Construir Resistência

17 de agosto de 2022

Estamos perto de uma nova tragédia como aconteceu no Pinheirinho?

Por Moacyr Pinto     No último sábado (13), pela manhã, estive na Praça Afonso Pena, acompanhando o ato em defesa da centenária favela do Banhado, rebatizada de Comunidade Vila Nova Esperança, onde, como no Pinheirinho em 2012, há uma disputa judicial inconclusa. Com algumas medidas já tomadas que deveriam servir de garantia de manutenção da situação reinante, não justificando, em absoluto, as investidas de diversas naturezas que a prefeitura vem tomando, me fazendo, como sociólogo e observador da cena política, tentar estabelecer alguma relação dessas investidas como as eleições gerais que se aproximam, nas quais um dos lados tem se valido da truculência e do desrespeito às leis e aos princípios do direito para se afirmar como alternativa para uma parcela da população que, por ignorância ou convicção ideológica, acaba lhe dando preferência na hora do voto. A Comunidade do Banhado é organizada e tem capacidade de se fazer reconhecida em seus anseios e direitos, até o ponto de ter apresentado um projeto sustentável reconhecida qualidade, visando a sua permanência no local, enquanto o grupo político que está à frente da prefeitura no momento e vem detendo a hegemonia política no município desde meados dos anos 1990, quer ver os moradores fora de lá e, para isso, além das calúnias e generalizações absurdas, a respeito de quem lá reside, tem se valido dos serviços de fiscalização de trânsito e de posturas, de assistentes sociais acompanhadas por policiais armados e principalmente pela presença ostensiva e numericamente exagerada da PM e da GCM, abordando diariamente as mesmas pessoas, no vai e vem do dia a dia de cada uma delas, algumas já sobejamente justificadas, porque o número de habitantes não é tão grande. Do que jeito que os fatos vêm acontecendo no Banhado, com a prefeitura apertando o torniquete e as forças armadas da repressão sempre presentes, fica difícil não imaginarmos a explosão, a qualquer hora, de um confronto mais direto; não descartando, pelo menos em tese, a alternativa de uma ação violenta deliberada, da parte das autoridades, para “botar o povo para fora na marra”, como fizeram no Pinheirinho, repito, até porque, hoje, já temos elementos para afirmar que em 2012 as autoridades agiram fora da lei e cometeram abusos até não querer mais, com o apoio ou pelos menos a conivência de muitos setores da sociedade. Há um claro sentimento, nas pessoas com espírito democrático e defensores da lei e dos direitos humanos que, se o debate ficar restrito a São José dos Campos, a possibilidade de repetir o Pinheirinho aumenta, há necessidade do Brasil e até o exterior tomar conhecimento do que vem ocorrendo no Banhado. Para encerrar, uma foto feita por mim, no retorno para casa, depois do ato de ontem. Observem a linguagem, os conceitos, adotada pelo grupo político que passou a definir São José como uma “cidade de regras”, lembrando que a palavra regra não qualifica; e isso fica claro quando observamos ao longe, na mesma foto, que as regras impostas aos moradores da Vila Nova Esperança não valeram para os bairros nobres que se instalaram mais distante, na mesma área de banhado. Moacyr Pinto é educador com mestrado em Sociologia do desenvolvimento. É autor de vários livros, entre eles “Conto de Vista: histórias no Brasil que elegeu Lula” e “DIÁLOGOS NA PANDEMIA”, em parceria com a advogada e mediadora de conflitos, Ci Borges.

