Construir Resistência

16 de dezembro de 2022

Lula, não ceda à pressão!

Por Pio Redondo   Ahh a Globo.. Uma coisa são alianças políticas com interesses específicos e inadiáveis, como derrotar um fascista que já vai tarde, mas outra é forçar a barra do governo eleito em nome de seu interesse eleitoral futuro, e contrário a quem ganhou a eleição. Alavancada aos seus 4,16% de votos no primeiro turno pela cobertura da CPI da Covid, agora a pressão pela nomeação de Simone Tebet para o Ministério de Desenvolvimento Social é escancarada. Mas, seria possível que um ministério de tamanha importância e complexidade, com a fome batendo na casa de 33 milhões de brasileiros, seja entregue ao MDB? Esse ministério visto como ‘político’, na verdade exige uma expertise incomum, quadros técnicos, gestão e conhecimento acumulado por anos. Em comunidades populosas, rincões paupérrimos. Quem criou a política pública mais importante e bem sucedida da história do país, são esses que precisam continuar o trabalho humanitário. Já Simone, que se juntou a Lula em nome da democracia brasileira, e foi bem durante a eleição, e não por cargos, como seguidamente repetiu – agora está com a postura mais autêntica do ‘eu não abro mão’, com o MDB a tira colo. Trabalhei cinco anos no MS, conheci muito bem o MDB de lá, comandado por André Puccinelli, de quem ela foi vice-governadora e quem a elegeu senadora. Puccinelli responde a 32 ações de improbidade como ex-governador, e a justiça descobriu uma série (a palavra é essa) de fazendas de gado e soja em nome de laranjas. Milhares e milhares de Ha, todo mundo no MS sabe, inclusive a senadora, então sua comandada. Agora, dizem comentaristas políticos, a esposa de Lula, Rosangela, é quem veta a entrega do cargo estratégico ao MDB. Mais que mulher do presidente, a socióloga militante deve saber o porquê, caso a restrição por parte dela seja verdadeira. Como consequência, Rosangela tem sido atacada por veículos de qual emissora, como se vê? Quem é a mulher que sofre ataques, duros, frontais? Em nome de uma confluência de interesses políticos pra 2026. Só que 2% ou 3% de votos não podem pautar os outros 97% de Lula. Ainda mais quando se pressiona pela troca de 80 por 8, num ministério com essa importância social, coletiva e histórica. Tomara! que Lula não ceda à pressão. Pio Redondo é jornalista com passagens pela principais emissoras de TV do país. Foi repórter da campanha de Lula Presidente em 1989

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A extrema direita odeia Messi

Por Moisés Mendes Se tiver decisão nos pênaltis domingo, defendo que a Argentina escale Messi para bater o primeiro e que os franceses escolham Mbappé para bater o último. Que essa primeira série acabe empatada. E que nas cobranças alternadas Messi decida a Copa com uma bola que bata nas duas traves e nas costas do goleiro. Eu queria estar em Buenos Aires para ver o povo gritando Messi!!! Cristina!!! Perón!!! Meu lado argentino ficou muito forte depois das duas vezes, há exatos 20 anos, em que estive lá para escrever sobre a terrível crise do fim da dolarização. A Copa calará a boca dos fascistas argentinos, que desejam a derrota da seleção para enfraquecer Alberto Fernández e explorar a dor do povo. A extrema direita odeia Messi. Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica”.

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As festas de fim de ano e a economia nossa de cada dia

