Construir Resistência

20 de fevereiro de 2023

Instituto previu com 2 dias de antecedência tragédia no litoral Norte

Havia tempo para retirar população das encostas. Número de mortos chega a 40 O Construir Resistência recebeu de um leitor, o Marco Rocha, a surpreendente previsão do tempo realizada pela empresa MetSul Meteorologia, que no último sábado dia 18, às 8 horas da manhã (com ao menos 12 horas de antecedência) previu a tragédia climática no Litoral Norte de São Paulo. Mas eles já realizavam alerta em seu site, no dia 17, mais de 24 horas antes de ocorrer a tragédia. Com o título “ALERTA VERMELHO: CHUVA PODE SER EXCEPCIONAL NO LITORAL DE SÃO PAULO” e com subtítulo “Volumes extraordinariamente altos podem atingir o litoral paulista neste fim de semana com elevado perigo de inundações e deslizamentos”, os meteorologistas acertaram com precisão o fenômeno que aconteceria, com descrição absoluta do que viria acontecer. Esta previsão desmonta a tese apresentada pela Defesa Civil de São Paulo de que a gigantesca precipitação, que já matou 40 pessoas, foi inesperada. Transcrevo a surpreendente matéria da MetSul e link e horário em que o alerta foi publicado. “A MetSul Meteorologia reforça o seu alerta sobre chuva extrema no litoral do estado de São Paulo neste fim de semana. Os mais recentes dados, a partir dos dados dos modelos meteorológicos da madrugada deste sábado, não apenas mantiveram a tendência de precipitação muito excessiva em parte da costa paulista como indicaram chuva excepcional com volumes extraordinários para algumas localidades. Trata-se de uma condição de enorme perigo ante a probabilidade de que os volumes de chuva em alguns pontos possam atingir quantidades equivalentes de precipitação a dois ou três meses (e o verão tem altas médias de precipitação na região) em apenas 24h a 36h. O que os dados apontam de chuva para pontos do litoral paulista inevitavelmente levará a transtornos e consequências que oferecem elevado risco para a estrutura das cidades e a população. É uma condição que excede as chuvas intensas comuns no verão e que decorre de uma situação meteorológica incomum pela intensidade atípica do ar frio no Sul do país. Com uma área de alta pressão sobre o Sul do Brasil, associada a uma grande e forte massa de ar frio para esta época do ano, um centro de baixa pressão menor deve se formar na costa do Sudeste do Brasil. O seu padrão de circulação deve levar vento carregado de umidade do mar e mais frio em direção ao continente no sentido do litoral de São Paulo e a Serra do Mar com chuva de natureza orográfica. Sob este cenário, a MetSul Meteorologia antecipa uma alta probabilidade de alagamentos e inundações, em alguns casos repentinas, além de um elevado risco de quedas de encostas e ainda deslizamentos de terra. Os acumulados de precipitação são condizentes com um risco geológico extremo e uma situação meteorológica de alerta vermelho (o mais alto da escala). O cenário vai exigir muita atenção em rodovias da região, sobretudo na Serra do Mar e junto à região serrana, ante a elevada probabilidade de queda de barreiras e de deslizamentos de encostas. As precipitações por vezes podem ser torrenciais no Sistema Anchieta-Imigrantes assim como na rodovia Rio-Santos, por conta da orografia (relevo). A ocorrência deste evento de chuva extrema coincidindo com o feriadão de Carnaval, com um grande número de pessoas nas estradas e buscando as praias do litoral, exige ainda mais atenção pelos riscos envolvidos. Insistimos que se trata de um cenário de altíssimo risco e que oferece perigo à vida humana, especialmente em encostas. Vários modelos numéricos analisados pela MetSul indicam a possibilidade de acumulados de precipitação superiores a 200 mm no litoral de São Paulo só neste fim de semana. O mapa abaixo mostra a projeção de chuva do modelo alemão Icon que sinaliza acumulados locais até acima de 300 mm. Observe que a área de chuva mais extrema é pequena, apesar de o risco de volumes altos em grande parte do litoral paulista. O modelo de altíssima resolução da MetSul, o WRF de 3 km, que pela sua grande resolução tem maior capacidade de identificar volumes extremos localizados por orografia (relevo) sinaliza um cenário ainda pior e extremamente preocupante. O WRF aponta de 150 mm a 200 mm em grande parte do litoral de São Paulo neste fim de semana, mas em algumas áreas entre a Serra e a costa projeta índices de precipitação que são extraordinários com marcas perto e acima de 500 mm com marcas isoladas de 600 mm a 700 mm. As condições meteorológicas se deterioram muito entre a tarde e a noite deste sábado e a manhã do domingo que deve ser o período mais crítico para chuva extrema, quando podem ser anotados em alguns locais volumes de até 100 mm ou mais por hora. Será quando o vento passará a soprar de Sul, do mar para o continente, com ar frio avançando sobre águas mais quentes do que a média. A chuva pode ser volumosa em diversos pontos do litoral paulista, do Sul ao Norte, mas em parte da costa de São Paulo e a Serra do Mar adjacente os volumes podem ser excessivamente altos e com índices perigosamente elevados. O modelo nosso de alta resolução indica o risco de que estes volumes muito excessivos ocorrerão principalmente do Centro para o Norte do litoral paulista, mas se antecipa chuva localmente intensa com altos volumes também em parte do Litoral Sul de São Paulo. Assim, o cenário exige muita atenção no litoral paulista, incluindo as áreas de Praia Grande, São Vicente, Santos, Guarujá, Cubatão, Bertioga, Barra do Una, Maresias, Ilhabela, São Sebastião e Caraguatatuba, dentre outras cidades e praias. Não deve chover com volumes extremos em todas estas localidades, mas é a zona de risco maior de precipitações muito excessivas. Episódios de chuva orográfica são de alto risco porque costumam trazer acumulados de precipitação localmente muito altos e que não raro até acabam superando as projeções dos modelos numéricos. Os litorais de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro são os de maior risco de eventos de chuva extrema

