Construir Resistência

1 de setembro de 2022

Djamila, a primeira pessoa negra, toma posse na Academia Paulista de Letras

Da Redação Foto: Lizandra Magon de Almeida   A escritora, filósofa e acadêmica Djamila Ribeiro tomou posse nesta quinta-feira (1) na Academia Paulista de Letras (APL). Ela foi eleita para ocupar a cadeira de n° 28 que foi de Lygia Fagundes Telles. É a primeira pessoa negra a fazer parte da instituição. Participaram da posse na Academia Paulista de Letras a poetisa Conceição Evaristo, a deputada estadual Lecy Brandão, o deputado federal Orlando Silva, a filha de Djamila, Thulane e Pai Rodney. Djamila Ribeiro possui 5 livros publicados e alguns deles traduzidos para o francês, espanhol, italiano e alemão. As suas obras mais conhecidas são: “O que é lugar de fala?” (2017), “Quem tem medo do feminismo negro?” (2018), “Pequeno Manual Antirracista” e “Lugar de Fala” (2019). Ela é mestre em filosofia política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), colunista dos veículos Folha de S.Paulo e da revista alemã Der Spiegel, além de coordenar a coleção literária “Feminismos Plurais”. Pela importância dos seus livros e o trabalho que realiza, a escritora ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas em 2020, o “Personalidade do Amanhã”, pelo governo francês, e o Prêmio Prince Claus, do Reino dos Países Baixos, ambos em 2019.  

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Compra de mansões em dinheiro foi a pá de cal na campanha de Bolsonaro

Por Simão Zygband Sempre se pode estar errado e é fácil se enganar quando a previsão é de futuro. Não existe esta futurologia sempre habilmente conduzida pelas cartomantes. Mas a notícia da Folha de S.Paulo, um furo de reportagem dos jornalistas Thiago Herdy e Juliana Dal Piva de que o clã presidencial adquiriu 107 imóveis, dos quais 51 em dinheiro vivo foi a pá de cal na candidatura do miliciano Jair Bolsonaro. Tenho alguma experiência em campanha e o eleitor demora um tempo para assimilar uma informação. Não basta fazer um ataque a um adversário para reverter votos. Mas este fato é extremamente demolidor e facilmente digerível pelo eleitorado. A informação da compra de mansões no “cash”, admitida pelo próprio candidato ocupante da cadeira presidencial (“qual o problema de comprar imóvel com dinheiro vivo?”), dificilmente permitirá uma reação da já combalida campanha do capitão reformado, que entre outras proezas, ataca a jornalista Vera Magalhães, durante o debate na TV Bandeirantes, em pool com outros veículos de comunicação, de maneira misógina, machista e grosseira, para um eleitorado majoritariamente feminino. Ele já havia insultado a repórter Patrícia Campos Mello, da mesma Folha de S.Paulo (pelo qual foi condenado a pagar indenização), fazendo uma ironia grotesca (como lhe é comum) dizendo em público “ela queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço”, provocando estúpidas risadas gerais. Mas exatamente um “furo jornalístico” vai fazer literalmente a casa de Bolsonaro cair (sem qualquer ironia, claro). Bolsonaro por si só é um desastre e nunca escondeu isso de seu eleitorado tacanho. Votaram nele os ignorantes que acreditaram que ele iria combater a corrupção, movidos também por um histérico antipetismo construído para combalir os dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sacramentar o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. Claro que todas estas questões ainda pesam muito no imaginário do eleitorado conservador que, mesmo tendo o ex-governador Geraldo Alckmin como vice, ainda vê em Lula um incendiário comunista, comedor de criancinhas, que junto com o MST e o MTST invadirão casas e fazendas, implantando a ditadura de esquerda no Brasil. De fato não conhecem o hiper conciliador Luiz Inácio, que já provou que é e sempre foi o Lulinha Paz e Amor. Haja o que houver, acredito que a campanha da Imobiliária Bolsonaro, que compra milhões em imóveis no dinheiro vivo, está mortalmente ferida. Cai por terra a equivocada imagem de honestidade, exatamente do presidente mais desonesto que o Brasil já teve. Claro que com este tipo de gente nunca é bom bobear e todos devem sempre estar empenhados em puxar votos para Lula, até a abertura da urnas. Mas 2 de outubro está logo aí para revelar a verdade.   Veja alguns memes e frases  que estão explodindo nas redes sociais:   -“51 imóveis pagos em dinheiro vivo. Isso explica por que raramente vejo uma nota de 200 reais”. “Para carregar R$ 26 milhões, a família Bolsonaro precisaria de apenas 28 malas ou mochilas com a capacidade de transportar 12,8 litros em dinheiro”. “Bolsonaro nunca foi herdeiro, nunca foi empresário e foi expulso do exército com 32 anos de idade. Depois disso foi deputado por 348 meses, a soma de todos os seus rendimentos nesse período (como deputado e capitão reformado)  é igual a 10 milhões 432 mil 590 reais e 54 centavos. Detalhe: essa conta leva em consideração que ele não gastou um real com nada! Só guardando o dinheiro no banco. Pergunta-se: de onde veio os 26 milhões de reais que Boisonaro usou pra comprar 51 imóveis em dinheiro vivo? Lembrando que são 107 imóveis comprados, se ele financiou, como ele pagou? As contas não batem. #BolsonaroCorrupto”.            

