Construir Resistência

11 de novembro de 2022

A humanidade de Lula

Por Jorge Antonio Barros E Lula chorou mais uma vez, ao dizer que sua principal missão no governo é combater a fome. Eu já vi Lula chorar outras vezes. Lula chorou no Raso da Catarina, uma ecorregião localizada na parte centro-leste do bioma caatinga, no estado da Bahia. Uma região desértica onde fica Canudos, a terra do beato Antonio Conselheiro, que enfrentou várias expedições do Exército brasileiro. Com Zuenir Ventura, eu cobria para o extinto JB a primeira Caravana da Cidadania do PT, que refez em 1993 o trajeto do migrante Lula, entre Garanhuns (PE) e Santos (SP), Lula chorou em 1989 ao discursar para apoiadores em frente à fábrica da Volkswagen, em São Bernardo, na primeira eleição presidencial pós-ditadura, relembrando sua prisão e as lutas sindicais do ABC. Eu cobria a eleição pelo jornal O Dia. Lula chorou ao receber o diploma de presidente após sua primeira eleição, 2002. Eu vi pela televisão, e chorei também, como bom descendente de nordestinos. Dessa vez, as lágrimas de Lula custaram a queda da Bolsa e uma disparada do dólar. O mercado mostra suas garras. A Faria Lima é uma menina bonita e cheia de curvas perigosas, mas muito sensível. Fareja logo quando algum governo manifesta mais preocupação com os desfavorecidos do que com aqueles que têm a burra cheia de dinheiro. Com o episódio de ontem, fica a sensação de que o mercado pode reunir outro tipo de gente insatisfeita com o resultado da eleição e, que em grupos de WhatsApp ou Telegram, devem ditar as regras para uma corrida ao dólar só pra desequilibrar o lastro do navio da economia nacional. E depois, com a ajuda sempre rápida dos grandes veículos de comunicação, profetizar o caos. Não é novidade que Lula sempre foi emotivo. O mercado não precisa ficar ansioso por isso. Mas não dá pra pedir bom senso ao mercado (até porque ele não mostra a cara, apesar de ter porta-vozes). Quem precisa ter bom senso somos nós, cidadãos e contribuintes que entendem a gravidade da situação política e econômica. Não dá nem para tentarmos comparar a humanidade Lula com a desumanidade de Bolsonaro. Seria demais. Bolsonaro é um egocêntrico e incompetente que, ajudado pelo “Posto Ipiranga”, sequer entregou o que prometeu ao mercado. Também por isso perdeu a eleição. O momento exige da parcela sensata da população não se desesperar e ficar dando ouvidos a qualquer sugestão dos consultores financeiros. Muita calma nessa hora. Queremos, sim, que Lula informe seus planos econômicos, mas depois de tomar posse. Já suportamos quase 700 mil mortos com a Covid-19, na conta do governo atual, e a metade do país não derramou uma lágrima de crocodilo. Jorge Antônio Barros é jornalista e editor-chefe do Quarentena News.

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Militares divulgam nota sobre atos antidemocráticos; “estão sendo coniventes”, diz senador

Do Brasil de Fato    Texto assinado pelos comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica legitima atos e tem indiretas ao Judiciário   Os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica publicaram uma nota conjunta, nesta sexta-feira (11), na qual falam sobre os atos antidemocráticos que questionam o resultado das eleições presidenciais. O almirante Almir Garnier Santos (Marinha), o general Marco Antônio Freire Gomes (Exército) e o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior (Aeronáutica) afirmam que “são condenáveis tanto eventuais restrições a direitos, por parte de agentes públicos, quanto eventuais excessos cometidos em manifestações que possam restringir os direitos individuais e coletivos ou colocar em risco a segurança pública; bem como quaisquer ações, de indivíduos ou de entidades, públicas ou privadas, que alimentem a desarmonia na sociedade”. Os militares, no entanto, não deixam claro a quem se referem quando falam que condenam “restrições a direitos por parte de agentes públicos”. O recado pode ser direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que vem sendo criticado por bolsonaristas por atuar contra a disseminação de desinformação e os atos golpistas. O texto segue instando as “autoridades da República” a darem “imediata atenção a todas as demandas legais e legítimas da população”, como forma de “restabelecimento e a manutenção da paz social”. Entre as principais reivindicações dos atos, estão a intervenção militar para evitar a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desrespeitando o processo eleitoral. “Da mesma forma, reiteramos a crença na importância da independência dos Poderes, em particular do Legislativo, Casa do Povo, destinatário natural dos anseios e pleitos da população, em nome da qual legisla e atua, sempre na busca de corrigir possíveis arbitrariedades ou descaminhos autocráticos que possam colocar em risco o bem maior de nossa sociedade, qual seja, a sua Liberdade.” A nota dos comandantes vem dois dias depois de o Ministério da Defesa apresentar ao TSE o relatório sobre a fiscalização do processo eleitoral, na quarta-feira (9). O documento não aponta nenhum indício, mas não descarta a possibilidade de fraude no pleito. “Não é possível assegurar que os programas que foram executados nas urnas eletrônicas estão livres de inserções maliciosas que alterem o seu funcionamento”, escreveu a pasta. Nota golpista O texto foi recebido com críticas. O senador Omar Aziz (PSD-AM) foi duro contra a nota e afirmou que os militares estão sendo “coniventes” com atos golpistas. “Na nota tem ‘atos democráticos’. Veja se pode ser chamado de ato democrático a pessoa pedir intervenção militar na frente dos quartéis”, afirmou em entrevista ao UOL. “Fico estarrecido que pessoas inteligentes, preparadas, assinem uma nota dizendo que isso é ato democrático. Isso é balbúrdia. É crime. E aqueles que aceitam isso estão sendo coniventes.” Nas redes sociais, o cientista político e historiador Christian Lynch afirmou que a nota visa “endossar a legitimidade das manifestações nas portas dos quartéis e ser lida pelos acampados junto com a nota da Defesa que admite a possibilidade da fraude”. Também no Twitter, a pesquisadora Michele Prado, autora do livro Tempestade Ideológica – Bolsonarismo: A Alt-right e o populismo i-liberal no Brasil, classificou a nota como “golpista”. “Nota golpista do Exército avaliza que o Presidente da República atenda às demandas dos manifestantes de extrema direita que há quase duas semanas pedem por um golpe de Estado. Não foi só humilhação das Forças Armadas que Bolsonaro executou, mas também sua cooptação ao extremismo”. O coronel da reserva do Exército brasileiro Marcelo Pimentel, estudioso das relações entre militares e a política, questionou: “Desde quando Comandantes das Forças Armadas fazem “nota ao POVO e às INSTITUIÇÕES”?” Matéria publicada originalmente no link  abaixo da Brasil de Fato: https://www.brasildefato.com.br/2022/11/11/militares-divulgam-nota-sobre-atos-antidemocraticos-estao-sendo-coniventes-diz-senador