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Em São Sebastião, Lula promete reconstrução de casas em áreas seguras

Da Agência Brasil Em São Sebastião, Lula promete reconstrução de casas em áreas seguras Ao visitar o município de São Sebastião, fortemente atingido por temporais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (20) que os governos federal, estadual e municipal devem atuar juntos para superar a tragédia que deixou, até o momento, 36 mortos. “Estamos juntos. Acabou a eleição”, disse, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto. “Se cada um ficar trabalhando sozinho, nossa capacidade de rendimento é muito menor. Por isso, precisamos estar juntos”. Em entrevista, Lula manifestou solidariedade ao povo do litoral norte de São Paulo e pediu orações não apenas pelas vítimas e suas famílias, mas para que a chuva cesse ao longo dos próximos dias e o tempo permita a continuidade dos trabalhos de resgate. “Uma boa reza, com muita fé, sempre ajuda a reconquistar o que a gente quer.” Ele lembrou que, “há muito tempo”, não se via no país governador, presidente e prefeito sentados à mesa em função de algo em comum e que atinge a todos. “É uma demonstração de que é possível exercer a nossa função na democracia mesmo quando a gente pertence a partidos diferentes”. “Bem comum do povo é muito mais importante do que qualquer divergência que a gente possa ter.” Moradia Lula garantiu a reconstrução de casas atingidas pelos temporais, desde que em áreas consideradas seguras e aptas para moradias. Ele lembrou que há municípios brasileiros que registraram tragédias semelhantes há cinco, seis ou sete anos e que, ainda assim, o problema habitacional das famílias afetadas não foi resolvido. O presidente pediu ao prefeito de São Sebastião auxílio para mapear as localidades em que a Defesa Civil atesta segurança para a construção de casas. “Desta vez, vai acontecer de verdade. Só arrumar terreno mais seguro”, disse. “Vocês vão voltar a ter um ninho, para cuidar da família de vocês”, completou. Calamidade pública Portaria do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, publicada em edição extra do Diário Oficial da União de ontem (19), reconheceu estado de calamidade pública em São Sebastião. A cidade do litoral paulista foi atingida por temporais que superaram 600 milímetros em menos de oito horas. Pelo menos 36 pessoas morreram na região. As chuvas persistentes causaram bloqueio de estradas, queda de barreiras, inundações, deslizamentos, desabamentos e afetaram o abastecimento de água e energia. Uma criança morreu no município de Ubatuba, também no litoral de São Paulo. A prioridade, de acordo com o governo do estado, é o socorro às vítimas e o amparo aos mais de 970 desalojados e 747 desabrigados. Mais de 500 pessoas, entre servidores das forças de segurança e resgate do governo estadual, das Forças Armadas e da Polícia Federal, além de voluntários, seguem empenhadas nas ações de resgate e identificação das vítimas. Segundo a Defesa Civil de São Paulo, algumas cidades do litoral norte do estado registraram, nas últimas 24 horas, o volume de chuva esperado para todo o mês de fevereiro. Em São Sebastião, o volume nas últimas 24 horas foi o dobro da média esperada para o mês. Edição: Graça Adjuto  

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A morte do imprescindível padre Jaime Crowe

