Construir Resistência

15 de março de 2023

Empresa que ganhou leilão da marretada de Tarcísio nunca atuou com construção ou concessões

Da Folha da Paraíba  Starboard só tem experiência com reestruturação de empresas em dificuldades financeiras e jamais atuou no setor de engenharia Uma empresa que nunca atuou com construção pesada e possui um quadro de apenas 20 funcionários venceu o leilão de concessão do Trecho Norte do Rodoanel Mario Covas de São Paulo. O evento foi intensamente celebrado pelo governador Tarcísio de Freitas, que usou toda sua força para tentar destruir o famoso martelo da B3 ao marcar o fim do leilão. O grupo vitorioso, a Via Appia Fundo de Infraestrutura e Participações, é gerido pela Starboard Asset, que apresenta-se oficialmente como o primeiro fundo de crédito para empresas em “crises não estruturais”. O perfil inusitado vem gerando questionamentos sobre a confiabilidade da empresa que terá o papel de desenvolver um dos projetos mais faraônicos do estado. Na B3, participaram da calorosa cerimônia ao lado de Tarcísio dois executivos da Starboard, Marcus Bitencourt, diretor da Starboard Asset, e Brendon Ramos, responsável pela área de private equity e de reestruturação da empresa. A Starboard foi fundada em 2017 por executivos que atuavam com reestruturação de empresas na Brasil Plural. No ano seguinte, o fundo adquiriu o controle da Máquina de Vendas, proprietária da Ricardo Eletro, que à época era uma das maiores varejistas de eletrodomésticos do país. A gestora deixou o negócio em agosto de 2020, pouco antes da Máquina de Vendas entrar com um pedido de recuperação judicial. No ano passado, a empresa proprietária da Ricardo Eletro teve sua falência decretada, mas a decisão foi posteriormente suspensa por ordem judicial. A atuação mais próxima a rodovias que a Starboard já teve foi quando, em 2021, assessorou, em conjunto com o Felsberg Advogados, os debenturistas da concessionária na transferência do controle da Rodovias do Tietê aos seus mais de 15 mil credores. Além disso, a Starboard esteve envolvida na reestruturação da Gemini Energy, que foi vendida para a Energisa em 2022. Outro caso de reestruturação bem-sucedida liderado pela Starboard foi o da 3R Petroleum, que incluiu a aquisição da Ouro Preto Óleo e Gás, empresa petrolífera fundada por Rodolfo Landim, presidente do Flamengo. A 3R abriu capital em novembro de 2020. De acordo com o formulário de referência da Starboard Asset registrado na CVM, em 2021, a empresa possuía R$ 4,495 bilhões sob gestão. Uma representante da Starboard, contatada pela reportagem por volta das 8 horas da manhã desta quarta-feira (15), solicitou apressadamente que a ligação fosse feita novamente às 13 horas. Pressionada em uma nova tentativa, ela sugeriu 2 horas para se preparar. Em mais uma tentativa de falar com o responsável, a reportagem foi avisada que ele só estaria disponível por volta das 11 horas, o que não ocorreu. A comunicação do governo de São Paulo também não respondeu aos questionamentos. O espaço está aberto para os posicionamentos. A proposta da Via Appia saiu vitoriosa sobre o Consórcio SP Flow (Mercantil do Brasil), Consórcio Infraestrutura SP (Necton Investimentos) e ACCiona Concesiones Ltda.  

