Construir Resistência

4 de dezembro de 2022

O bife de ouro no país da fome

Por Simão Zygband O ex-jogador Ronaldo Fenômeno prestou um desserviço à seleção brasileira durante sua estada no Qatar para acompanhar a Copa do Mundo Esteve na famosa churrascaria Nusr-Et acompanhado de alguns jogadores que estão disputando o dificílimo torneio. Entre os cortes experimentados, Ronaldo e seus convidados comeram uma carne banhada a ouro 24 quilates, avaliada em cerca de R$ 9 mil. Desnecessário dizer que esta atitude, de ostentação excessiva, tem um efeito psicológico contrário aos interesses do escrete canarinho. A seleção brasileira, que abriu mão da presença de um psicólogo que orientasse emocionalmente a equipe, peca exatamente pela arrogância de parte de seu elenco, sobretudo do ídolo Neymar. É um momento impróprio para dar demonstrações de ostentação em um time cujo principal jogador adquire mais um avião por r$ 50 milhões e que dividiu a torcida por seu apoio ao genocida Bolsonaro. Ronaldo é da mesma panelinha. “Eu confesso que quando vi os vídeos aquilo já me incomodou. O Ronaldo levou o Vinícius Júnior, e eu acho que alguns outros jogadores da seleção, para comer bife com ouro. Primeiro já acho isso aí uma palhaçada tamanho família. Desde quando ouro faz bem para você comer. Isso aí é ostentação besta. E segundo: no meio da Copa?  Ronaldo, pelo amor de Deus, não joga contra. No meio da Copa você vai tirar os jogadores para ir comer bife folhado a ouro? Que patacoada, que palhaçada”, disse o jornalista esportivo Renato Maurício Prado. Desrespeitoso O ex-jogador e comentarista Walter Casagrande não poupou criticas à Ronaldo. Para ele, essa ostentação foi ‘completamente desrespeitosa’. “Hoje eu vi nos jornais que a pobreza aumentou, são 62 milhões de pessoas que não têm café da manhã, almoço e janta. E os ídolos deles, quando aparecem numa matéria, eles estão comendo bife com ouro. Eu acho isso completamente desrespeitoso, além de ostentar, além de ser no meio de uma Copa do Mundo, além de qualquer coisa”.   CONTRIBUA COM O CONSTRUIR RESISTÊNCIA  Amigxs. Aos trancos e barrancos, o Construir Resistência atingiu a significativa marca de 880 mil visualizações. Esforço diario de fazer e localizar conteúdo jornalístico de interesse coletivo para aqueles que lutam pela democracia no Brasil. Mas a luta não terminou com a eleição do LULA. Ainda teremos muito trabalho pela frente. CONTRIBUA COM O CONSTRUIR RESISTÊNCIA. PIX 11 997268051 em nome de Simão Zygband. VAMOS À LUTA.

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Conjunto da obra bolsonarista mais se assemelha a um país-fantasia

