Construir Resistência

3 de agosto de 2022

“ A vida não cabe no currículo Lattes”

Por Vanessa Berner   Em setembro de 2021 eu estava em uma aula on-line com alunos da pós-graduação quando, de repente, fiquei desnorteada, sem saber o que estava fazendo. Olhava pra tela do computador e não reconhecia as pessoas. Meu marido passou por mim, viu que algo estava errado, pediu pra encerrar o encontro e me levou pro hospital. Fisicamente eu estava bem: pressão, temperatura, sinais vitais… mas na verdade eu estava péssima. Fui encaminha para um neurologista que não viu nada de errado e me disse para consultar um psiquiatra. Fui diagnosticada com a “síndrome de burnout”, o que resultou em uma licença médica que durou nove meses. E é sobre isto que quero falar. No site do Ministério da Saúde a doença é conceituada como “um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho”. Bombeiros, policiais, professores, bancários, médicos e enfermeiros são os profissionais mais afetados pela síndrome. Retorno este mês à universidade – ainda medicada, na psicoterapia, ainda instável e um tanto insegura – e resolvi falar sobre este assunto porque, pela primeira vez, senti na pele o preconceito e o mau juízo que as pessoas (inclusive alguns médicos que não são psiquiatras) fazem sobre quem está com este tipo de transtorno. Para que se tenha uma ideia, o retorno gradual recomendado por minha médica não é uma possibilidade considerada pela instituição. As pessoas te olham como se você estivesse forjando uma desculpa para não trabalhar. A média de tempo para que você se recupere é de três anos, mas como você está aparentemente saudável, te olham e dizem: “você está apta”. Não estou, mas retorno agora: pesquisa, extensão e ensino, além dos encargos administrativos, claro! Gostaria de ser a mesma professora que durante 32 se dedicou exclusivamente à universidade pública. Mas jamais serei igual outra vez. Durante todo este período venho fazendo um doloroso balanço da minha vida. Descobri coisas boas e outras nem tanto sobre mim, sobre as pessoas à minha volta, sobre o amor, o cuidado, as amizades e, obviamente, o trabalho. Agradeço o afeto com que tantas pessoas me acolheram e me ajudaram, seguraram a minha mão: colegas de trabalho, familiares e amigos. Ainda não estou curada, mas aprendi, duramente, o valor das pequenas coisas, a força do nosso desejo de seguir em frente, a importância de distinguir o que vale do que não vale a pena. Precisamos desmistificar o trabalho, ele não é nossa vida e, na verdade, ninguém se importa tanto com o que você faz… Cuidem-se muito, façam pausas, não levem tão a sério o que é apenas uma parte da sua vida. O mundo se abre quando você olha pra dentro de si e compreende que você é seu melhor amigo, seu melhor guia e conselheiro. E, sobretudo, levem isto a sério: “ a vida não cabe no Lattes”.   Vanessa (Berner) Batista é professora titular de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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Bifo: O mundo em guerra civil psicótica

Culto às armas. Assassinatos em massa nos EUA. O patético Zelensky convertido em paladino do Ocidente. Crise também perverte inconsciente coletivo. Diante do heroísmo dos psicopatas, saída está na deserção das ordens automáticas * Franco Berardi, o Bifo (Bolonha, 2 de novembro de 1949), é um filósofo, escritor e agitador cultural italiano. Oriundo do movimento operaísta, foi professor secundário em Bolonha e sempre se interessou sobre a relação entre o movimento social anticapitalista e a comunicação independente. Publicado em OUTRASPALAVRAS Leia no link abaixo: Bifo: O mundo em guerra civil psicótica

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Carta aos Brasileiros em Defesa da Democracia já tem mais de 700 mil assinaturas

