Construir Resistência

5 de agosto de 2022

Uma morte não investigada

Por Sergio Papi Heróis que morrem anônimos, para os quais não há exéquias, morrem sós. Há algum tempo surgiu uma notícia no jornal: corpo encontrado em canteiro de obra no Paraíso. Há sim, fantasmas insepultos, gente morta sob o chão dessa cidade. Ainda vagam em nossa precária memória os desaparecidos, aqueles de quem não mais se pode saber, aqueles que não citamos nem mesmo o nome, perdidos para sempre. E como falar de certo homem, se há quem duvida que existiu, se há quem não acredite que morreu? Ele desapareceu, é um fantasma, melhor mantê-lo assim, oculto. Sei muita coisa de ouvir falar, – uma enfermeira das Clínicas o teria visto nos corredores da morte, já li muitos depoimentos, conheci uma pessoa que o conhecera desde a infância. Mas, é preciso se ater aos fatos. Dou uma busca no Google. Nada! Sumiram mais uma vez com aquele que alguém me disse, era a figura mais parecida com Cristo que ela tinha conhecido. Mas, Cristo ressuscitou. Ele não era afinal nenhum Messias trazendo a grande mensagem, era apenas um homem de fé. Tem nome citado nos relatórios da Comissão da Verdade, mas nada além disso. Nas biografias de companheiros de sua organização, algumas pinceladas, testemunhos de sua entrega religiosa à causa e, claro, algumas críticas ao seu adquirido sectarismo, diante dos titubeios dos cordões que desfilavam na avenida. As investigações sobre o caso do corpo encontrado nas escavações da fundação de um novo condomínio, localização privilegiada, área social composta por living com piso de pinho, sala de jantar e cozinha, ficaram a cargo da delegacia da região, por acaso aquela da Rua Tutóia. E nunca mais saiu notícia, não se sabe em que pé estão as investigações. Morreu outra vez e assim será, a morte anônima de um bravo guerreiro que sonhou um país justo.

Uma morte não investigada Read More »

Nazista ataca negros e gays na Biblioteca Mário de Andrade

Da Redação  “Não gosto de negros. Quem gosta de macaco é zoológico”, afirmou o racista   Circula nas redes sociais um vídeo mostrando um homem realizando falas racistas e homofóbicas na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo (SP). O homem estava lendo o livro “Mein Kampf” (em português, “Minha Luta”), de Adolf Hitler, líder da Alemanha nazista. “Não gosto de negro. A cultura deles é uma bosta. Se prestassem, não eram discriminados pela sociedade”, afirmou. “Não gosto de negro, quem gosta de macaco é zoológico”, disse. Nazista acabou preso Foi preso, o homem que atacou negros e homossexuais com falas racistas, homofóbicas e de referência ao nazismo na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo (SP). No momento da agressão, que foi filmado em vídeo, o indivíduo de 39 anos, que não teve a identidade revelada, lia o livro “Minha Luta” (Mein Kampf), de Adolf Hitler. Guardas municipais foram acionados para a ocorrência e verificaram que o autor estava ofendendo uma mulher de 39 anos e uma idosa de 66. O caso foi registrado como injúria racial e racismo e ele foi levado para a 77ª Delegacia de Polícia para registro de ocorrência por racismo, onde permanecerá detido até audiência de custódia. Em nota, a secretaria municipal de Cultura, responsável pela biblioteca, repudiou o ocorrido e informou que “tem se empenhando em treinar a sua equipe para lidar com atitudes racistas, transfóbicas e misóginas em seus espaços”. “A Prefeitura ressalta que racismo é crime inafiançável, pela Constituição Federal, lei n.º 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Nos últimos meses, a Biblioteca Mário de Andrade, tal como diversos outros equipamentos culturais da cidade, tem se empenhando em treinar a sua equipe para lidar com atitudes racistas, transfóbicas e misóginas em seus espaços, ao mesmo tempo em que vem desenvolvendo um trabalho de conscientização junto aos seus servidores”, diz a nota.   Veja o vídeo no link abaixo: https://twitter.com/lazarorosa25/status/1554558690782593024 Matéria publicada originalmente no link abaixo do portal 247 https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/nazista-ataca-negros-e-gays-na-biblioteca-mario-de-andrade-video    

Nazista ataca negros e gays na Biblioteca Mário de Andrade Read More »

