Construir Resistência

25 de dezembro de 2022

“Patriotas” ou terroristas?

Por Arnobio Rocha    “O patriotismo é o último refúgio do canalha” (Samuel Johnson)   O “patriota” (brasileiro) chamado George Washington (de Oliveira Sousa), o responsável pelo plano de explodir o Aeroporto de Brasília. Aliás, o nome é uma dele é uma ironia, o que diz muito sobre a imbecilidade do fanatismo que abraça quartéis militares como se esses fossem salvadores da pátria, família e Deus, na sequência que preferirem. O paraense George Washington estava armado até os dentes, armas “legais” de CACs (colecionadores, atiradores e caçadores), fruto da política fascista de armas de Bolsonaro e sua família, amiga do lobby armamentista irresponsável, num país violento, uma obviedade: Quanto mais armas, mais violência. O “patriota” do QG militar e mais alguns outros “patriot/as”, partem  para um ousado plano de dinamitar o aeroporto de Brasília, na sua confissão, que serua para “chamar atenção do mundo, provocando um caos”. Talvez na sua fantasia erótica (quem sabe dos milicos escondidos por trás do plano?), matar centenas, até milhares de brasileiros e brasileiras, daria azo para a tal “intervenção militar constitucional”, em pleno Natal, em que,  os cristãos comemoram o nascimento de Jesus, o amor, esses, em tese, cristão querem mortes e ódio. Mais uma ironia, ao mesmo tempo em que preparam o plano diabólico, que falhou, por erro técnico, o  ídolo de George, Bolsonaro e sua família viajam para “descansar do descanso” de quatro anos de vagabundagem no Planalto, nos EUA, por óbvio, no resort de Trump, enquanto essa cambada de desocupados, estão em frente aos quartéis ou planejando matar inocentes, ou mesmo o Presidente Lula. É grave demais o que aconteceu ontem, não podemos ignorar esse tipo de ação, que se não tivesse falhado, teria provocado uma tragédia, o que mais planejam? Os “homens” do General Heleno que estavam nos distúrbios em frente à sede da Polícia Federal, que incentivaram a queima de ônibus e carros, continuam soltos e preparando algo mais? O Brasil não pode tolerar ações que atentem contra a Democracia e a vida dos brasileiros praticado por “patriotas” ou quem estiver por trás deles. Arnobio Rocha é advogado e colaborador do Grupo Prerrogativas  

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O Peru de Natal (Mário de Andrade)

Publicado originalmente em 1942, na Revista da Academia Paulista de Letras, O Peru de Natal é um dos contos mais conhecidos do escritor modernista Mário de Andrade (1893-1945). Em 1947, dois anos após a morte de Mário, o conto foi incluído na antologia póstuma Contos Novos (1947). O Peru de Natal (Mário de Andrade) O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de consequências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, de uma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres. Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a ideia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto. Foi decerto por isto que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a ideia de fazer uma das minhas chamadas “loucuras”. Essa fora aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma detestável de tia; e principalmente desde as lições que dei ou recebi, não sei, de uma criada de parentes: eu consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de “louco”. “É doido, coitado!” falavam. Meus pais falavam com certa tristeza condescendente, o resto da parentagem buscando exemplo para os filhos e provavelmente com aquele prazer dos que se convencem de alguma superioridade. Não tinham doidos entre os filhos. Pois foi o que me salvou, essa fama. Fiz tudo o que a vida me apresentou e o meu ser exigia para se realizar com integridade. E me deixaram fazer tudo, porque eu era doido, coitado. Resultou disso uma existência sem complexos, de que não posso me queixar um nada. Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes…), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas “loucuras”: – Bom, no Natal, quero comer peru. Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar ninguém por causa do luto. – Mas quem falou de convidar ninguém! essa mania… Quando é que a gente já comeu peru em nossa vida! Peru aqui em casa é prato de festa, vem toda essa parentada do diabo… – Meu filho, não fale assim… – Pois falo, pronto! E descarreguei minha gelada indiferença pela nossa parentagem infinita, diz-que vinda de bandeirantes, que bem me importa! Era mesmo o momento pra desenvolver minha teoria de doido, coitado, não perdi a ocasião. Me deu de sopetão uma ternura imensa por mamãe e titia, minhas duas mães, três com minha irmã, as três mães que sempre me divinizaram a vida. Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas três mães, três dias antes já não sabiam da vida senão trabalhar, trabalhar no preparo de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e ainda levava embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa. Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose, muito minha companheira. Está claro que omiti onde aprendera a receita, mas todos desconfiaram. E ficaram logo naquele ar de incenso assoprado, se não seria tentação do Dianho aproveitar receita tão gostosa. E cerveja bem gelada, eu garantia quase gritando. É certo que com meus “gostos”, já bastante afinados fora do lar, pensei primeiro num vinho bom, completamente francês. Mas a ternura por mamãe venceu o doido, mamãe adorava cerveja. Quando acabei meus projetos, notei bem, todos estavam felicíssimos, num desejo danado de fazer aquela loucura em que eu estourara. Bem que sabiam, era loucura sim, mas todos se faziam imaginar que eu sozinho é que estava desejando muito aquilo e havia jeito fácil de empurrarem pra cima de mim a… culpa de seus desejos enormes. Sorriam se entreolhando, tímidos como pombas desgarradas, até que minha irmã resolveu