Da redação da CUT O documento, que critica “ataques infundados e desacompanhados de provas” ao sistema eleitoral brasileiro, à democracia e ao Estado de direito“, será lido na quinta-feira da semana que vem, dia 11 de agosto A “Carta aos Brasileiros, em Defesa da Democracia”, que está hospedada no site Estado de Direito, Sempre! e pode ser assinada por qualquer brasileiro interessado em defender a democracia, já tem mais de 700 mil adesões. Apesar de não citar diretamente o presidente Jair Bolsonaro (PL), o documento critica “ataques infundados e desacompanhados de provas” ao sistema eleitoral brasileiro, à democracia e ao Estado de direito “tão duramente conquistado pela sociedade brasileira”. E considera “intoleráveis” as ameaças a outros poderes e a setores da sociedade, além da “incitação da violência e a ruptura da ordem constitucional”. Lançada no dia 26 de julho, a carta será lida em evento na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na quinta-feira da semana que vem, dia 11 de agosto. De acordo com o jornal Valor Econômico, os organizadores, que esperam chegar a 1 milhão de assinaturas até o lançamento, estão em contato com as autoridades públicas para a possibilidade de o ato vir a ter desdobramentos para além do prédio da faculdade. Além de um telão no Largo de S. Francisco, um outro está sendo planejado para o Anhangabaú”. Também no dia 11, serão realizadas mobilizações em todo o país em defesa da democracia e por eleições livres e contra a violência política. Os atos estão sendo organizados pela CUT, demais centrais sindicais, movimentos populares, partidos políticos, estudantes e outras entidades da sociedade civil. No dia 13 de agosto, as mulheres vão ocupar as ruas para lutar contra a fome, a miséria, a reforma Trabalhista e contra a violência contra a mulher, além de denunciar os desmontes promovidos nos últimos anos em áreas como saúde e educação, que impactaram de forma mais profunda as mulheres. Todas essas manifestações da sociedade têm como objetivo dar um basta nas ameaças golpistas de Bolsonaro, que ataca as urnas eletrônicas, os ministros do STF e ameaça não aceitar o resultado das eleições. Bolsonaro está em segundo lugar em todas as pesquisas de intenções de voto, mesmo após a aprovação da PEC do Desespero, que autorizou aumentos nos valores do Auxílio Brasil e do vale-gás, além da criação de benefícios para caminhoneiros e taxistas. Ele tem medo de ser preso se perder as eleições, como indicam as pesquisas que revelam até a possibilidade do ex-presidente Lula (PT) vencer nom primeiro turno.

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A fogueira de vaidades carioca