Por José Augusto Camargo (Guto)   Em Franca, no interior de São Paulo, um comerciante achou uma solução para contornar as baixas vendas neste final de ano, ajudar na ceia e enfrentar a alta dos preços . Analistas avaliam que a economia mundial continuará com desempenho abaixo do esperado em 2023, inclusive, com a possibilidade de uma recessão, ou seja, a tempestade que estamos atravessando com a queda no comércio mundial causada pela pandemia e pela guerra na Ucrânia ainda causará estrago por um bom tempo. No caso do Brasil, o caos foi alimentado também pela incapacidade do governo Bolsonaro que deixa para o presidente eleito resolver a situação. O presidente Lula que assume em janeiro, tudo indica, não terá vida fácil. Mas agora as festas de fim de ano se aproximam renovando a esperança de melhores dias. No entanto, dado a situação econômica, preparar uma farta mesa para o Natal e o Ano Novo não será uma tarefa fácil; a dona de casa de classe média está reclamando do preço dos produtos típicos e as classes menos favorecidas desistiram de grandes banquetes. Mas eis que a Peixaria do Zé do Peixe, da cidade de Franca, no interior de São Paulo, imbuído do espírito empreendedor que caracteriza a economia atual, resolveu, literalmente, vender seu peixe em suaves prestações. Agora a população de Franca poderá adquirir o bacalhau da ceia em 12 vezes no cartão. É óbvio que os economistas, arautos do mercado, vão dizer que isto nada tem a ver com as dificuldades econômicas da população mas que, sim, é fruto da criatividade brasileira e a iniciativa deve ser vista como um bom exemplo a ser seguido por outros comerciantes de alimentos. Talvez esta seja a solução para tirar o Brasil do mapa da fome; vender comida a prestação com juros de mercado. De qualquer forma, feliz 2023, nós estamos precisando.. Guto Camargo é jornalista e bacharel em Sociologia e Política. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

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Demissão de Janio de Freitas: réquiem para a Folha de S.Paulo

Por Leandro Fortes Eu estava lá, fardado, nos estertores da ditadura militar, de sentinela, próximo ao muro dos fundos de um quartel, em Barbacena, fazendo a primeira ronda da noite, metido em coturnos e numa japona de lã. Ouvia, ao longe, o som da multidão. Era 1984, o movimento das Diretas Já havia, finalmente, chegado à geleiras da Mantiqueira, mas no quartel, um internato militar, aquela realidade só existia para uns poucos que pescavam, na clandestinidade, os jornais que a soldadesca retirava do cassino dos oficiais e jogava no lixo. Eu tinha 18 anos, eu era um deles. Eu lia a coluna de Janio de Freitas. Para saber mais, usei da prerrogativa de um cargo – o de presidente da Sociedade Acadêmica da escola – para fazer assinaturas da Folha de S.Paulo e da Veja, para que todos também soubessem. O Comando do Corpo de Alunos me chamou em audiência, queriam saber as razões daquele movimento. Ainda era ditadura. As assinaturas duraram só dois meses, mas eu já estava capturado. No ano seguinte, em 1985, exilado da caserna, dos coturnos e das japonas de lã, eu estava de volta a Salvador, matriculado no curso de jornalismo da Universidade Federal da Bahia. Segui lendo Janio de Freitas, entusiasmado, como boa parte da minha geração, com o chamado Projeto Folha, tocado por jovens jornalistas comandados por um jovem herdeiro, Otávio Frias Filho, embora meu sonho de consumo não fosse a Folha, mas o Jornal do Brasil. Eu cumpria meu turno de estudante, pela manhã, e meu expediente de repórter na Tribuna da Bahia, pela tarde, e, quando anoitecia, me enfurnava na bolorenta biblioteca do velho diário soteropolitano para ler o que chamávamos de “jornais do sul” – Folha, Globo, Estadão e Jornal do Brasil, que só apareciam nas bancas da Cidade da Bahia depois das 16 horas. E lia Janio. Passadas quatro décadas, ler Janio de Freitas e, de certa forma, calibrar minha visão política pelas análises desse grande jornalista tornou-se uma rotina de aprendizado constante. Minha e de várias gerações de jornalistas. A notícia de que a Folha o demitiu, aos 90 anos, pelo motivo torpe da contabilidade, em meio a um dos muitos passaralhos que a empresa vem promovendo, me deixou triste e indignado. No fim das contas, é a revelação final do mau caratismo dessa velha imprensa – torpe, obsoleta, reacionária – que, incapaz de formar quadros de verdade nesses cursinhos de trainee que adotou como filtro de entrada, decidiu se livrar daqueles que ainda lhe conferem algum brilho, sensibilidade e profissionalismo. É a vitória da mediocridade sobre a sabedoria. Leandro Fortes é  jornalista, escritor e professor.

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