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Jamais esqueceremos os crimes do “Curió”

Por Silvio Queiroz E lá se foi o “major Curió”. Sebastião de Moura era major do exército quando foi enviado ao sul do Pará, em 72, para chefiar a operação final contra a guerrilha do Araguaia. Tocou o terror na população civil, em escala desconhecida até então na história do Brasil – e jamais repetida, até hoje. major na época, virou “coronel”, no sentido fundiário do termo. Vencida a guerrilha, massacrados os combatentes e escondidos os corpos, Curió tornou-se o “dono” da área. distribuía títulos de terra, regularizava posses: ninguém se estabelecia naquela região do Sul do Pará sem dizer amém a ele. Foi deputado, cacique político, deu nome até a cidade: Curionópolis, nascida do garimpo na Serra Pelada. lá, o ouro foi descoberto uns poucos anos depois do massacre dos últimos guerrilheiros remanescentes. ninguém garimpava ou vendia ouro sem passar por ele. Mais um personagem da ditadura que se vai. sem ao menos ter esclarecido o que fez. e o que mandou fazer. e o que acobertou, ainda que não soubesse exatamente o que foi feito. Curió tinha a idade que teria meu pai, morto há 20 anos e, como ele, oficial do exército a serviço dos órgãos de repressão da ditadura, como o DOI-Codi do II Exército, em SP, onde meu pai serviu de 69 a 73, sob comando do igualmente infame e falecido coronel Brilhante Ustra. Nenhum deles prestou contas do que fez, nem respondeu pelos crimes cometidos: tortura, assassinato, ocultação de cadáver. alguns, tipificados como crimes contra a humanidade. Mal passado mais um “dia dos pais”, os fantasmas da ditadura seguem nos assombrando. para mim, em especial, na lembrança dilacerada de um pai que amei com toda a intensidade da infância. e de quem jamais vou saber exatamente o que fez, ou fez que não sabia que era feito. Tentei evitar o tema no domingo – já machucou muito meu coração e vai machucar para sempre. mas com ele, o pai com quem sempre busquei me parecer, não aprendi a me omitir. Dói no mais fundo da alma, mas é preciso dizer. os crimes da ditadura não podem, não vão ser esquecidos. ainda que mais esse criminoso, codinome Curió, voe para a impunidade.   Silvio Queiroz é jornalista, colunista do jornal Correio Brasiliense

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“Falei inglês inventado com o Sting, pior que o do Raoni”