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As aves de rapina estão voando em direção ao Planalto

Por Humberto Mesquita Lula ganhou as eleições, enfrentando a corrupção eleitoral de Jair Bolsonaro que gastou MUITOS BILHÕES dos cofres públicos comprando votos, bloqueando estradas no dia das eleições, distribuindo dinheiro com pastores e prefeitos corruptos,antecipando décimo terceiro, gratificando caminhoneiros, taxistas e outras categorias. Lula ganhou no primeiro turno com a diferença de 6 milhões, 187 mil e 159 votos. Foi para o segundo turno com a indiferença de Ciro Gomes, que não viajou a Paris, mas ignorou o trabalho dessa frente ampla que ele criou para derrotar o indecoroso destruidor da Pátria. Mas o seu partido, o PDT pediu votos para Lula. Apesar de Ciro Gomes dar as costas, Lula seria a opção natural de um partido de esquerda. Muito bem. Temos que entender que outra adesão espontânea foi de Simone Tebet, fazendeira, ruralista notoriamente de direita.Seus votos importantes, não foram muitos. Se entendermos que Lula teve um acréscimo, do primeiro, para o segundo turno, em termos de votacão, de três milhões, 25 mil, 136 votos, e que os votos de Ciro Gomes e Simone Tebet juntos, somaram 8 milhões, 474 mil, 710 votos, entenderemos que menos da metade dos votos de Ciro e Tebet, migraram para Lula. Mais da metade foram para Bolsonaro. E os votos da Simone eram de direitistas. Aí chegaremos a conclusão de que ela teve uma boa postura, mas a participação em votos, não foi tão grande, a ponto de ela querer ser agora a “Rainha da Cocada”, para fazer exigências de poder, já visando as eleições de 2026. Aliás sua decisão de aderir ao, na época, possível vencedor, já era patente. Sua ambição eleitoral ultrapassou as “quatro linhas”. Lula quer fazer um grande governo, mas Simone só pensa 2026. Quando Lula declarou que foi mais fácil para ele, ganhar as eleições do que formar um ministério, ele tem carradas de razões. As aves de rapina estão circulando em volta do Planalto Central. E aí, não é apenas a Simone. A Pátria periga, a ambição avança, o delírio pelo poder suplanta a tudo, sem contar com a impaciência corrupta de grande parte do Congresso Nacional, que olha para os cofres públicos com uma volúpia avassaladora. Mas, eu acredito no Lula, que venceu a pobreza, venceu a injustiça, derrotou o mais corrupto dos governos, vai derrotar essas aves de rapina, e vai mudar a cara desse país e colocá-lo outra vez no melhor cenário internacional. É isso que penso. Mas é importante debater esse cenário.   Humberto Mesquita  trabalhou nas principais emissoras de rádio e televisão do Brasil. Foi repórter e apresentador de importantes programas de debate político, como o saudoso Pinga Fogo, da TV Tupi.

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