Construir Resistência

1 de outubro de 2022

Tempos de paranoia delirante

Por Milton Pereira Estamos às vésperas de uma eleição presidencial. O país passou por momentos sombrios, com milhares de mortes, milhões de esfomeados, milhões de desempregados, mentiras e calúnias divulgadas na mídia e nas redes sociais, perdas de direitos, perdas de riquezas naturais, perdas de monopólio e perda da soberania nacional. Será que estamos prestes a nos despedir de um governo formado por pessoas que, dependendo do que podem lucrar, arriscam-se a fazer qualquer coisa? Basta ver do que foram capazes os parlamentares e integrantes dessa balbúrdia governamental: André Mendonça, o pastor-juiz com suas articulações terrivelmente evangélicas que o levaram ao STF; Augusto Heleno, o general da Inteligência que fazia cantoria sobre o Centrão; Carla Zambelli e os inúmeros processos que respondeu por mentiras servindo de capacho para Bolsonaro; Carlos Decotelli, o ministro da Educação que não virou ministro porque mentiu sobre a sua educação; Ciro Nogueira e o domínio do orçamento secreto do governo; Damares Alves, a pastora que prega direitos desumanos para a mulher e a família depois de conversar com Jesus em cima da goiabeira. Ernesto Araújo, o diplomata que prega em suas relações exteriores Deus, pátria e família nos países antifascistas; Fábio Faria, aquele que não faria mas faz muito pelo sogro; General Eduardo Pazuello, que dispensa comentários; Gilson Machado e seu turismo sanfoneiro desafinado; Gustavo Bebianno, o ministro que sabia demais e foi infartado; Marcelo Alvaro Antônio e seu laranjal; Marcelo Queiroga, o ministro da Saúde que condenou a vacinação; Marcos Pontes, o ministro astronauta que está mais para terraplanista; Mario Frias e o congelamento da Cultura; Milton Ribeiro, o pastor-ministro belicista e o mistério das barras de ouro e bíblias com seu retrato; Osmar Terra, o médico que defendeu a covid-19 como sendo uma gripezinha sem maiores problemas; Paulo Guedes, o ministro Posto Ypiranga que se empenha pela própria economia em contas no exterior; Paulo Sérgio, o general que faz sua defesa do voto impresso enquanto nossas fronteiras são invadidas por mercenários de ouro e madeira; Ricardo Salles e o início do fim do meio ambiente; Sergio Camargo e sua Fundição Palmares; Sergio Moro, o ex-juiz e suas fraudes processuais para condenar um candidato e ascender a um cargo político no governo que ajudou a eleger; Tarcísio de Freitas e sua falta de estrutura na intenção de governar São Paulo; Tereza Cristina, a rainha dos venenos e sua pecuária com abastecimento de alimentos contaminados por defensivos agrícolas. Milton Pereira é jornalista, artista plástico e músico

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O sol há de brilhar mais uma vez

Por Simão Zygband     Enfim, chegamos às vésperas das eleições mais importantes pós ditadura militar. Não gostaria de me alongar muito nos motivos para eleger Lula presidente, de preferência ainda no primeiro turno, já que muito já se escreveu sobre o tema. Falta agora, digitar novamente 13 na urna, não esquecendo de proporcionar ao novo mandatário governadores, senadores, deputados estaduais que permitam que ele possa implementar as mudanças que todo o povo brasileiro espera com ansiedade. Prefiro me utilizar de uma música de Nelson Cavaquinho, escrita há quase 50 anos, que bem reflete, na minha opinião, o anseio de todo o povo brasileiro, para exprimir o que acho sobre a importância de eleger Lula amanhã, colocando fim a um período de trevas, incorporado pelo atual ocupante da cadeira presidencial. Tenho a impressão (gostaria que fosse a certeza) de que o pesadelo se encerra neste histórico dia 2. Mas veja que primor é o samba de Nelson Cavaquinho, imortalizado na voz de Clara Nunes e de Elza Soares.: “O sol há de brilhar mais uma vezA luz há de chegar aos coraçõesDo mal será queimada a sementeO amor será eterno novamente É o juízo finalA história do bem e do malQuero ter olhos pra verA maldade desaparecer” Veja o vídeo no link abaixo https://www.youtube.com/watch?v=rgcTGJQNNe8 Enfim, como disse, não vou me alongar, aproveitando para publicar um texto da psicanalista Celina, filha do cronista Lourenço Diaféria, preso pela ditadura militar por publicar uma crônica no jornal Folha de S.Paulo, no dia 1º de setembro de 1977. Ele sintetiza os nossos pensamentos de por que votar em Lula amanhã: “Me perguntaram por que voto em Lula amanhã, e só pude dizer: Eu me identifico com cada família enlutada Com cada animal queimado Com cada árvore derrubada Com cada indígena morto Com todas as lideranças assassinadas E a dor que sinto não cabe em grupos de WhatsApp Não voto em quem aposta na tortura e na morte”. Acho também oportuno republicar texto do próprio Lourenço Diaféria, publicado em setembro de 1980, cinco meses após Lula ser preso pelo DOPS durante a ditadura militar. Foi a primeira prisão arbitrária do líder metalúrgico que iria se transformar em presidente da República. Bilhete pra um operário: “És acusado de teres o desplante de ser líder num país desnaturado onde quem levanta a fronte é triturado. És acusado de haveres perdido a paciência de esperar pelo futuro que não chega nunca. És acusado de usares sapatos 42, de couro, quando o normal é sandália havaiana. És acusado de romperes as cadeias invisíveis que amarram teus braços peludos e tuas mãos penadas. És acusado de atraíres os operários com tua voz, teu berro, teu silêncio, teu olhar, tua dor, tua ânsia, teu mistério, e saberes contar, sorrindo, tristes histórias recolhidas em barracos e cômodos-e-cozinhas. És acusado de estares em pé, quando devias estar de bruços, de borco, exangue e vencido. És acusado de não seres o que queriam que tu fosses. Meu caro operário sentado no banco dos réus, por favor, recebe este recado: Se existir mesmo essa senhora difusa e vaga a que chamam Justiça, confia nela. Não creio que essa matrona seja cega”. (*) Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo, no dia 15/09/1980.

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