Construir Resistência

7 de novembro de 2022

Estamos condenados a torcer por fanáticos religiosos

Por Daniel Spirin Reynaldo Dos 26 convocados da Seleção Brasileira que vão disputar a Copa do Mundo no Qatar, a ampla maioria dos jogadores tem lado político bem à direita. Outros tantos só sabem agradecer à Deus pelos seus gols e conquistas. A cada vitória dos profissionais da bola evangélicos, frases como “foi o Senhor que me permitiu…”, “quero agradecer à Deus por essa vitória…”, “Jesus me ajudou neste caminho…”. Palavras de agradecimento aos massagistas, roupeiros, porteiros, maqueiros e funcionários dos clubes e da CBF são raras. O próprio caminho trilhado da miséria à glória de muitos desses atletas dificilmente será lembrado pelo esforço próprio e pela luta daqueles que acreditaram e investiram neles. Mais fácil atribuir tudo à Deus de joelhos no gramado e com o dedo apontado para o céu. Fico imaginando se fossem os jogadores árabes à beijar o chão por Alah a cada gol marcado, que escândalo! Estamos fadados a torcer para uma seleção de jogadores de futebol que mais parecem ter saído de um culto da Assembleia de Deus. A camisa verde e amarela, outrora patrimônio de um povo sofrido e trabalhador, carrega hoje o cheiro e a imagem de tudo aquilo que o Brasil mereceria se livrar: o fanatismo religioso e a intolerância social. Se ganhar, bem. Se não ganhar, amém.   Daniel Spirin Reynaldo é jornalista, editor do site Coletivo Comunicação Popular e especializado em comunicação em saúde.  

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A democracia segue ameaçada e as instituições devem agir

Por Rogério Guimarães Oliveira    Está muito claro e evidente que há um movimento financeiro gigante por trás de todas estas manifestações golpistas, financiando desde um amplo sistema de comunicação via redes Whatsapp e Youtube, até a organização e estruturação destes atos golpistas em frente aos quartéis em todo o país. Há grandes empresários brasileiros e fortes financiadores estrangeiros secretos colocando dinheirama grossa para bancar isso tudo. Os sinais disso estão por todo lado. Muitas empresas estão liberando e orientando seus empregados para que participem destes atos, além de disponibilizar estruturas de grande porte para a infra-estrutura destes atos. Só não vê quem não quer. Frotas inteiras de ônibus estão sendo pagas para levar grande parte do pessoal a estes atos, na ida e na volta. Em cada acampamento em frente a quartéis, há uma estrutura que serve lanches, refeições e até churrascos, com bebidas incluídas, tudo de graça, aos participantes. A ideia orquestrada por trás deste movimento, que pode até parecer patético ao pedir, explicitamente, um golpe militar, está a meta de impedir Lula de tomar posse ou, caso empossado, de governar o país. A pacificação política da sociedade brasileira, está claro hoje, não resultará da pura e simples finalização do processo eleitoral desde último dia 30, com a derrota do bolsonarismo. Acompanhei alguns discursos da semana passada de deputados odientos da extrema-direita na Câmara Federal. Eles estão “prometendo” coisa bem pior do que Aécio Neves prometeu contra o governo Dilma, quando do seu famoso discurso no Senado após ter sido derrotado nas eleições de 2014, não aceitando os resultados. É mais do que hora do Ministério Público, do Superior Tribunal Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal abrirem, com urgência, uma investigação profunda que desmonte a caixa preta dos financiadores deste movimento. E que identifique quem está por trás dele, coordenando tudo. Os brasileiros conscientes e progressistas devem cobrar estas providências imediatas das instituições que existem para assegurar o Estado de Direito. Não basta somente vencer as eleições. É preciso que a sociedade trabalhe agora para proteger os resultados e fazer valer os valores democráticos que estas eleições traduzem. Há um movimento de direita que ressurgiu no mundo e isto, certamente, está influenciando fortemente tudo o que ocorre em nosso país neste momento. Este movimento golpista já extrapolou, em muito, os limites de um mero choro de perdedores. A imprensa, em relação a tudo isso, não está fazendo o seu papel. Pois, infelizmente, não investiga e não denuncia este movimento lesa-democracia financiado e orquestrado que desafia e corrói, todos os dias, os valores da nossa democracia. O Brasil democrático precisa agora encerrar os festejos da eleições de Lula, arregaçar as mangas e ir trabalhar para a manutenção dos valores democráticos que foram resgatados nestas eleições.   Rogério Guimarães Oliveira é advogado com especializações em Direito Civil, Processual Civil, Consumidor, Empresarial, Financeiro, Bancário, Imobiliário e Securitário.    

