Construir Resistência

27 de outubro de 2022

Cinegrafista do caso Tarcisio teme pela vida de sua família

O cinegrafista Marcos Andrade pediu nesta quinta-feira (27) a  rescisão de seu contrato com a Jovem Pan. Andrade foi o responsável por captar as imagens do tiroteio em Paraisópolis, favela de São Paulo, no último dia 17 que provam a farsa montada por Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato a governador do estado, para se vender como vítima de um atentado enquanto fazia campanha na região. Ele foi pressionado pela campanha do candidato a apagar as provas e relatou à Folha de S. Paulo que a equipe de Tarcísio estaria pedindo à Jovem Pan sua demissão. Na entrevista, Andrade afirmou temer retaliações contra sua família. “Eu também estou assustado, porque você não sabe com quem está lidando. Medo não por mim, mas pela minha família, entendeu? Eu estou com minha esposa para ganhar nenê neste próximo mês. A minha preocupação é só essa, da minha família, entendeu, da integridade física de todos. Eu espero que acabe tudo bem, é a minha esperança, para a minha pessoa, para a minha família. Claro que eu tenho medos”, afirmou. Andrade disse ter feito seu trabalho corretamente. “Eu, como jornalista, não vejo erro. Porque em nenhum momento estou mentindo, estou acrescentando vírgula, estou acrescentando ponto. A meu ver, eu não fiz nada de errado. Se alguém fez alguma coisa de errado, não fui eu”. Andrade contou que filmou um agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e policiais à paisana, da equipe do próprio Tarcísio, disparando tiros em Paraisópolis, numa ação que matou um jovem desarmado chamado Felipe Silva de Lima, de 28 anos. Coragem A jornalista Mônica Bergamo destacou pelo Twitter nesta quinta-feira (27) a coragem do cinegrafista da Jovem Pan Marcos Andrade, que, em entrevista à Folha de S. Paulo, entregou a farsa montada pela campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato a governador de São Paulo, em Paraisópolis.”A entrevista de Marcos Andrade revela fatos escandalosos. Mais que isso: revela um homem corajoso. Que enfrenta o medo e filma o tiroteio de Paraisópolis. Que enfrenta de novo o medo e revela a pressão por sumiço de provas da equipe de Tarcísio de Freitas”, escreveu a jornalista. Nota do Sindicato e Fenaj O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) repudiam a tentativa de intimidação cometida por membros da campanha do candidato a governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a um jornalista da Jovem Pan. Áudio revelado pelo jornal Folha de S.Paulo aponta que um membro da campanha de Tarcísio mandou um repórter cinematográfico da Jovem Pan apagar imagens de um agente de segurança disparando sua arma em Paraisópolis, na zona oeste de São Paulo, no último dia 17/10, o que interrompeu a agenda do candidato e terminou com um suspeito morto, pela polícia ou por seguranças de Tarcísio. “Você filmou os policiais atirando?”, questiona um integrante da campanha em áudio obtido pela Folha de S. Paulo. “Não, trocando tiro efetivamente, não. Tenho tiro da PM pra cima dos caras”, responde o profissional da emissora. O integrante da campanha pergunta também se ele havia filmado as pessoas que estavam no local onde o evento com Tarcísio de Freitas foi realizado. “Você tem que apagar”, diz o homem. Com o vídeo apagado, não se poderia afirmar ao certo quem foi o autor dos disparos. Para o Sindicato e a FENAJ, a ação da equipe da campanha do candidato ao governo de São Paulo configura uma tentativa de intimidação ao profissional e de cerceamento da atividade jornalística, atingindo o direito à informação e a liberdade de imprensa. É sempre bom lembrar que a Constituição do Brasil estabelece as liberdades de expressão e de imprensa, proibindo a censura prévia. Portanto, é uma atitude inaceitável e ilegal a ação dos membros da campanha do candidato. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros pontua que a obstrução à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade (Art 1, inciso V). Desta forma, o Sindicato e a FENAJ cobramos que Tarcísio de Freitas venha a público manifestar-se em favor do livre exercício do Jornalismo e informar a sociedade sobre as medidas tomadas no âmbito da sua campanha. São Paulo, 25 de outubro de 2022 Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)  

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Que mal há com esses amigos?