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“A minha causa é dar dignidade e respeito a 215 milhões de brasileiros”

Do Lula em Manaus  “Morei em um quarto e cozinha com 13 pessoas. Sei o que é uma mãe ficar em pé na beira do fogão e não ter um feijão. Então minha obsessão era que o povo pudesse ter três refeições por dia. Que as mães pudessem ver seus filhos indo pra escola com um sapatinho bonito. Tenho 76 anos de vida. Digo todo o dia que a idade não deixa a gente velho, o que deixa a gente velho é não ter uma causa, não ter uma motivação. A minha causa é dar dignidade e respeito a 215 milhões de brasileiros. Sei que Bolsonaro já veio em Manaus. Ele veio aqui fazer motociata. Eu não. Eu vim aqui visitar a fábrica para conhecer os trabalhadores que estão fazendo as motos. Se um tenente expulso do exército não tem coragem de tratar o povo direito, um metalúrgico vai voltar para a presidência para cuidar do povo do jeito que ele merece”.   Lula em comício do Brasil da Esperança em Manaus, Amazonas. 📸 Ricardo Stuckert

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Bolsonaro é a nossa velhinha da lambreta

Por Gregório Duvivier   Caso você queira escapar da investigação por um crime comum, basta cometer um crime contra a humanidade   “Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta.” Stanislaw Ponte Preta conta, em sua crônica mais famosa, a história dessa velhinha motoqueira que atravessa todo dia a fronteira levando um enorme saco na garupa. “Que diabo a senhora leva nesse saco?”, pergunta o fiscal. “Areia!”. O fiscal descrente inspeciona o saco, e pasme: é areia. E todo dia a história se repete, e a velhinha passa com seu saco. E todo dia ele inspeciona. Mas é sempre areia. O fiscal, morto de curiosidade, promete que não vai prendê-la, só quer mesmo saber. “Promete que não espáia?”, pergunta a velhinha, que então confessa o que estava contrabandeando o tempo todo. “É lambreta.” Bolsonaro é a velhinha da lambreta. O parlamentar descobriu, ao longo de 30 anos de vida pública, a solução perfeita pra multiplicar o patrimônio e passar despercebido: colocar um bode na sala. Não acho que Bolsonaro acredite nos descalabros que diz. O candidato teve uma epifania, talvez a única da sua vida: descobriu que, se você elogiar torturador, condecorar miliciano, celebrar homofobia, ameaçar bater em mulher, ninguém vai reclamar que você empregou uma dúzia de funcionários fantasmas no seu gabinete. A estratégia não deixa de ser corajosa. Descobrimos, graças ao presidente, que, caso você queira escapar da investigação por um crime comum, a melhor maneira é você cometer um crime contra a humanidade. Quem é que vai se preocupar com um cheque de R$ 89 mil pra sua esposa quando você tem 600 mil mortos nas suas costas? O crime anterior agora parece ridículo. Ou, como o nome diz: comum. E quanto maior o crime, mais lenta a justiça. O Tribunal de Haia é mais devagar que o Supremo. Bolsonaro carrega um cadáver no porta-malas do seu carro. Mas ele dirige pelado, falando no celular, sem cinto de segurança e cometendo uma dúzia de infrações menores. Ninguém se lembra de checar o bagageiro. Mas o cadáver tá lá, o tempo todo. Juliana Dal Piva descobriu que sua família comprou mais de cem imóveis, a maioria com dinheiro vivo. Isso deveria ser o primeiro assunto a ser perguntado em todo debate e em toda sabatina. Voltando pra história da velhinha: a gente fica olhando pra areia, porque a areia, no caso dele, é metanfetamina. Mas não acho que seus crimes de opinião sejam o pior que ele faz. Tem coisa grande passando por debaixo do pano. Alguém precisa lembrar de pedir a documentação dessa lambreta. Gregório Duvivier é ator, humorista, roteirista e escritor brasileiro. Ficou conhecido pelo seu trabalho no cinema e no teatro e, a partir de 2012, destacou-se como um dos criadores das esquetes do canal Porta dos Fundos Obs: publicado originalmente na Folha de S.Paulo      

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