Por Tom Cardoso   Outro dia, minha filha entrou em casa chutando a mochila. Tinha tirado 8,1 em Biologia. Abri o armário. Fui fuçar o meu histórico escolar. Estavam ali os boletins dos tempos de Virgília, a escola estadual onde passei boa parte da minha juventude até conseguir completar o ginásio e o colegial. Fiz quatro vezes a oitava série. Beaoquadradomenosquatroacê Em 1990, consegui tirar 6,5 em OSPB (Organização Social e Política Brasileira) e ainda ganhei um elogio do professor por ser o único a explicar razoavelmente quem era Golbery do Couto e Silva. Um isolado momento de glória de minha vida escolar. Eu era um caso curioso. Semi-analfabeto – não sei até hoje conjugar nenhum tipo de verbo e não faço a menor ideia do que seja adjunto adverbial -, lia, desde os onze anos, todos os colunistas dos quatro jornais trazidos pelo meu pai (também jornalista): JB, O Globo, Estadão e Folha. Com 12 anos li “Minha Razão de Viver”, do Samuel Wainer, e “A Regra do Jogo”, do Claudio Abramo. Decidi ser jornalista. Minha mãe dizia que eu precisava, pelo menos, aprender em inglês, e me colocou na Cultura Inglesa, em Pinheiros, que ficava em frente à lendária loja de discos do Edgar, que virou até tema de filme. Descia do ônibus direto pra loja. Nunca entrei na Cultura. Foi lá que ouvi Toy Dolls pela primeira vez. Não entendi porra nenhuma da letra, mas nem era esse mesmo o propósito dos caras. O tempo passou. Com 19 anos, ainda no colegial, consegui uma vaga no Jornal da Tarde, na editoria de Esportes. Meu trabalho se resumia a comprar cigarro para os editores e buscar informações no arquivo para os repórteres. – Tom, vai lá e compra um Hollywood e duas peras. – Tom, vai lá e vê pra mim quantos jogos o Biro-Biro fez pelo Corinthians. – Tom, paga essa conta lá no banco? Não esquece o comprovante. Enfim, um boy disfarçado de estagiário de jornalismo, algo muito comum naquela época. Um bando de chefe feladaputa. As únicas exceções: Cosme Rímoli, Carlos Ferreira Lima e Denise Mirás, que nunca me mandaram fazer feira e ainda me ensinaram que não se deve, por exemplo, colocar crase antes de uma palavra masculina. Com saco cheio de fazer tabela do campeonato paulista (confesso aqui que sempre roubei uns gols a mais para o Corinthians), parei no corredor o então editor do Caderno 2 do Estadão, Evaldo Mocarzel, e pedi uma vaga de estagiário na editoria de cultura. O Evaldo era o carioca mais carioca da redação. – Do que você entende, brother? – Meu negócio é música. – Sabe inglês? – Praticamente minha primeira língua. Eu sabia que a maioria dos repórteres daquela época não sabia inglês. Dos quatro responsáveis por cobrir música no Caderno 2, só o Jotabê Medeiros segurava uma entrevista inteira. E, além do mais, ninguém pediria para um estagiário fazer uma entrevista com o Quincy Jones. Eu não corria esse perigo. Até que, uma semana depois, alguém gritou: – Alguém viu o Jotabê? O Jotabê tinha sumido, como sempre. Quem trabalhou nos anos 90 por lá sabe do que estou falando. – Acharam o Jotabê? Ligação internacional pra ele. Parece mentira, mas é verdade. Nos anos 90, até existia a figura do assessor de imprensa, mas muitos artistas dispensavam esse tipo de intermediário e ligavam diretamente para as redações, para dar a entrevista. A gravadora mandava o número e o cara ligava, de casa. Logo se soube que o cara na linha, querendo falar com o Jotabê, era o Sting. – Mauro, você fala com Sting? – Mas nem a pau. Mauro Dias, decano do jornalismo cultural, o cara que sabia tudo sobre música brasileira, mas nada sobre verbo to be. – Haag, fala aqui com o Sting? – Quem é esse cara mesmo? Me tira dessa? – Toninho? – Não dá, tô fechando uma matéria. – Gente, o homem já está há dez minutos na linha. – Pode deixar que eu falo com o cara. Eu comecei a falar um inglês inventado, pior que o do Raoni. O Sting começou a gritar e desligou. Fiz a matéria, que foi publicada no dia 4 de abril de 1996. É só olhar no acervo do Estadão. Minha carreira deslanchou. Peço aqui minhas desculpas à família Mesquita, mas não queria voltar a comprar mamão pra marmanjo.   Tom Cardoso é escritor e jornalista

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Judeus denunciam crescimento do antissemitismo durante o governo Bolsonaro

Da Redação com informações da Hora do Povo     O Antissemitismo durante o Governo Bolsonaro (Parte II) é o título do relatório sobre o crescimento do antissemitismo no Brasil no período final do governo de Jair Bolsonaro. O evento foi realizado ontem, (16), na Sala Prestes Maia  da Câmara Municipal de São Paulo. O Relatório trouxe uma análise sobre os fatos graves e preocupantes do crescimento do antissemitismo nos últimos anos, incluindo uma tabela ilustrada, circunstanciada, com links a comprovar a denúncia trazida logo no título do documento que foi apresentado aos presentes à Câmara. Tem a autoria de Jean Goldenbaum, Nathaniel Braia, Leana Naiman Bergel Friedman e Charles Schaffer Argelazi, além de contribuições do professor Michel German e dos pesquisadores Francisco Moreno, Sonia Hotimsky e Silvio Hotimsky. Durante o lançamento houve um debate sobre o crescimento do antissemitismo no Brasil e possíveis formas de enfrentamento do grave problema. O evento teve o apoio do vereador Daniel Annemberg e traz 104 ocorrências de antissemitismo, racismo e neonazismo que vem crescendo sob  estímulo do atual ocupante do Planalto. Os fatos coligidos na segunda parte do relatório vão de julho de 2020 a junho de 2022. Entre as denúncias o encontro com a líder neonazista alemã, Beatrix Von Storch, do partido de vertente hitlerista AfD. Ela foi recebida pelo próprio presidente e parlamentares seguidores na sede do governo brasileiro.   Assistia a integra do evento no link abaixo: https://www.youtube.com/watch?v=G36TREndYqo  

