Construir Resistência

15 de novembro de 2022

Oficial fala a manifestantes: “fiquem à vontade e o tempo que quiserem” na Base Aérea da FAB

Por Simão Zygband O tenente-coronel aviador Artur de Oliveira Baumbach, subcomandante da Base Aérea da FAB de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, na Grande São Paulo, demonstrou ser um oficial que procura “deixar à vontade” e “pelo tempo que quiserem” os manifestantes que fazem atos anti-democráticos nos portões e no entorno daquela instituição militar, área estratégica para defesa da segurança nacional, desde 1° de novembro, um dia após a derrota de Jair Bolsonaro para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles claramente questionam os resultados das urnas, em evidente desrespeito à Constituição e solicitando uma “intervenção federal”. Baumbach, que foi promovido a tenente-coronel através da portaria n° 1.480/GC1, datada de 28 de agosto de 2019, já sob o governo do derrotado Bolsonaro, demonstrou uma cordialidade incomum com manifestantes que há cerca de 15 dias, conforme ele mesmo relatou, cercam a entrada da Base Aérea, entoando o Hino Nacional através de carros de som que, nas suas próprias palavras, “é a música mais bonita do país”. No vídeo recebido com exclusividade pelo Construir Resistência, o tenente-coronel dirige-se cordialmente para dialogar com os manifestantes, sem nenhuma necessidade aparente, a não ser desejar-lhes uma espécie de boas vindas. Não se sabe o motivo pelo qual tenha decidido discursar para os revoltosos, atitude estranha para um militar: “Em primeiro lugar, gostaria de dizer que vocês estão sendo vistos e ouvidos. Nós não estamos ignorando vocês. Eu moro aqui, (na base aérea) e vejo vocês todos os dias desde o dia 1º (de novembro). Enquanto vocês estiverem de forma ordeira, estejam à vontade para ficar aqui. Esta casa é do povo brasileiro. Esta casa é minha, é de todos vocês. Então sintam-se à vontade, de forma ordeira, de forma pacífica, permanecerem o tempo que vocês quiserem. Nós não estamos ignorando e não estamos deixando vocês sem serem vistos. Nós estamos aqui vendo vocês 24 horas. Eu estou adorando ouvir o hino nacional, a música mais bonita do país”. O oficial afirma ainda que a Aeronáutica é uma instituição de Estado, com obrigação de proteger a lei e a ordem. “Nós precisamos agir sempre com cautela”, diz ele dirigindo-se aos manifestantes”. “Peço assim, humildemente, como parte do povo também, da comunidade, que vocês estejam livres nas manifestações e saibam que estamos vigilantes e estamos com a lei maior do nosso país debaixo do braço e não vamos deixar em hipótese alguma esta lei ser transgredida. Saibam que a base aérea de São Paulo está de braços abertos para vocês”. . Deixa o espaço aplaudido pelos manifestantes. Punição Compartilho a opinião de um dirigente sindical que acredita que os participantes dos atos antidemocráticos tem que ser punidos na forma da lei penal. “Deveriam responder por incitação e crimes contra o Estado Democrático de Direito. Não é difícil identificar quem está pagando pelos trios elétricos, banheiros químicos, comida e pelas imponentes barracas, assim como descobrir a quem pertence a frota de caminhões estacionados e que bloquearam as estradas por vários dias. Nas ações, os financiamentos são recorrentes entre os extremistas no Brasil. Foi assim durante a ditadura militar, e, como ninguém foi punido, se reapresenta novamente agora. Embora a Constituição Federal determine a livre manifestação do pensamento, esse direito não é absoluto. Não é dado o direito de agressão, mas o de expressão. Não é permitido o discurso do ódio”.   Veja o vídeo abaixo das boas vindas do oficial:        

