomar a cachaça, colocar uma pinga comum nela e tampar de volta?”. Ele respondeu: “não vale a pena”. Perguntei porque e ele me disse: “antes de você, veio um colega seu chamado Mendes trabalhar aqui. Ele só trabalhava com um copo de cachaça na mesa, bebia direto. Fez isso que você propôs… Bebia cada garrafa, colocava uma pinga comum dentro e tampava de novo. Nem sei quais delas ele não abriu”. Anos depois, outro amigo, o Manetti, me contou que uma época o Mendes pediu para passar uns dias numa casa que ele tinha num povoado chamado Pinheirinho, perto de Taubaté. Era um lugarzinho pequeno, com uma igrejinha, um campo de futebol, umas trinta casas, uma venda e um boteco. O boteco tinha uma particularidade: um pequeno alambique. Uns fregueses bebiam a cachaça logo que saía do alambique, sem dar tempo pra ela descansar, nem nada. Bom, o Mendes passou uns quinze dias no Pinheirinho. Conversava bastante com o povo e era freguês desse boteco. Ele aproveitou para ler as “Obras Completas de Shakespeare”. Quando não estava no boteco, estava num banco, debaixo de uma árvore, lendo o livro grosso, de capa preta. Um cara andando vestido formalmente, sempre com um livrão de capa preta debaixo do braço… os moradores ficaram curiosos sobre aquele livro, mas não perguntaram, acharam que só podia ser uma Bíblia. Depois que o Mendes voltou, o Manetti foi passar uns dias lá e lhe disseram: “Boa gente aquele seu amigo pastor… Mas que cachaceiro! Nunca vi pastor beber daquele tanto”. Mouzar Benedito é escritor, geógrafo e contador de causos   AJUDE A MANTER O CONSTRUIR RESISTÊNCIA PIX para Simão Félix Zygband no 11 997268051 OU CLICANDO E OBSERVANDO OS ANÚNCIOS QUE APARECEM NA PÁGINA. QUALQUER FORMA DE CONTRIBUIÇÃO É BEM VINDA. ✊

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Descaso com as vítimas da tragédia de São Sebastião

Por Daniel Careca Tenho acompanhado de perto a situação das pessoas que ficaram sem suas casas, ou que tiveram suas casas comprometidas pela água ou lama, na Vila Baiana. Acompanhado e participado. Desconsiderando a geografia do local, a construção histórica daquela micro-região, e as consequências desastrosas das políticas públicas destinadas àquela população, detalho o ambiente pós-trauma: Passados mais de 30 dias da tragédia, aqueles que conseguiram moradias em Bertioga não sabem se essas moradias são definitivas ou provisórias. Além de estarem longe de suas rotinas estabelecidas nas imediações do Sahy, as ameaças e hostilidade tem sido uma constância em suas estadias na cidade vizinha de São Sebastião. Algumas famílias já voltaram e estão, como todas aquelas que não conseguiram nenhum local para ficar, morando de favor em casas de amigos ou familiares; Não muito diferente, as pessoas que estão acomodadas em pousadas, não conseguem a resposta se suas permanências serão renovadas após os 30 primeiros dias. A mesma dúvida tem os proprietários dos estabelecimentos (muitos, inclusive, adaptaram suas estruturas para servirem as 3 refeições por dia, exigência do governo do Estado de SP). Respostas sobre ‘aluguel social’ O valor que cogita-se pagar através do ‘aluguel social’, na Costa Sul não se aluga imóvel nenhum – desapropriação, ou qualquer outra questão referente à moradia, provisória ou definitiva, não transita na Vila Baiana, que já foi visitada por autoridades das diferentes instâncias do poder público, menos pelo Coronel do Exército, representante direto do Governador de SP para os assuntos relacionados à tragédia no Litoral Norte; O Terceiro Setor muito arrecadou com a tragédia. Também se cobra dessas entidades uma prestação de informações de como isso tem sido revertido para o bem das vítimas mais necessitadas; Na reunião com 5 vereadores na noite da quarta-feira passada (15/03/2023), quase nenhuma resposta foi dada aos moradores da Vila. Nem respostas, nem prazos para as respostas. Cadastros do CDHU e CRAS Até o momento, nada ajudou em relação à urgente carência das pessoas, após a chuva terem transtornado suas vidas; As pessoas que tiveram suas casas adesivadas entre vermelho, laranja e amarelo, pela classificação de risco da Defesa Civil, gritam por explicação do critério utilizado pelo órgão. Casas não são apenas empilhamentos de tijolos rebocados com cimento e massa corrida. Casas, que na verdade são moradias, são frutos dos trabalhos de seus proprietários, são suas histórias, são suas vidas! Os Executivos dos poderes públicos precisam explicar o porque que, passado 1 mês da tragédia, as vítimas tem que esperar mais um pouquinho – enquanto isso, que durmam no acostamento da BR? – até que se arrume uma moradia provisória para eles, enquanto eles esperam passar os 150 dias para se deparar com mais uma mentira, que é o prazo para entrega das moradias definitivas! As pessoas tem o direito de serem informadas pelos órgãos oficiais, que por sua vez, tem a obrigação de informar a verdade para os cidadãos. É sim uma satisfação oficial ao público, prestada por seus servidores! O problema começa quando Prefeitura e Estado, com seus órgãos específicos que nada garantem às pessoas, tratam todos como números de cadastros, e se esquecem das singularidades daquelas pessoas, daquelas vidas! Além do vazio, da demora na apresentação de um plano, as vítimas tem que lidar com mentiras e informações desencontradas, confusas e incertas, que lhes contam aos montes! Quando não o silêncio, que deveria servir apenas para homenagear famílias, amigos e vizinhos daqueles que se foram! Daniel Careca, 48 anos, é professor, agente social, ativista político, formado pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, estudante da Filosofia da Diferença e do Pós-estruturalismo AJUDE A MANTER O CONSTRUIR RESISTÊNCIA PIX para Simão Félix Zygband no 11 997268051 OU CLICANDO E OBSERVANDO OS ANÚNCIOS QUE APARECEM NA PÁGINA. QUALQUER FORMA DE CONTRIBUIÇÃO É BEM VINDA. ✊

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