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Bozo gastou mais de R$ 3 mi por mês com cartão corporativo

  Veja reportagem do Congresso em Foco  com base em levantamento feito no Portal da Transparência.   Levantamento do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) no Portal da Transparência revelou aumento de gastos sigilosos do presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputou a reeleição e foi derrotado, durante o período eleitoral. As faturas de agosto, setembro e outubro deste ano somam R$9.188.642,20, média de R$3.062.880,73 por mês. O deputado diz que, para se ter uma ideia do impacto dos gastos, o valor supera em 108% a média mensal do ano passado, que foi de R$1.574.509,64. “Os valores são absurdos. Enquanto temos 33 milhões de brasileiros passando fome, Bolsonaro torra milhões com cartão corporativo, pago com dinheiro público, mantendo os gastos sob sigilo”, destaca o parlamentar. O parlamentar apresentou requerimento à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara solicitando auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) nas despesas de agosto a outubro. O deputado quer saber qual a natureza dos gastos nesse período em relação à média anterior, incluindo alimentação, hospedagem e passagens aéreas. Elias Vaz pede informações sobre o quantitativo de pessoal que acompanhou o presidente e se as despesas coincidiram com agenda de campanha. “É preciso passar um pente fino sobre esses gastos. A auditoria é fundamental para detectar se houve abuso no período eleitoral com recursos públicos”, salienta Elias Vaz.

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“Nunca vi mercado tão sensível como o nosso que fica nervoso à toa”, diz Lula

Da Hora do Povo    “Reação” se deu após presidente defender o pobre no orçamento. “É engraçado que esse mercado não ficou nervoso durante quatro anos [do governo] Bolsonaro”, completou o presidente O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, comentou, nesta quinta-feira (10), a reação do chamado mercado ao seu discurso defendendo a necessidade do país voltar a crescer, criar empregos, colocar o pobre no orçamento e acabar com a fome. “O mercado fica nervoso à toa”, disse Lula. “Não vi o mercado tão sensível como o nosso. É engraçado que esse mercado não ficou nervoso durante quatro anos [do governo] Bolsonaro”, completou o presidente, ao ser questionado por jornalistas após sair de reunião com parlamentares aliados na sede da equipe de transição, em Brasília. Lula apontou em seu discurso que voltou ao governo com uma missão: fazer o país voltar a crescer e melhorar a vida das pessoas. Ele afirmou que esta será a sua “regra de ouro”, numa alusão a um dos instrumentos do neoliberalismo que representam um dos maiores entraves aos investimentos que gerem emprego, que promovam o desenvolvimento e que acabe com a fome no país. “Por que as pessoas são obrigadas a sofrer para garantir a responsabilidade fiscal deste país? Por que falam toda hora que é preciso cortar gastos, fazer superavit, cumprir teto de gastos?”, disse. “Sabe qual é a regra de ouro nesse país? É garantir que nenhuma criança vá dormir sem tomar um copo de leite e acorde sem ter um pão com manteiga para comer todo dia”, enfatizou Lula. Ele disse que o “mundo do trabalho” e a “reforma da aposentadoria” têm que ser rediscutidos para garantir direitos e qualidade de vida. “Parece pouco, mas a reforma da aposentadoria fez com que um trabalhador que recebia R$ 2.000 fosse receber R$ 1.300 agora. Uma mulher que recebia R$ 2.000 de pensão do marido vai receber metade disso”, criticou. “Por que o povo pobre não está na planilha da discussão da macroeconomia? Por que a gente tem meta de inflação, mas não tem meta de crescimento?”, indagou o presidente. “Se, quando eu terminar o mandato, cada brasileiro estiver tomando café, almoçando e jantando, outra vez serei o político mais feliz da vida”, completou.

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