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A precipitada oposição de esquerda

Por Paulo Pasin Aniquilar o fascismo. Este deve ser nosso objetivo estratégico . Foi dado um grande passo com a vitória de Lula nas eleições, mas a guerra continua. Porém já tem gente anunciando que são oposição de esquerda, antes mesmo da posse estar garantida. Aprendi com um camarada revolucionário que devemos ter noção de tempo e proporção para não seremos ridicularizados pela classe que julgamos defender. Por mais que citem nossos mestres, em cada longo texto teórico, quem acha que a extrema-direita já está derrotada e que a tarefa agora é mobilizar a classe em oposição ao futuro governo ,”futuro governo” ainda não empossado, propagandeando o programa máximo da revolução, vive numa realidade paralela. São negacionistas do verdadeiro leninismo . “Lênin dizia que o marxismo busca alcançar uma análise estritamente exata e objetivamente verificável das relações de classe e das características concretas próprias de cada momento histórico”. “Ou seja, estudar cuidadosamente a realidade para descobrir as tendências que apontam para a revolução proletária e as que se opõe a ela, bem como as relações entre ambas. Isto é nada menos que a caracterização do “momento histórico” dado. Não é uma tarefa simples definir “o momento histórico” , nossas organizações são frágeis, com pouquíssima inserção na classe, em especial nos setores oprimidos. Possuímos poucos quadros realmente provados nos grandes processos da luta de classe. Por isso a chance de errar é enorme. Mas existem fatos da realidade que saltam aos olhos. Nem mesmo a duríssima batalha eleitoral, uma das mais difíceis e emocionantes que vivi nos mais de quarenta anos de militância (quem esteve na Paulista no dia da vitória sabe o que estou dizendo), fez com que os “terrivelmente revolucionários” refletissem sobre sua atuação. Uma pena. São valorosos. Paulo Pasin é metroviário aposentado do Metrô de São Paulo e ex-presidente da Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários).

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O domingo de Cassia Kis

Por Lilian Newlands – publicado originariamente no Quarentena News Domingo, 18h, fila no Zona Sul do Leblon Cassia Kis continua uma mulher bonita. Apesar de estar no meio do furacão e alvo da indignação de muita gente por seu apoio ao ainda presidente, suas declarações contra os homossexuais, e – dizem – seu talento para criar antipatias no ambiente em que trabalha, a vida não lhe descascou. Continua bonita, sim. Elegante e bem cuidada. Isso de se ajoelhar na rua, terço nas mãos, na corrente contrária da maioria de seus pares globais e da maioria do país, deve ter um preço a pagar. Defender o ainda chefe do país, destronado mas certamente tramando, não é nada elogiável. Em quatro anos de sufoco o homem disse a que veio com todas as letras e salivadas. O mundo sabe disso. Além do mais, não estamos vivendo o tal “tempo da delicadeza”, mas de cólera desorientada. Enquanto a atriz aguardava o caixa gritar “caixa livre”, um grupo a rodeou. Uma das mulheres foi logo dizendo: “Ah, eu te vi mas não queria incomodar, hoje é domingo, dia de descanso”. – A novela tá fazendo sucesso. – Ainda tem muito mais pela frente e está cada vez melhor – respondeu a atriz, que ontem esteve em mais uma manifestação golpista. – Claro, brasileiro é noveleiro – devolveu a fã. Sorrisos de lado a lado e outras frases perdidas. Não se sabe se o “está cada vez melhor” de Cassia refere-se à história de Gloria Perez ou às intenções da atriz de seguir em sua cruzada. Foi só um flash, inocente e cordial. Típico do poder das novelas no Brasil. O público não se contem, precisa ver de perto. Porque de longe – afirma o ditado – todo mundo é normal. Cassia está sendo processada por organizações LGBTQIAP+, por suas falas homofóbicas. Lilian Newlands é jornalista e escritora, colunista do Quarentena News  

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A morte do cabo eleitoral de um ditador

Por Fábio Lau Modelo, gogo boy, ator, assassino, presidiário, pastor, cabo eleitoral de um ditador. Esse é um personagem que criei. Penso em roteirizar num filme. Mas acho que vai ficar muito falsão… Mas o anti-herói precisaria morrer, certo? Seria um roteiro moralista. Como dos filmes americanos. Mostrar que o crime não compensa. Pensei se não deveria ser assassinado pela mulher de um político com quem mantinha um caso. Fiel da igreja. Ou por um pastor invejoso que daria, sorrindo, a notícia da morte. O pastor envenenaria as páginas da Bíblia – sim, como em “O nome da Rosa”. Ou um enfarte fulminante enquanto assistia pela milionésima vez ao DVD de quando, mocinho da novela, contracenava com a princesa a quem assassinaria covardemente. Ou ainda: ao receber o telefonema da mãe da atriz assassinada, 30 anos antes, que diria do outro lado da linha: “te perdoo! Aliás, nunca te odiei!” Sugestões…. * Qualquer semelhança…   Fábio Lau é jornalista, roteirista, radialista e empresário

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