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A voz paranoica do zap

Elton Luiz Leite de Souza   A paranoia é um delírio sobretudo auditivo. O paranoico ouve vozes que alimentam seu delírio, um delírio preponderantemente masculino, de um masculino tóxico surdo ao feminino. O fascismo é uma forma de paranoia que acomete uma massa de ressentidos que se arrebanham no ódio delirante contra grupos que são estigmatizados e demonizados como “inimigos”. São raros poetas ou músicos paranoicos, é mais comum a paranoia em generais autoritários, juízes vingativos, capitalistas monopolistas, moralistas hipócritas, religiosos teológicos-políticos, enfim, naqueles que têm ou buscam o poder “acima de tudo”, demonizando a potência democrática partilhada entre todos. A televisão é uma máquina voyeur-narcísica, porém o whatsapp é um dispositivo que pode arrebanhar paranoicos . Como se vê nesse obscuro Brasil do “submundo virtual”, o “zap” pode servir a paranoias já instaladas em quem tem a disposição para o ódio delirante, seja por motivos pessoais, religiosos ou políticos. A tevê se apoia principalmente na imagem visual, porém o “zap” que instrumentaliza delírios paranoicos é sobretudo voz, uma voz que fomenta , difunde e confirma delírios paranoicos já instalados ou produzidos para fins teológicos-políticos. Como se sabe, a paranoia é um delírio auditivo no qual a realidade é negada por uma voz sem realidade concreta, nascida que é de uma fantasia mórbida persecutória. Estamos vendo isso nessas manifestações golpistas: embora estejam na rua, os golpistas-delirantes vivem com o ouvido grudado no zap, pois é a “voz do zap” que confirma seus delírios paranoicos negacionistas da realidade: diante dos olhos deles está um muro de quartel, porém a voz delirante berra em seus ouvidos que ali é o muro do “templo das lamentações”, e que eles devem se ajoelhar e clamar pelo Messias-Milico-Miliciano… A maioria dos fanáticos que usam o “zap” dessa forma doentia quase nunca escrevem ou leem mensagens , pois eles têm pouca ou nenhuma proximidade com a escrita enquanto instrumento simbólico-social para leitura e interpretação do mundo. Os fascistas-paranoicos preferem o áudio enquanto vocalização de um imaginário paranoico , como o dos “tios do zap”( quase sempre, a paranoia eclode na meia-idade, sendo agravada por ressentimentos mal curados , frustações mal resolvidas e espírito de vingança acumulado ). Não por acaso, o rádio foi o meio de comunicação muito usado por Hitler e Mussolini. Pois a palavra de ordem paranoica depende da voz autocrática berrada , perdendo força persuasiva quando escrita. Mas não é qualquer voz que serve a delírios paranoicos que ameaçam a pluralidade social. A voz paranoica é preponderantemente voz masculina, patriarcal, falocrática ; voz que grita numa retórica raivosa que lembra a retórica berrante e monocrática de Hitler. Essa “voz do zap” não é uma voz que se alterna à escuta para assim trocar perspectivas num diálogo e conversa. Essa “voz do zap” não é a voz autêntica das ruas. E não podemos deixar que ela fale mais alto ou tente calar a nossa voz que, democraticamente, se fez ouvir nas urnas. Elton Luiz Leite de Souza é Mestre e Doutor em Filosofia pela UERJ, Mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ e professor da UNIRIO.

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Ligações perigosas

Por Milton Pereira Michelle Bolsonaro é a terceira esposa do presidente em final de mandato. Já tendo a filha Letícia, casou-se em 2007 com o então deputado federal Jair Bolsonaro, com quem teve outra filha, Laura Bolsonaro. Como membro da Igreja Batista Atitude, ela defendia causas sociais como pessoas com deficiência, visibilidade em doenças raras, inclusão digital, conscientização sobre autismo, inclusão de Libras nas escolas e outros projetos sociais. Apesar destas posições, o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) foi extinto em 2019, por meio de decreto presidencial. Durante o mandato de Jair Bolsonaro, Michelle andou em companhias nada aconselháveis: Flordelis: fundadora do Ministério Flordelis, a pastora foi condenada como mandante e cúmplice na morte do marido (que já havia sido filho) a 50 anos e 28 dias de prisão por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado, documentação falsa e associação criminosa. Damares Alves: ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, diz-se simpatizante do Integralismo no Brasil. Pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular e da Igreja Batista da Lagoinha, Damares fez afirmações de que conversou com Jesus em cima de uma goiabeira, propagou em templos e nas redes sociais a existência de um kit gay distribuído nas escolas públicas durante o governo do PT, divulgou a criação pela esquerda de uma mamadeira que ficou famosa além da implantação dos tais banheiros unissex nos estabelecimentos de ensino público. Em um culto, ao lado de Milchelle, denunciou sequestros e estupros (com detalhes) de crianças de 4 a 10 anos. Em nenhum dos casos apresentou provas. Osmar Terra: figura em constantes viagens com Michelle. É médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas apoiador da privatização das universidades no Brasil. Está no sexto mandato de deputado federal e, como conselheiro de Jair Bolsonaro durante a pandemia, foi contra o isolamento social e defensor ferrenho da imunidade de rebanho, afirmando que não chegaríamos a duas mortes por dia. Nunca se retratou e culpou o isolamento imposto por governadores e prefeitos por tantas mortes. Guilherme de Pádua: condenado pelo assassinato da atriz Daniella Perez, ao ser solto transformou-se em pastor da Igreja Batista da Lagoinha. Em 29 de abril de 2016 foi condenado a pagar uma indenização de 500 salários mínimos à escritora Gloria Perez e ao ator Raul Gazolla, respectivamente mãe e marido da atriz assassinada, além de ter que ressarcir as despesas de sepultamento e funeral de Daniella e os custos processuais e honorários de advogados, ainda pendentes. Milton Ribeiro: pastor e ex-ministro da Educação, defensor do armamento (ele mesmo anda armado), articulou propinas (pagas em barras de ouro) entre pastores evangélicos (indicados por Jair Bolsonaro) e prefeitos, para recebimento de verbas para os municípios. Seu caso corre em sigilo no STF. Michelle tornou-se a única primeira-dama brasileira a discursar no parlatório do Palácio do Planalto em uma posse presidencial. Portanto, causa espanto que Eliane Cantanhêde critique Janja, afirmando que a futura primeira-dama não deveria preparar a posse de Lula e sim limitar seu papel ao quarto do casal e apenas servir o novo presidente entre quatro paredes. Citou ainda exemplos de primeiras-damas da ditadura militar, como Yolanda Costa e Silva, supermaquiada e superartificial, colocando-se sempre no devido lugar de esposa, e Lucy Geisel, superdiscreta e mantendo o seu papel de dona de casa. André Trigueiro, que também participava do telejornal, deu uma invertida em Lili, colocando-a no devido lugar: “Acho importante demolir esse termo, viu, Lili? Não sei a tua opinião, mas primeira-dama? Não favorece o sindicato a que você pertence. Acho que a gente tem que reinventar palavras e expectativas em relação ao papel da mulher do homem mais poderoso do Brasil, que já ficou muito claro, não será propriamente alguém que cumprirá o papel de dona-de-casa subserviente ao marido. Lugar de mulher é onde ela quiser ficar. E isso o presidente (Lula) falou na avenida Paulista no discurso da vitória.” Milton Pereira é jornalista, artista plástico e músico