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Lula volta à porta de fábrica no ABC

Da Redação, com informações do G1 Fotos: Roberto Parizotti (Sapão)     O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou a campanha eleitoral de 2022 nesta terça-feira (16) com uma visita a uma fábrica de automóveis em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A região é berço do sindicalismo que projetou Lula para a vida pública. Durante o discurso aos metalúrgicos no ABC, o ex-presidente criticou a condução do enfrentamento à pandemia de Covid pelo governo Bolsonaro e disse que o adversário é “possuído pelo demônio”.   “Você não tem amor, uma única lágrima para as 680 mil pessoas que morreram de Covid. Você nunca se preocupou em saber quantas crianças estão órfãs, porque você é negacionista. Você não acredita na ciência. Você não acreditou na medicina. Você não acreditou nos governadores. Você não acreditou na medicina. Você acreditou na sua mentira. Porque se tem alguém que é possuído pelo demônio é esse Bolsonaro”, disse o candidato do PT. Lula subiu ao carro de som pouco antes das 15h e, após falas breves de Gleisi, França e Haddad, discursou por cerca de 20 minutos aos presentes. O candidato à Presidência afirmou que deve tudo o que aprendeu na vida e na política aos metalúrgicos do ABC, e contou histórias de quando atuava como sindicalista na região. “Foi aqui que eu aprendi a ser gente, adquiri consciência política, e foi por causa de vocês que eu acho que fui um bom presidente da República”, disse. Críticas a Bolsonaro Lula comparou números de anos anteriores, quando ele ou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) estavam no governo, com índices de produção e emprego de 2022 – e disse que o Brasil piorou nos últimos anos. O discurso de Lula foi pontuado por diversas críticas ao presidente Jair Bolsonaro e às políticas do atual governo. O ex-presidente acusou Bolsonaro de “manipular a boa-fé” de evangélicos e espalhar mentiras. “Ele [Bolsonaro] está atentado manipular, ele na verdade é um fariseu. Está tentando manipular a boa-fé de homens e mulheres evangélicas que vão à igreja tratar da sua fé, tratar da sua espiritualidade e eles ficam em contando mentira o tempo em tudo, contando mentira sobre Lula, contando mentiras sobre a mulher do Lula, contando mentira sobre vocês, contando ver mentiras sobre índio, contando mentira sobre quilombolas”, disse. Além do ex-presidente, participaram do ato os candidatos da coligação ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e ao Senado pelo mesmo estado, Márcio França (PSB). Segurança reforçada O evento em São Bernardo foi cercado de cuidados pela equipe responsável pela segurança do ex-presidente. A tarefa de garantir a integridade dos presidenciáveis é da Polícia Federal. Nesta segunda (15), a campanha de Lula cancelou a primeira agenda oficial de campanha prevista originalmente: uma visita a outra fábrica de automóveis, na Zona Sul de São Paulo, na manhã desta terça. A equipe da PF não teve tempo para avaliar os riscos do evento.  