Por Dorrit Harazim Jornalista e documentarista em O Globo   A julgar pelos primeiros relatórios de alguns dos 30 grupos temáticos da transição, a desgraceira é monumental Era uma vez um país chamado Brasil, presidido por um capitão chamado Jair Bolsonaro, que deveria comandar a nau pátria até o último dia de mandato, 31 de dezembro de 2022. Só que o capitão sumiu desde que Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito seu sucessor. E o conjunto da obra bolsonarista, entregue a conta-gotas e de má vontade à equipe de transição de Lula, mais se assemelha a um país-fantasia. Fantasia por falido, e falido no sentido múltiplo do termo — financeiro, social, gerencial, moral. A julgar pelos primeiros relatórios de alguns dos 30 grupos temáticos da transição, a desgraceira é monumental. Por enquanto, o impacto nacional decorrente dessa ruína ainda é pouco percebido — nada consegue competir com o feitiço da sucessão de zebras, surpresas e reviravoltas de uma Copa do Mundo. E a do Catar só termina no domingo 18 de dezembro, já às vésperas do Natal. Portanto, na prática, até a posse de Lula no Palácio da Alvorada, o país continuará navegando à deriva. Algum dia, talvez, será possível computar quanto do futuro do Brasil foi perversamente esbanjado ou destruído na era Bolsonaro. É do jogo político que toda equipe de transição desfie queixas e aponte falhas quanto ao estado real do país que lhe é entregue pela administração anterior. Não raro, para justificar futuros percalços ou não cumprimento de promessas de campanha. Outras vezes, o descalabro é do tamanho da grita. Na transição americana de 2020, a equipe leal ao derrotado Donald Trump ficou os primeiros 16 dias pós-eleição sem sequer atender telefonemas da equipe vencedora de Joe Biden. Muitos funcionários públicos de carreira, temendo que alguns bancos de dados científicos viessem a ser manipulados antes da troca de poder, chegaram a armazenar conteúdos em nuvens fora do alcance trumpista. Jamais na história política dos Estados Unidos ocorreu uma transferência mais envenenada das ferramentas do Estado. Mas Estado havia. E aqui? Aqui há falência. Os grupos temáticos amontoados pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, para a elaboração de uma radiografia nacional, parecem atordoados. Há os que engatinham, os que já percorreram meio caminho e os altamente preparados para a tarefa. Todos têm em comum garimpar nos escombros do que já foi um país com políticas públicas. O testemunho mais contundente da semana veio durante a entrevista coletiva do grupo de trabalho de meio ambiente. Trata-se do grupo dos sonhos de qualquer governo, dada a proficiência e o conhecimento de seus integrantes. Na quinta-feira, o microfone foi passando de mão em mão até chegar a vez de Izabella Teixeira fazer seu resumo. Formada em biologia e doutora em planejamento energético, ex-ministra do Meio Ambiente nos governos Lula e Dilma Rousseff e coringa das Nações Unidas para a crise climática, quando essa servidora pública fala, a gente presta atenção dupla. Até porque sua voz de contralto é forte. (Seria até impiedoso imaginar um debate entre ela e Ricardo Salles — aquele que ocupou a mesma cadeira no governo Bolsonaro e dela foi exonerado após acusações de envolvimento em exportação ilegal de madeira da região amazônica. A terraplenagem intelectual seria épica.) — Não é exagero, não é drama. Todo mundo sabe que sou muito pragmática, mas levei muitos sustos vendo os documentos — esclareceu a ex-ministra. — Não é uma questão de ineficiência ou incompetência [do governo Bolsonaro]. Houve uma decisão política de destruir. Alegrou-se, porém, com a solidariedade encontrada junto ao corpo técnico do ministério e de outras 200 instituições que forneceram dados e foram ouvidos pelo grupo. Nunca vira tamanha força da sociedade civil: — Vieram de forma colaborativa, engajada, produtiva, não vieram reclamando. Ela acredita que o Brasil dessa nova envergadura tem força para reconstruir o diálogo — até porque, “sem a força da sociedade e de vocês [a imprensa] comprometidas com a transparência e a verdade, o Brasil não fica de pé”. Em resumo: — Não tem dinheiro para prevenção alguma. Acabou. Aliás, acabou de sair um ofício do presidente do Ibama suspendendo todas as atividades por falta de dinheiro. Acabou o licenciamento … não tem fiscalização. Está por escrito, em ofício enviado ao secretário executivo do Meio Ambiente explicando as razões do bloqueio de todo o dinheiro disponível. Então me parece que o Ibama vai trabalhar virtualmente … Feliz Natal para os grileiros e para os criminosos neste país do crime ambiental, porque é isso que está sendo dito.     Se todos os grupos de trabalho da transição forem tão eficazes e produtivos quanto o do meio ambiente, o governo Lula pelo menos saberá em que pântano estará pisando. E o que fazer para, mais adiante no futuro, poder proporcionar um Feliz Natal para o Brazilzão pois ele merece.      