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Dois dias após o Fantástico, Globo critica Janja e a “influência que adquiriu”

Do Diário do Centro do Mundo (DCM) Dois dias após sua entrevista ao Fantástico, em que foi tratada com simpatia protocolar por Poliana Abritta e Maju Coutinho, o Globo critica Janja em editorial. “Embora seja filiada ao PT desde 1983, não tem histórico de cargos eletivos nem de altos postos no partido. Seu currículo não parece justificar a influência que adquiriu na campanha”, diz o texto. É um lembrete a mais sobre de que lado está a emissora — obviamente, oposto ao de Lula e do que ele representa. Uma hora a ficha cai, ou deve cair. Eis a peça: Foi Rosângela Lula da Silva, a Janja, mulher do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, quem telefonou à senadora Simone Tebet depois do primeiro turno para colocá-la em contato com o marido, de modo a garantir apoio na campanha vitoriosa ao Planalto. “Não tenho nenhum papel de articulação política”, contou Janja em entrevista ao Fantástico. “Pode ter acontecido, mas não que tenha sido uma coisa planejada.” Em comparação com Michele Bolsonaro e cônjuges de outros candidatos, porém, Janja foi bem mais ativa politicamente. Escalou quem entrava em reuniões ou voos com o marido, participou de encontros reservados e nunca deixou de dar sua opinião quando quis. Recentemente, ganhou espaço na transição, com a missão de organizar a festa da posse. A própria Janja se descreve como “propositiva”, alguém que será “uma soma” ao marido no futuro governo. Na entrevista ao Fantástico, falou em “ressignificar o conteúdo do que é ser primeira-dama” e se disse disposta a assumir um papel de articulação com a sociedade civil em pautas importantes, como violência contra as mulheres, garantia da alimentação ou racismo. Revelou buscar inspiração em nomes como Evita Perón e Michelle Obama. Cada nova eleição traz de volta a questão antiga, ainda sem solução ideal: o poder concedido aos cônjuges dos candidatos eleitos. A História traz exemplos de quem manteve discrição, sem surfar na onda de popularidade levantada pelos detentores de mandato. Mas também de quem assumiu funções incompatíveis com as atribuições de alguém que não recebeu um só voto. No primeiro grupo está Denis Thatcher. Nos 11 anos em que sua mulher Margaret esteve no poder no Reino Unido, ele se manteve alheio aos círculos do poder britânico. Ou Joachim Sauer, cujo nome é pouquíssimo conhecido fora da Alemanha — ele é o marido da ex-chanceler Angela Merkel, que governou por 16 anos. No extremo oposto está Hillary Clinton. Quando seu marido Bill assumiu o primeiro mandato nos Estados Unidos, em 1993, ela passou a ter uma sala na Ala Oeste da Casa Branca e foi responsável pelo projeto (fracassado) de mudanças na Saúde. Depois de eleita senadora, Hillary foi derrotada em duas tentativas de chegar à Presidência. Formada em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná, Janja trabalhou por mais de 10 anos na Itaipu Binacional e por cinco na Eletrobras. Embora seja filiada ao PT desde 1983, não tem histórico de cargos eletivos nem de altos postos no partido. Seu currículo não parece justificar a influência que adquiriu na campanha. Mulheres ou maridos de chefes do Executivo necessariamente passam por uma adaptação uma vez no poder. A eleição exige mudança de casa ou cidade, paciência com o olhar constante da imprensa, uma agenda infindável de reuniões, eventos e problemas a resolver. Igualmente desafiador é encontrar um papel a cumprir como primeira-dama ou primeiro-cavalheiro. O mais importante é sempre lembrar quem foi eleito para tomar decisões. Matéria publicada originalmente no link abaixo do DCM https://www.diariodocentrodomundo.com.br/dois-dias-apos-o-fantastico-globo-critica-janja-e-a-influencia-que-adquiriu/