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Vida Nova

Por Miriam Waidenfeld Chaves No culto de domingo, o pastor anunciou a boa nova. Sabedor do teor de sua notícia, fez suspense. Os fiéisescancararam seus ouvidos, e as moçoilas, com as mãos geladas de tanta ansiedade, olharam umas paraas outras  à espera da grande notícia. Depois de dois anos de muita controvérsia, a cerimônia “Aceito, até que a morte nos separe” estava de volta. O anúncio deixou os noivos excitadíssimos:os vinte casais, além da festa de casamento, ganhariam uma lua-de-mel em um resort. Padrinhos, daminhas, buffet, convidados, vestido. Era disso que se falava  no pátio da igreja, após o culto. E do resort, é claro! Pertencente à Igreja do Sopro de Deus, esse espaço de convivência havia se transformado na aposta do pastor Trajano para manter os seus fiéis longe do inimigo. “Perto de sua Igreja e distante do mundo”. Esse era o lema apregoado por ele, que conhecia muito bem as fraquezas de seus fiéis.   ​​​​​                                                                                               *** Neide, Fúlvia, Marinete, Óstia e Rosinha seguiram àrisca a cartilha do pastor. Conheceram seus pretendentes num encontro organizado por ele próprio, uma figura abominável, segundo Letícia e Breno, participantes da última celebração matrimonial da Igreja. Inseparáveis, Fúlvia, amiga mais tardia que viera de São Paulo, tinha idéias bastante próprias. Queria se divertir. Conquistar os meninos com sua malícia um tanto disfarçada. O futuro a Deus pertence, costumava dizer. Rosinha, miúda, quase raquítica, com olhos negros invejosos, hipnotizava qualquer um que mirasse para eles. Óstia, encarnando o próprio nome, parecia um biscuit. De pele alva, sonsa, estava na vida para obedecer a mãe, a obreira mais antiga da Igreja. Marinete, fora dos padrões, penava para se adaptar àquela vida. Neide, loirinha, uma verdadeira “Maria vai com as outras”, torcia para encontrar um marido feito seu padrasto, um fiel temente a Deus. Cada uma delas tinha o seu encanto. Não era à toa que, na época de namoro, foram as garotas mais cobiçadas e cheias de pretendentes. Juntas, animavam qualquer encontro de jovens. Mas, lá no fundinho, tinham as suas rusgas, amainadas, é verdade, pela fé em Cristo. Quatro delas, inclusive, demoraram a escolher um noivo, pois houve muito troca-troca entre elas. Fúlvia, namorada de Paulo, não tirava os olhos de Jeferson que, num namoro arranjado, estava comÓstia que, às escondidas, flertava com Jones, namorado de Rosinha, que  cobiçava Paulo. Neide, na época sozinha, era louca por Jones.  Um sujeito um tanto sem graça, mas que, segundo Fúlvia, tinha seus segredos. Apenas Marinete não teve dúvidas. Iria se casar comLalo, o goleiro do time de futebol da Igreja. Seu eterno parceiro de campo. Quando se encararam pela primeira vez, num pênalti a ser cobrado, entenderam que eram iguais. Tempestade serenada, Fúlvia se casaria com Celso, uma ovelha recém acolhida pela Igreja. Neide acabou ficando com Paulo. Rosinha fisgou Jones. E Óstia,depois de brigar com Jeferson, decidiu que  passaria o resto de sua vida com ele. Quando o grande dia chegou, as cinco amigas, ao som da marcha nupcial, encabeçaram a fila dos vintecasais. Fúlvia no abre alas, entrou na Igreja como uma verdadeira líder, pronta para seduzir. Naquela mesma noite, selaram um juramento, capitaneado por Fúlvia. Marinete, como já era esperado, decidiu não participar desse apalavrado. *** No resort, a piscina, em forma de coração, foi agrande sensação. Sua água,  benta pelo pastor, foipalco de inúmeras brincadeiras: caldos, pegadinhas, bateção de pernas e olhares enviesados. Como raios,cruzavam o espelho d’água em um tipo de comunicação que apenas as cinco amigas sabiam decifrar. Da espreguiçadeira, Marinete, de fora do trato,observava a movimentação das amigas. Mais tarde,no quarto, com um balde de pipoca nas mãos,contava tudo para Lalo, enquanto assistiam TV.   “Aleluia, aleluia, nova vida ele prometeu. Deixa o senhor entrar”, ouvia-se do alto falante. Na piscina, Fúlvia, Neide e Óstia confabulavam. Faziam planos para a noite que mudaria suas vidas. Rosinha esquecendo-se de tudo, foi cuidar de seus interesses: hipnotizou Paulo e Celso ao mesmo tempo. Mas, sem que ninguém percebesse, escolheu Celso e o carregou para a cocheira. Ao alisarem a égua Esmeralda, seus olhos negros engoliram Celso que a puxou para si. Sob o relincho de Esmeralda, Rosinha afundou-se no feno. E o rock continuava: “ Aleluia, aleluia, deixa eleentrar em sua vida.”                      *** A noite era de festa. Na pista de dança, Marinete conheceu Clara e Lalocaiu de amores por Moisés. E como que por um encanto, a cobradora de pênalti se esqueceu de acompanhar o desfecho do trato das amigas e foi ser feliz em sua própria festa. Enquanto isso, a piscadela de Fúlvia anunciou que chegara a hora do cumprimento do trato. Os quatrocasais  dirigiram-se para a capela do resort e, diante de Cristo, oficializaram uma segunda união. Entre as quatro paredes do quarto da líder, as amigas junto com seus respectivos maridos fornicaram até o amanhecer. ​​​​​*** No dia seguinte, durante o café da manhã, antes queos recém-casados voltassem para suas casas, o pastorTrajano surpreendeu a todos com a sua inesperada presença. Exultante, abençoou cada casal, entregando-lhes de presente uma medalhinha de ouro com o símbolo da Igreja e um envelope lacrado. Numa pequena preleção, disse que ali se encontrava o segredo parasuas novas vidas. Uma vida dedicada à Igreja. Ao abrirem os envelopes, Fúlvia e sua trupe finalmente entenderam porque Letícia e Breno achavam o pastor Trajano abominável: se depararamcom fotografias que revelavam os pormenores dacomemoração da última noite de núpcias que haviam tido no Resort Aleluia. O  pastor Trajano sorriu, abriu os seus braços e disse: – Bem-vindos! De agora em diante, suas vidas estarãoa serviço da Igreja do Sopro de Deus. Amém.   Miriam W. Chaves é contista e professora da UFRJ