Por Milton Pereira ADRIANO DA NÓBREGA – ex-capitão do BOPE, miliciano e chefe do Escritório do Crime, foi executado pela polícia na Bahia quando estava foragido. Em 2004, preso no Batalhão Especial Prisional por assassinato, foi condecorado com a Medalha Tiradentes por Jair Bolsonaro e seu filho Flavio. Ao todo, o clã Bolsonaro pediu a condecoração de 16 policiais militares denunciados em organizações criminosas. ALLAN DOS SANTOS – fundador do extinto site Terça Livre, vive nos Estados Unidos e tem contra ele um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, por ataques às instituições e divulgação de fake News. DAMARES ALVES – desmascarada depois de não conseguir provar as acusações, durante culto, de sequestros e estupros fantásticos em crianças de 2 a 6 anos de idade. DANIEL SILVEIRA – deputado bombadão que foi condenado e tornado inelegível por ataques às instituições e ameaças a ministros do STF. Recebeu o benefício da graça por Bolsonaro. FABIO WAJNGARTEN – chefe da Secom, é dono da FW Comunicação e Marketing, que recebe dinheiro de emissoras de TV, entre elas a Band e a Record, e de agências de publicidade contratadas pela própria Secom, ministérios e estatais do governo. FABRÍCIO QUEIROZ – o ex-policial militar cumpriu pena junto com o companheiro de crimes Adriano da Nóbrega por assassinato e formação de milícia. Queiroz se tornou famoso por ser o tesoureiro de Flavio no caso das rachadinhas em seu gabinete. FLORDELIS – condenada por articular a morte de seu filho-marido por um de seus 55 filhos. GABRIEL MONTEIRO – ex-policial militar e deputado cassado por estupro de vulnerável e abuso de poder. GENERAL EDUARDO PAZUELLO – quando ministro da Saúde teve envolvimento direto nos escândalos de corrupção denunciados pela CPI da covid. MILTON RIBEIRO – o pastor deixou o ministério da Educação após vazar uma gravação na qual afirma que repassava verbas do ministério para prefeituras indicadas por dois pastores, a pedido do presidente Jair Bolsonaro. Os pastores negociavam o pagamento de propinas em barras de ouro e contratos de compra de Bíblia com prefeitos em troca de facilitação no acesso às verbas federais. NEYMAR – o jogador está sendo julgado na Espanha por fraude contratual. RICARDO SALLES – quando ministro do Meio Ambiente foi alvo da operação Akuanduba da Polícia Federal, por ter facilitado a exportação ilegal de madeira do Brasil para os Estados Unidos e Europa. Foi o ministro que sugeriu passar a boiada nas regras ambientais no meio da pandemia. ROBERTO JEFFERSON – condenado e cumprindo prisão domiciliar atacou e ofendeu a ministra Carmen Lucia do STF. O ministro Alexandre de Moraes determinou sua imediata remoção ao presídio, mas este recebeu os agentes federais com tiros de fuzil e granadas, ferindo um delegado e uma agente. ROBINHO – o jogador foi condenado na Itália a 9 anos de prisão por estupro coletivo em uma jovem de 23 anos. Milton Pereira é jornalista, artista plástico e músico

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Terror: Abin executa jovem na farsa da campanha do Tarcisio