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Basta de violência e imbecilidade

Por Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) – publicado no UOL    A miopia intelectual é a mais constante geradora do egoísmo Rui Barbosa   O comportamento é recorrente, de manada. São palavras de ordem desencontradas, agressivas, vulgares. Não há como identificar uma pauta que não seja a intransigência, a tentativa de pregar a ruptura institucional, mesmo com flagrantes inconsistências. Pregam a intervenção militar e julgam ter o direito de pedi-la por estarem numa democracia!! Nonsense absoluto. Pedem a interferência das Forças Armadas por não acreditarem nas urnas eletrônicas e, depois que os militares atestaram a normalidade da votação, brigam pela interferência das Forças Armadas nas Forças Armadas! Pasmem! São de baixíssimo nível os tais manifestantes. Parecem um bando de desocupados, com déficit cognitivo grave, aproveitando a comida e a bebida de graça, pagas pelos patrocinadores que alimentam a balbúrdia. É urgente desnudar quem são os empresários que estão financiando todo esse show de horror. E puni-los. As cenas desses seres estranhos marchando como debiloides, prestando continência a uma entidade imaginária, bradando por violência contra as autoridades constituídas é de fazer corar por vergonha alheia qualquer cidadão com um pingo de descortino. São toscos. Motivo de dó e escárnio. Importante observar que se comportam como membros de uma seita. Estão espalhados mundo afora e têm no comportamento teratológico uma característica que ressalta um certo orgulho. Parecem ter grande prazer em se sentirem tão banais. A vaidade da banalidade. Além de tudo, são covardes. Agem em grupo, muitas vezes armados, escondem-se no anonimato e na absoluta impossibilidade de estabelecerem qualquer diálogo. É a agressão pela agressão. A irresistível afirmação dos frustrados, sem nenhum espaço numa sociedade civilizada. É o retrato desenhado a bico de pena da figura patética do atual Presidente da República. São seguidores de uma seita que destampou um esgoto e jorrou para fora seres escatológicos. A agressividade desses fanáticos, especialmente contra os ministros do Supremo, tem que ser contida. É necessário que se restabeleça um mínimo de urbanidade. Assim como tenho proposto que sejam responsabilizados todos os integrantes desse governo fascista, pelos crimes que foram cometidos durante a gestão bolsonarista, urge que também responsabilizemos os financiadores dessa insurreição tupiniquim. Que sejam enquadrados de maneira exemplar esses fantoches pintados de verde amarelo. Julgávamos, após as eleições, poder voltar para nossos livros, para a poesia, para a literatura, para o culto às atitudes civilizatórias. Mas, infelizmente, há que se limpar esse entulho autoritário e processar os que ousam se insurgir contra a estabilidade democrática. Imprescindível conter os excessos que nos fazem esquecer que é possível viver com segurança e liberdade, respeitando as diferenças. É hora de sermos intolerantes com os intolerantes. E o limite já está posto: a Constituição da República. Basta exigir que todos cumpram as leis para fazer valer o Estado democrático de direito. Como nos brinda Dostoievski: “A tolerância chegará a tal ponto que as pessoas inteligentes serão proibidas de fazer qualquer reflexão para não ofender os imbecis.” Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) é um advogado criminalista brasileiro, notório pela prestação de serviços advocatícios a políticos, empresários e celebridades

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