Jô Soares, um gordo de alma leve

Compartilhado do Quarentena News Por Jorge Antônio Barros Tudo indica que Jô Soares (1938+2022), um dos maiores showmen, e um dos humoristas que mais fez rir o povo brasileiro, tenha morrido de tristeza. Ainda que tivesse construído uma bela carreira como apresentador de TV, ator, diretor de teatro, escritor e comediante, Jô foi praticamente obrigado a se afastar do trabalho por motivos de saúde, enfrentar o isolamento por causa da Pandemia e viver a tragédia de ter um país destruído pelo pior governo da história do Brasil. Jô morreu aos 84 anos, mas numa época em que a longevidade tem sido maior, com certeza poderia ter vivido muito mais. Com seu jeito reservado, apesar de contraditoriamente ser um dos gordos mais exibidos, Jô Soares sofreu como todos nós brasileiros que amamos a liberdade. A leitura de sua biografia de dois volumes é indispensável para compreender uma parte da história da televisão brasileiro. Tive o privilégio de entrevistar Jô Soares pelo jornal O Dia, em 1988, quando tanto ele quanto eu mudamos para São Paulo pra iniciar uma nova fase profissional. Eu, chefe da sucursal do Dia, que implantei. Ele com sua estreia como entrevistador no Jô Onze e Meia, do SBT, onde ficou até 1999. De volta, no Programa do Jô ficou de 2000 a 2016. Um total de 27 anos a frente de seu talk-show. Jô era um gordo de alma leve. Sua inteligência criou uma galeria de personagens que fizeram rir várias gerações. Alguns dos melhores foram o Reizinho, em que ele atuava de joelhos, para interpretar um monarca absolutista; Sebá, o exilado na França; o Zé da Galera, que gozava com a seleção brasileira; e o imbatível Capitão Gay (foto) e seu assistente, Carlos Suely (Eliezer Motta); e Bô Francineide, a atriz pornô, com o bordão “em pensar que sai de dentro dela”, se dirigindo à pequenina Henriqueta Brieba, a “pornô mãe”. Jô terminava seu programa de entrevistas com o bordão “um beijo do gordo”, pois, como poucos, sabia rir dele mesmo. Jô, descanse em paz. Um beijo do povo brasileiro.   Jorge Antônio Barros é jornalista e editor-chefe do blog QUARENTENA NEWS.

Jô Soares, um gordo de alma leve Read More »

As frases geniais de Jô Soares

Por Simão Zygband   Morreu na madrugada desta sexta-feira, 5 de agosto, o escritor, humorista, ator, entre outros tantos talentos, José Eugênio Soares, ou apenas Jô Soares, aos 84 anos, dono de um humor refinado, que sempre caracterizou seus programas de TV, fossem eles na forma de Talk Shows ou nos humorísticos que tanto marcaram a sua carreira. Veja algumas pérolas desta personalidade que deixou o Brasil mais triste e menos inteligente: “Dizem que antes de morrer, sua vida inteira passa diante de seus olhos. Faça com que valha a pena assistir” “A vida é como um quebra-cabeças. O importante não é ter todas as peças, é colocá-las no lugar certo” “Junta médica é a reunião que os médicos fazem nos últimos momentos da vida para dividir a culpa” “É bem melhor pensar sem falar, do que falar sem pensar”. “Não te importes com o que dizem nas tuas costas. Atrás de um portão, qualquer cão ladra” “As pessoas estão tão acostumadas a ouvir mentiras, que sinceridade demais choca e faz com que você pareça arrogante” “Uma mulher bonita é aquela que pode oferecer mais do que a sua aparência” “Era um menino tão mau que só se tornou radiologista para ver a caveira dos outros”     “Não é preciso mostrar beleza aos cegos e nem dizer a verdade aos surdos. Basta não mentir para quem te escuta, nem decepcionar os olhos de quem te vê”. “Sou gordo demais para pedir a volta do regime”.  “Não existe uma ditadura mais branda, porque morreu menos gente ou torturou-se menos. Quando você tira a liberdade de um cidadão, está tirando a liberdade de toda uma população”. “Não há amizade por mais profunda que seja, que resista a uma série de canalhices” “No Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora” “O material escolar mais barato que existe na praça é o professor” “Quando saber se o casamento tá ruim? Quando você está engolindo sapo aos invés de comer a perereca” “Não existe esse negócio de terceira idade. Só existe duas opções: vivou ou morto” “O ar, quando não é poluído, é condicionado” “A comissão faz o ladrão” “Se existe tanta crise é porque deve ser um bom negócio”  

As frases geniais de Jô Soares Read More »

Rolar para cima