Construir Resistência

12 de agosto de 2022

Democracia Corinthiana: contra o autoritarismo, a luta coletiva

Por Hélio Alcântara    A Democracia Corinthiana não nasceu e nem andou sozinha. Ela precisou de gente por todos os lados. Só a ação de Adilson e dos atletas que a lideravam não seria suficiente pra manter o projeto de pé. Quando o então presidente Waldemar Pires se candidatou à reeleição, em março de 1983, até a Rede Globo de Televisão foi mobilizada. José Bonifácio Sobrinho, o Boni, todo-poderoso da emissora e acolhido como conselheiro do clube, mandou produzir “chamadas” durante a programação, convocando os associados a votarem na chapa da situação, batizada de “Democracia Corinthiana”. Personagens importantes do cenário cultural e do mundo acadêmico também se manifestaram espontânea e favoravelmente. Além disso, São Paulo foi brindada com os velhos outdoors (hoje banidos da capital) também fazendo a convocação. No domingo à noite, 06 de março, Waldemar Pires (presidente) e Adilson Monteiro Alves (vice) foram eleitos, derrotando Vicente Matheus, que se transformara em ferrenho opositor. A Democracia Corinthiana teria, portanto, mais dois anos para mostrar ao planeta futebol que o projeto libertário era positivo, necessário e devia permanecer para colher seus frutos – no caso, títulos para o Corinthians e conquistas nas áreas das relações trabalhistas e dos direitos dos atletas profissionais. No dia seguinte ao pleito eleitoral, o jornalista Aroldo Chiorino publicou que “(…) Numa definição ideológica, ficou bem claro que não foi uma vitória de Waldemar Pires sobre Vicente Matheus, mas sim da proposta democrática sobre a proposta autoritária, como vinham defendendo os jogadores Sócrates, Zé Maria, Wladimir e Casagrande”. Vinte dias depois, por razões pessoais, o técnico Mario Travaglini deixou o clube e o projeto. Os principais atletas se reuniram com o vice-presidente e escolheram o lateral Zé Maria para ser o treinador do time. Sócrates, escancarando sua visão progressista, passou a se referir a ele como “nosso representante”. E, mais uma vez, diante da saraivada de críticas ferozes por parte de jornalistas, conselheiros pró-Matheus e setores conservadores da sociedade civil, Adilson buscou apoio em gente de peso. Além do corintiano Lula, apareceram músicos, estilistas de moda, publicitários, atores, cineastas, produtores musicais, políticos. Microfone (Rádio Globo, com Osmar Santos) e penas poderosas (Revista Placar, Folha de S. Paulo e um tímido Jornal da Tarde) que haviam encampado o projeto em seu nascedouro, o difundiram rapidamente. Até a filósofa Marilena Chauí defendeu a Democracia Corinthiana, escrevendo um artigo na “Folha”, enquanto o “Estadão” e outros jornais metralhavam o movimento, classificando-o como “baderna”. Em campo, o time chegou em 4º lugar no Campeonato Brasileiro e, no final de 1983, conquistou o bicampeonato paulista – então o campeonato mais difícil e importante do país. O ápice da ação dos atletas se deu em abril de 1984, quando Wladimir, Sócrates, Casagrande e Juninho se juntaram a Osmar Santos, Juca Kfouri e Adilson Monteiro no palanque montado no Vale do Anhangabaú para exigir, ao lado de 1 milhão de pessoas, eleições diretas para presidente. A Democracia Corinthiana foi uma ilha democrática no meio de uma ditadura que, mesmo enfraquecida, ainda comandava o país. A Democracia Corinthiana sobreviveu porque contou com múltiplos apoios, enquanto seus líderes jogavam e denunciavam as misérias do futebol e do Brasil. Falavam pelas pessoas que não tinham voz e enfrentaram a estrutura retrógrada estabelecida – com leveza, autenticidade e alegria. No fundo, celebraram a vida e a liberdade. Como grande parte da sociedade brasileira faz agora.   Hélio Alcântara é jornalista e escritor. Autor do livro Wladimir, sobre o lateral corintiano

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Bolsonaro comete erro crasso ao cooptar hacker de Araraquara

Por Luis Costa Pinto  O PL, por meio de Waldemar Costa Neto e Carla Zambelli, com envolvimento direto de Jair Bolsonaro, cooptou Walter Delgatti Neto, o hacker de Araraquara, e o convenceu a entrar na equipe de marketing da campanha à reeleição do trágico presidente brasileiro. Ariovaldo Moreira, advogado de Delgatti que o defendeu até aqui de todos os processos impostos contra ele pelo hackeamento das mensagens da “Força Tarefa da Lava Jato”, rompeu com o cliente por discordar da cooptação. Zambelli e Bolsonaro querem colocar Delgatti na equipe paga pelo PL que fará apuração paralela dos votos, espelhando a apuração do TSE. Também é intenção da equipe de marketing de Bolsonaro colocar Delgatti no teste de estresse do sistema (o teste que será feito pelas Forças Armadas) Ariovaldo Moreira indignou-se com a forma como Zambelli o abordou e como definiu quais eram as prioridades “do presidente” para a demanda. A partir daí Moreira e Delgatti discutiram e decidiram que seguiriam caminhos opostos: o advogado voltou para Araraquara, ontem mesmo. O hacker ficou em Brasília e teve agenda marcada no Palácio da Alvorada, na última 4ª feira, com Jair Bolsonaro, Zambelli e a equipe do marketing presidencial. Delgatti e Bolsonaro iam conversar e acertar os ponteiros. Inclusive os acertos financeiros. A jogada de risco de Bolsonaro, só imaginável na cabeça de alguém desqualificado como ele mesmo e Carla Zambelli, e por sua assessoria jurídica e de marketing, legitima todas as ações empreendidas por Walter Delgatti ao expor as mensagens espúrias de Sérgio Moro, Dallagnol e de toda a Lava Jato. Essas ações de hackeamento levaram à desmoralização de Moro, à queda de todas as sentenças dele, à saída de Dallagnol do Ministério Público, à anulação das condenações de Lula e à elegibilidade do ex-presidente. Bolsonaro pôs de seu lado o “herói”. As ações repuseram Lula no caminho de volta à Presidência. Pusilânime, frouxo, ignorante e acanalhado, Bolsonaro cometeu erro crasso de campanha. Zambelli o conduziu a esse erro. Será um erro fatal. O marketing dele irá legitimar o hacker, tirando-lhe o discurso de contestar Lula. Luis Costa Pinto é jornalista político de Brasília  Nota da redação:  Construir Resistência tentou encontrar os motivos de Delgatti ter se aproximado do bolsonarismo. E achou algumas informações na internet, publicadas na Revista Forum e DCM: ” A necessidade de Delgatti em chamar a atenção, para além da exibição de carros, viagens e dinheiro, ficou ainda mais clara, quando procurou uma tuiteira aleatória de esquerda para mostrar o que havia conseguido. A intenção dele era única: dinheiro, poder e status. E conseguiu. Mesmo preso, ele vai sair de lá como o cara que ferrou o juiz Sérgio Moro, o cara que mexeu nas estruturas do governo. Vai sair de lá o rei da balalaica”, analisou Marcelo Bonholi, o jornalista da Rádio Morada de Araraquara.

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