Por Arthur Rodrigues – da Folha de S. Paulo Com 30 anos de profissão, o repórter-cinematográfico Marcos Andrade, 49, se viu envolto em uma crise após um integrante da campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) mandar que ele apagasse imagens de um tiroteio em Paraisópolis. O caso aconteceu no dia 17, momentos depois de os tiros interromperem uma agenda do candidato ao Governo de São Paulo. Profissional a serviço da Jovem Pan, com experiência em coberturas difíceis e em áreas de conflito, Andrade foi o único a flagrar os momentos mais tensos do episódio, o que inclui pessoas à paisana atirando após rajadas supostamente disparadas por criminosos. Ao chegar na base de campanha do candidato, relata ter sido abordado com a ordem para apagar imagens que flagrariam membros da equipe. Desconfiado, gravou a conversa. O assunto ganhou repercussão e virou munição para o adversário de Tarcísio, Fernando Haddad (PT). A polícia pedirá as imagens para investigação, e o grupo Prerrogativas, formado por juristas e advogados que apoiam a campanha do PT nestas eleições, apresentou nesta quarta (26) uma notícia-crime ao Ministério Público de São Paulo pedindo apuração. Após o caso ser revelado pela Folha, Andrade diz que seu desligamento foi pedido pela equipe de Tarcísio e que a emissora teria sugerido que ele gravasse um vídeo para o candidato. Na terça, Tarcísio disse que o “momento de tensão” pode ter levado um integrante da equipe a pedir ao cinegrafista para apagar as imagens para “preservar a identidade de pessoas que fazem parte da nossa segurança” e que “a imprensa passa a ser sensacionalista com isso”. A campanha de Tarcísio negou qualquer pressão para que o cinegrafista fosse demitido. “No dia do ocorrido, inclusive, ele fez um vídeo emocionado dentro da van, agradecendo o Tarcísio por tê-lo tirado do local do tiroteio. No dia seguinte, na chegada a uma sabatina da Jovem Pan, o próprio cinegrafista fez questão de receber e agradecer Tarcísio mais uma vez, além de tirar fotos e dizer que toda a família estava muita agradecida pelo que havia sido feito por ele”, diz a equipe do candidato em nota. A Jovem Pan, por meio de nota, afirmou que exibiu todas as imagens feitas durante o tiroteio. “O trabalho do cinegrafista permitiu que a emissora fosse a primeira a noticiar o ocorrido no local. Não houve contato da campanha do candidato Tarcísio com a direção da emissora com o intuito de restringir a exibição das imagens e, por consequência, o trabalho jornalístico.” O profissional, agora, diz que pretende se desligar da empresa e que teme as consequências do episódio para sua família. Leia trechos de entrevista à Folha: TIROTEIO “Eu começo a escutar uns disparos de arma de fogo, a impressão que eu tinha era umas rajadas de metralhadora. Eu fui para a janela, e olhando para o lado direito eu vi umas motos passando. Coisa de dez minutos depois as motos deram a volta pelo quarteirão, foram para a rua de cima, e começa o novo tiroteio. Aí eu pego a câmera e vou para janela. Inclusive, todo mundo falava ‘se abaixa’, e houve um pânico generalizado. E eu fui para a janela. Só que aí eu vejo umas pessoas à paisana na parte de baixo, na porta da escola, disparando arma de fogo no sentido da rua de cima. Eu vejo o Tarcísio com o pessoal saindo do prédio e indo para o estacionamento. Eu fiz essas imagens, tanto essas como das pessoas embaixo atirando. Desci. Chego na calçada e vejo lá na esquina, na parte de cima no meio da rua, uma pessoa caída e uma moto no chão. Eu me abrigo até uma coluna. Quando eu chego para gravar esse corpo e a moto que está no chão, chega uma pessoa falando para eu não gravar. Na hora que eu vou para a parte de cima, onde o corpo e a moto está caída, eu vejo o rapaz que eu tinha conversado a respeito de pedir reforço. Eu vejo ele armado e com distintivo da Abin [Agência Brasileira de Inteligência]. E outro rapaz que tenta me impedir também está com distintivo, mas eu não consigo ver bem o que era o distintivo dele. ORDEM Vi a minha colega [de trabalho] saindo da escola com uma assessora do Tarcísio e indo para van, e elas me chamam: ‘vamos para van’. Estou pensado que estão tirando a gente do perigo ali, e no primeiro momento fôssemos desembarcar, mas em nenhum momento parou a van, e fomos embora. Chegando lá [na base da campanha], nós fomos colocados para dentro, para não ter muito a movimentação, porque acho que nem vizinho sabia que aquilo ali era um escritório da base da campanha. Chega alguém e fala assim: ‘vamos lá em cima [que querem falar com você]’. Eu achei esquisito. Ficou uma dúvida, e na dúvida grava. Eu não estou com a câmera na mão. Peguei meu celular e fui gravando áudio com celular na mão. O cara se apresenta [o homem foi identificado pelo site Intercept Brasil como Fabrício Cardoso de Paiva, um agente licenciado da Abin que foi reconhecido também por Andrade por meio de fotografias]. Aí tem a gravação [em que a voz pergunta sobre o tiroteio e sobre o que havia sido filmado, e manda Andrade apagar as imagens]. Eu achei muito estranho, eu não faria em momento algum por questão da profissão mesmo. Eu não apaguei isso [as imagens já haviam sido enviadas à emissora]. Pode ser que [Tarcísio] estivesse no ambiente, mas não na conversa. A conversa foi de pé de orelha. Minha opinião [sobre o motivo da ordem] é que alguém que estava lá que não devia estar. É isso. SEGURANÇAS Tem muita polícia. Só que você não consegue distinguir quem é quem. Quando você olha para o lado e fala assim: tem um federal aqui, um cara da Abin, um militar. Isso é normal? Eu já fiz várias campanhas. [Candidato ao governo do] estado, praxe, [é ter] policial militar. Você está acompanhando um candidato à Presidência da República, você vê policiais federais. Agora,

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