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Indagações de um martelo, reflexões e anonimatos

Por Luiz Hespanha (foto também) Cansado da performance que foi obrigado a fazer, o martelo utilizado numa matinê privatista do Gran Circo Vendendo SP levantou-se machucado e constrangido, olhou nos olhos do governador-leiloeiro e disparou: o Sr. usa alguma outra ferramenta dessa maneira: enxada, foice, alicate, chave de fenda, furadeira, picareta? Sou martelo, não psicanalista, psiquiatra, pai de santo, monge, clínico geral, _coach_ ou benzedor, mas tenho certeza que o senhor precisa de tratamento. O Sr. é parente do Daniel Silveira ou do Nikolas Ferreira? E, por último: essla sua performance é pra rir ou pra vaiar? Vazaram alguns dos encontros de Bolsonaro em Orlando. Ele mantém agenda regular com _Mr. Dan Nonne_, italiano radicado em Miami que tem uma foto do Mussolini autografada quando criança. Os encontros acontecem sempre no setor de iogurtes. Outro personagem frequente é _Mr. Cookie_, especialista em biscoitos e _fake News_ no corredor de massas. _Mr. T. Bone Steak_, especialista em comércio exterior e agronegócio é outra figura carimbada nas digressões feitas no açougue. As reuniões sempre contam com a presença de uma autoridade em política ambiental: o misterioso _Mr. Parsley_, também conhecido como Sr. Salsinha. Só quem não entende nada de geopolítica minimiza os encontros que Bolsonaro mantém com grandes líderes mundiais nos corredores, prateleiras e gôndolas dos supermercados. Só esquerdistas “marqueçistas globalistas jones manuelistas” não percebem que o _Wall Mart_ de Orlando é um dos centros da geopolítica global, local onde está sendo gestada uma nova ONU fora da nova ordem mundial. Até o Augusto Nunes, o Magnolli e o Merval sabem disso. Vou aí em Orlando combinar uma versão e já volto. Não vai rolar mais nada, nem uma oração. Amém? Michelle diz que foi a “última” a saber das joias. Será que Bolsonaro foi o “penúltimo”? E por falar na ungida: alguém sabe a marca do escafandro que ela comprou para submergir? É saudita? O bolsonarismo criou o Olimpo da Mediocridade e o das Submediocridades. Impressionante essa onda de “revitalização facial” que assola celebridades, subcelebridades, mediocridades e submediocridades. Gretchen, Marrone e até Madame Min, entre outros, fizeram. É quase um “lavou tá ôvo, digo, novo”. Temos um novo sinônimo cruelmente eterno na insignificância e no oco do ostracismo para a palavra anonimato: ex-BBB. Quantas divisões tem o Papa? Quantos serpentinas tem o Rei Momo? Quantas _fake News_ Regina e Damares produzem? Quantos votos teve e quem é Roberto Campos Neto? Flávio Bolsonaro acha que seu paipai pode virar mártir se for preso. Historiadores garantem que os filhos do_Duce_ pensavam o mesmo. A Nasa, o FBI, a CIA, o Mossad, o MI-6 e os crediários da Casas Bahia e da Magalu estão numa busca intensa. Todos querem saber os paradeiros de Paulo Guedes e Ciro Gomes. A solidão e a falta de visibilidade têm sido grandes companheiros do Conje, da Conja, Dallagnoll e Damares no Congresso. Não será surpresa eles decidirem fazer uma performance a _la_ Nikolas Ferreira, dirigidos pelo deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, aquele que sonha em virar Imperador do Brasil e quer acabar com os Tribunais Regionais do Trabalho entre outras modernidades monarquistas. Se o advogado Cristiano Zanin for indicado pro STF teremos marreco moído na sabatina do Senado. Depois de um mandato medíocre, derrotada na candidatura ao Senado e rejeitada pelos alunos da USP, Janaína Pascoal estreou com o eterno pé direito sua carreira rumo ao anonimato. Sucesso garantido, diria Millor. Pela enésima vez Datena vai fingir que é candidato, para depois desistir de ser candidato. Faz tempo que eleição virou milho de galo catador de audiência. A superexposição é também um dos atalhos mais rápidos para o anonimato. Luiz Hespanha é jornalista, escritor, corintiano, compositor do que chamam por’raí de MPB (What is this?) e fotógrafo. Esse clique aí foi feito no Cordão do Jamelão e suas Paquitas Comunistas, bloco massa do Bixiga. Baiano de nascença, ultimamente tem se dedicado à exploração antropológica da ancestralidade-nagô de ACM Neto e suas ligações olodúnicas com o arianismo michaeljacksoniano.