  Faleceu nesta madrugada na Irlanda o Padre Jaime Crowe. Ele foi vitimado por uma parada cardíaca Há mais de 25 anos, Jaime Crowne lutou para acabar com a violência na zona sul da cidade de São Paulo. O padre, da paróquia Santos Mártires, no Jardim Ângela, é um dos criadores da Caminhada pela Vida e Paz que acontece em todo 2 de novembro, no dia de Finados. É uma homenagem às vítimas da violência. “Acredito e tenho defendido que a violência policial vem do anonimato da polícia”. “Quando o policial é conhecido, tem nome em uma região, é mais fácil controlar a atitude dele. Do jeito que está, é impossível controlar”, disse ele em entrevista. Sociedade Santos Mártires É com muito pesar que a Sociedade Santos Mártires comunica o falecimento do Padre Jaime Crowe, ocorrido nesta madrugada (20/2) na Irlanda, em decorrência de uma parada cardíaca. Uma vida dedicada à luta pela equidade, pelos direitos humanos e pela paz para todas as pessoas. Neste momento, ainda nos faltam palavras para agradecer tudo o que o Padre Jaime nos ensinou com simplicidade, amor e carinho para com o próximo. Seu legado jamais será esquecido, e seus ensinamentos sempre estarão em nossos corações, afinal, como ele sempre parafraseou um provérbio africano: “Gente simples, fazendo coisas simples em lugares de pouca importância geram grandes transformações”. Que Deus conforte sua família e nossos corações. Saudações corintianas Deputada Luiza Erundina  Com tristeza e dor, recebi a notícia do falecimento do amigo e companheiro de luta, Padre Jaime Crowe. Padre Jaime foi um incansável defensor do povo sofrido das periferias de São Paulo, especialmente da zona sul da capital, promovendo um extraordinário trabalho em favor da classe trabalhadora e dos pobres da cidade. Padre Jaime deixa um legado incomparável na luta em defesa dos direitos humanos, da democracia e do amor ao próximo. Que Deus o receba de braços abertos. Deputado Antonio Donato Como muito pesar soube do falecimento hoje do padre Jaime Crowe, que durante muitos anos exerceu o sacerdócio em São Paulo e se tornou uma importante liderança da Paróquia Santos Mártires, no Jardim Ângela, ajudando a transformar e melhorar a vida do povo da Zona Sul da cidade. Padre Jaime conviveu 52 anos entre nós, até que em 2021 voltou para a Irlanda, sua terra Natal. Esta foto é de 2020 (um ano antes de deixar o Brasil), por ocasião do lançamento do livro “Sociedade dos Santos Mártires, uma chama de esperança”. Descanse em paz, padre Jaime Crowe. Padre Jaime, presente! Márcia Regina – ex vice-prefeita do Taboão da Serra Combateu o bom combate, guardou a fé. Lamento que ainda era jovem e se ficasse entre nós, ainda teria muita luta conosco. Tenho a alegria de ter podido estar com ele em vários momentos e aprender a sua força e sua luta em defesa dos pobres da terra. Pe. Jaime, Presente!            

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As bandas que eu respeito

Por Simão Zygband  Não sou muito afeito ao Carnaval, mas entendo quem goste dele profundamente. Por isso, tenho bandas de estimação, de queridos(as) companheiros(as). Uma delas é o Auê de Carnaval com o bloco Nóis Sofre, mas Nóis Goza que homenageia o cronista Lourenço Diaféria. jornalista preso pela ditadura militar, após publicar a crônica “Herói Morto. Nós”. Articulada por jornalistas, a Nóis Sofre, mas Nóis Goza se apresenta nesta segunda (20),  das 17h às 19h30, na praça Vladimir Herzog, no centro de São Paulo (atrás da Câmara Municipal). Haverá marchinhas, sambas e frevos interpretados pela tradicional Banda Operária da Lapa. Veja matéria à  respeito no link abaixo: http://Carnaval de jornalistas lembra cronista preso pela ditadura https://construirresistencia.com.br/carnaval-de-jornalistas-lembra-cronista-preso-pela-ditadura/ Outra querida do coração, na qual eu já desfilei em épocas passadas é o Vai Quem Qué (VQQ). Desfila no bairro do Butantã, na zona Oeste de São Paulo. Este ano São Pedro tentou atrapalhar o desfile, mas não conseguiu e fez a apresentação tendo como tema Pelé Disse Love, Love Love. A última querida agremiação que fui incentivador é a Banda do Trem Elétrico, vinculada ao Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que há anos arrasta multidões na sexta-feira feira antes do Carnaval para a região da rua Augusta. Desfilou no último dia 17.          

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