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O genial futebol solidário do Messi

Por Léo Bueno Nutro absoluto desprezo pelo Neymar e pelo que ele representa, mas, ao contrário da maioria dos meus amigos e amigas, não torço contra o Brasil por causa disso. Acho que aprendi esse truque torcendo por grandes craques do meu time, que eram ao mesmo tempo pessoas terríveis. Gente como Marcelinho Carioca e Edilson. Aos poucos fui desenvolvendo uma técnica muito parecida com aquela que o seu patrão impõe: ele obriga você a trabalhar com gente insuportável, e você trabalha, por dever de ofício. Assim é que eu acho, sim, o sujeito muito talentoso em campo, apesar de tudo. Tudo isso, porém, me torna bem isento para dizer o seguinte: No jogo de hoje, por dez vezes ou mais, o Messi pegou a bola, passou por mais de três adversários e entregou-a limpa para o gol ou para um companheiro de time. Há décadas não vejo o Neymar fazer nada remotamente parecido. Na verdade, na maioria das vezes ele pega a bola e para ela, tentando apenas um drible de efeito contra o adversário imediato, algo que raramente resulta em gol. Espero que ele queime minha língua, ou melhor, meus dedos. Mas um cara que sonhou ser melhor do mundo como ele está muito longe dos melhores, que aliás já estão no ocaso de suas vidas profissionais. (Nem por isso a Argentina seria muito favorita contra o Brasil. O resto do time hermano, em minha opinião, está um pouco abaixo do escrete, pelo menos entre os titulares.)  

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A posse de Lula vai durar menos de uma hora

Por Alfredo Herkenhoff  A posse vai rolar com o maior show de música de todos os tempos em Brasília, com os 50 maiores artistas da MPB. Será maior do que o maior Rock in Rio, mas também será um espetáculo curto porque os talentos se apresentarão de graça, por amor e reconciliação. Um festival que deve durar três ou quatro horas no máximo. Mourão disse anteontem numa rádio gaúcha algo infernal: Lula ganhou e vai governar. Aceitamos jogar com ele e ele ganhou. Mourão, ao humilhar os golpístas do PL e do clã, ofendeu Lula e os magistrados do STF e STE, mas disse e repetiu que Lula ganhou no voto e vai governar. Disse que esses pedidos de intervenção diante dos quarteis já era. Disse que se os seus colegas de farda decidissem golpear, o nosso Brasil sob militares sofreria a maior derrota dos últimos 200 anos. Disse que o Norte imporia sanções e que isso aqui iria virar uma Mega Venezuela. Os que estão diante de quarteis vão insultar Mourão, mas Mourão venceu. O senador eleito e o governador eleito de SP são os dois nomes da extrema direita. Mourão cometeu crimes depois da vitória de Lula no segundo turno. Mas sabe que a punição não o atingirá de imediato. Mourão arrasou com a velharada gritando Forças Armadas Rogai por Nós… Será um show na posse, um festival tão espetacular, que não haverá nada a fazer entre diferentes, eleitores zangados, a não ser nos emocionarmos com Paulinho da Viola, nós vamos nas diferenças nos abraçarmos e começar tudo de novo. Será um festival de amor, um show de trégua, Lula é um vivo nível Kennedy, Luther King, João 23, Mandela, Charles de Gaulle, Tito, Peron, Nixon, Mao, Chávez, Churchill, Stalin, Gandhi, Fidel, Lumumba, Ho Chi Minh, Deng, Gorbachov, Reagan, Che Guevara, Prestes, Caxias, Allende, Getúlio, JK, Geisel, Carlos Lamarca e Marielle Franco… Alfredo  Herkenhoff  é jornalista, escritor, autor do livro Jornal do Brasil – Memórias de um Secretário

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