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Discurso de posse de Moraes no TSE cala o Bozo

  O ministro Alexandre de Moraes tomou posse nesta terça-feira (16) como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A cerimônia reuniu cerca de 2 mil convidados na sede do tribunal, em Brasília, entre eles o presidente Jair Bolsonaro e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, José Sarney e Michel Temer (golpista). Também participam governadores, parlamentares e embaixadores estrangeiros. O ministro do STF tem atuado de maneira firme no combate às fake news e na defesa da democracia e das urnas eletrônicas. Como presidente do TSE, ele comandará o processo eleitoral de outubro. Ao falar sobre as urnas eletrônicas, Moraes foi aplaudido por toda a plateia, incluindo os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). Bolsonaro não aplaudiu Moraes fez um discurso diante de Bolsonaro onde critica duramente, sem citar nomes, as mais recentes declarações do mandatário ao duvidar das urnas eletrônicas. “Liberdade de expressão não é liberdade de destruição da democracia, de destruição das instituições, de destruição da dignidade e das honras alheias”, disse. “Não é liberdade de propagação de discursos de ódio e ideias contrárias à ordem constitucional e ao estado de direito. Inclusive durante o período de propaganda eleitoral. A plena liberdade do eleitor de escolher seu candidato, depende da tranquilidade e da confiança nas instituições democráticas e no próprio processo eleitoral”, acrescentou. Por fim, ele reforçou que, à frente do TSE, atuará de forma incisiva nas eleições para evitar qualquer discurso de ódio. “A intervenção da Justiça Eleitoral será célere, firme e implacável no sentido de coibir práticas abusivas ou divulgações de notícias falsas ou fraudulentas. Principalmente naquelas escondidas no covarde anonimato das redes sociais”, reforçou.      

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