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Pedido de cassação do prefeito de São Sebastião é a ponta do iceberg da tragédia

Por Simão Zygband   A tragédia na Vila do Sahy, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, onde morreram 64 pessoas, inclusive crianças, serviu para descortinar a grave situação da péssima administração pública do prefeito bolsonarista Felipe Augusto. É um histórico de má gestão e versação do dinheiro público. E não sou eu que estou dizendo e sim a Procuradoria-Geral de Justiça e o GAECO, que apura crimes de Desvio de Recursos Públicos, Corrupção e outros, inclusive o de Lavagem de Dinheiro, através da chamada “Operação Mar Revolto”. Ela pode determinar até a cassação da gestão municipal. Apesar do presidente Lula ter estado em São Sebastião um dia após da tragédia do Sahy, tomado as providências necessárias para minimizar o sofrimento das vítimas e, além de tudo, consolado Augusto Felipe (um fervoroso defensor de Jair Bolsonaro,  e um anti-petista raivoso), foi só ele virar as costas para que o prefeito continuasse a ser o que sempre foi: mau gestor, negligente, incompetente, para se dizer o mínimo. Ele é agora acusado de ter desviado recursos do combate à pandemia de Covid-19, com indícios de conluio de empresas na formação de preços, com participação de agentes públicos no direcionamento das contratações, feitas de forma direta, sem prévia licitação, mas também sem consulta de preços. A gestão municipal teria escolhido o fornecedor, sem comprovação da efetiva entrega do material adquirido. As contratações foram feitas de maneira bastante informal, até verbal, em valores superiores a um milhão de reais. É o que consta no processo. Há outras denúncias, no entanto. Contra Felipe Augusto pesam suspeitas de facilitar a ocupação desordenada dos morros, com a criação de bairros altos realizados por grileiros que supostamente são seus protegidos, o que é uma das teorias para o escorregamento e as mortes. Os locais foram loteados irregularmente com a retirada desenfreada das matas que davam sustentação natural às encostas. Era quase que uma tragédia anunciada. A Prefeitura foi omissa e não fez nenhum esforço para retirar as famílias com antecedência ( a não ser enviar mensagem através do Messenger) mesmo já sabendo dois dias antes que haveria um temporal acima do normal, como o ocorrido naquela fatídica noite. Não bastasse todos este problemas, os moradores de São Sebastião ainda acusam o prefeito de não conseguir elaborar um plano de emergência. Felipe Augusto não age com transparência para dar conta dos recursos provenientes das doações que chegaram ao município após a tragédia do Sahy. E sequer se conseguiu distribuir com eficiência a quantidade de roupas, sapatos, remédios enviados em forma de donativos. O que a Prefeitura e o governo do Estado apresentam é só uma terraplanagem de terreno para a construção de 500 moradias, mas sem prazo para o término. O pedido de cassação O advogado Roberto Lopes Salomão Magiolino apresentou na sessão na Câmara de ontem (14/3), o pedido de cassação do prefeito Felipe Augusto devido a “Operação Mar Revolto”, aprovado por maioria dos vereadores, Para a instauração da CPI serão necessários 5 dias e para a conclusão serão necessários 90 dias para apuração do pedido. O pedido de CPI se baseia em apuração do Ministério Público apurou de que nos primeiros meses da pandemia da Covid-19 o município de São Sebastião já havia gasto cerca de 20 milhões de reais em serviços, produtos e equipamentos que supostamente seriam destinados ao combate à pandemia, embora muitos deles sequer tenham sido usados no combate à doença. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas sedes de órgãos públicos da cidade de São Sebastião (Prefeitura, Secretaria de Saúde, Fundação de Saúde Pública, Hospital de Clínicas e Conselho Municipal de Saúde), nas sedes de empresas que forneceram produtos e serviços ao município e nas residências de diversos agentes públicos e empresários, inclusive o prefeito Felipe Augusto.

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