Por Simão Zygband   Tudo parecia um céu de brigadeiro para a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando apareceu um impasse para a montagem da chapa no Rio de Janeiro. PT e PSB não se acertaram nas paragens cariocas e travam uma disputa fratricida, que pode arranhar a candidatura petista. Prefiro não apontar culpados, pois os tempos andam tão intransigentes que seria difícil acertar no que causou a discórdia. Visto de longe, parece haver muita intransigência de lado a lado e ninguém quer ceder. Bem diferente do que ocorreu em São Paulo, onde a equação política definiu Geraldo Alckmin como vice de Lula, abrindo espaço para a candidatura a governador de Fernando Haddad e de Márcio França ao senado. Há de se destacar a grandeza de França ao abdicar do cargo que pleiteava, cumprindo a própria promessa de sair ao governo do estado quem estivesse na frente (no caso Haddad). Foi uma importante decisão. Em Pernambuco, a costura não ocorreu sem traumas. O PT, para cumprir a promessa de acordo, cortou na própria carne e sacrificou a candidatura da petista histórica Marília Arraes (neta do legendário Miguel Arraes), que liderava as pesquisas de intenção de votos, para abrir espaço para a do deputado federal Danilo Cabral (PSB), que entre outros problemas votou pela deposição da presidenta Dilma Rousseff. Marília mudou de partido, se filiou ao Solidariedade, e lidera as pesquisas de intenção de votos no estado. Já no Rio de Janeiro, não houve acordo, diante de uma aparente fogueira de vaidades incontrolável de parte a parte. No celeiro do bolsonarismo, onde a política se mistura com o banditismo das milícias, o quadro político para a centro-esquerda se mostra perverso e, caso nenhum dos lados ceda, haverá prejuízo inevitável para a candidatura de Lula e também aos candidatos proporcionais. O impasse, todo mundo sabe, é entre as candidaturas ao Senado de André Ceciliano (PT) e Alessandro Molon (PSB). Freixo fincou o pé e insistiu na manutenção da candidatura peesebista, passando por cima do acordo entre PT e PSB. Em represália, o diretório estadual do PT aprovou resolução retirando o apoio à candidatura de Marcelo Freixo na disputa ao governo do Estado  “em razão do descumprimento do acordo pelo qual o partido indicaria o candidato ao Senado da aliança”. O presidente do PT-RJ, João Maurício, afirmou que a aliança perdeu sentido, dada a pretensão hegemônica do PSB. “Não vemos sentido em fazer parte dessa aliança, já que o PSB quer uma posição hegemonista. Diante da intransigência do presidente Siqueira que indicou o apoio à candidatura de Molon, vamos seguir defendendo Ceciliano e vamos levar a decisão ao diretório nacional”, afirmou. Em um documento assinado pelos candidatos a deputado estadual pelo PSB, Lucélia Santos, Marcos Uchoa, Tiago Gomes, entre outros, o presidente do PSB, Carlos Siqueira volta atrás e defende agora que Alessandro Molon desista da candidatura ao Senado e saia a deputado federal: ” Dedicaremos todos os esforços para que ele seja o mais votado do estado. Essa resolução é primordial para o partido, pois será a forma de – além de mantermos a qualidade do seu nome na Câmara- ajudar a eleger uma bancada grande socialista. Temos uma tarefa principal que é eleger Lula e Alckmin e estamos vendo a crise política que a questão do Senado está causando para a chapa nacional e, óbvio, para a coesão da chapa estadual. A candidatura de Molon ajudará muito o Brasil e o PSB Fluminense e precisamos estar a serviço disso. Temos certeza que o nosso companheiro não se furtará a essa tarefa nesse momento político tão grave do país”. Alessandro Molon é o candidato ao Senado anti-bolsonaro mais bem colocado nas pesquisas. Ele tem  10% das intenções de votos, empatado com o ex-jogador Romário (PL). Esta boa colocação tem sido o discurso mais eloquente para quem defende a sua candidatura. Já o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) tem 9%. Todos estão tecnicamente empatados. Olhando de fora, com olhar paulistano, não vejo por que Molon deva seguir a ferro e fogo com a sua candidatura. Justamente ela que está criando o impasse. Seria estrategicamente melhor tirar ele da disputa, pois os dois candidatos bolsonaristas tendem a se juntar e dificilmente a centro-esquerda elegerá este candidato. Aparentemente é uma questão perdida, apesar de eleição ter suas surpresas. Mas é melhor Lula não eleger o senador do Rio de Janeiro, mas ampliar sua base parlamentar na Câmara dos Deputados. Lula já declarou apoio a Ceciliano, que tende a perder as eleições, evidentemente (apesar disso não ser tão certo). Por que trocar o certo pelo duvidoso, já que não é certa também a vitória de Molon, ainda mais fragmentando a esquerda? Enfim, não ia me posicionar, mas me posicionei.

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Servidores municipais da Saúde protestam por valorização profissional

Da Redação do Sindsep   Sindsep realiza dia de mobilização com participação em audiência pública do PL 428 e reunião com Secretaria Municipal de Saúde Sindsep e entidades que compõem o Fórum das Entidades, estiveram na Câmara Municipal na manhã desta terça-feira (02), para exigir melhorias na audiência pública do PL 428/22. Dirigentes, servidores e servidoras, se posicionaram fortemente e aproveitaram em suas falas para deixar claro que o Projeto de Lei não traz real valorização para as categorias, como o Piso Nacional de Endemias e da Enfermagem, além de extinguir vários cargos que são de suma importância para a cidade de São Paulo. O PL passaria, por 1ª votação nesta mesma tarde, mas com o falecimento do ex-vereador Toninho Paiva, foi adiada para a quarta-feira (03). Após a audiência servidores e servidoras seguiram em caminhada para a Secretaria Municipal de Saúde para exigir o protocolo que ontem, em ato unificado dos/as trabalhadores/as da saúde, se comprometeram verbalmente, em que tirariam a saúde do PL 428/22, para continuar negociação com real valorização, mas que não querem assumir por escrito. Servidores e servidoras passaram a tarde em frente a Secretaria até que uma comissão fosse recebida. No fim do dia, desceram, mas sem o comprometimento do governo por escrito. O presidente do Sindsep, João Gabriel Buonavita, falou que exigiram do governo uma garantia de valorização, o pagamento do piso nacional dos agentes de endemias e a revalorização das tabelas para todo o quadro da saúde. “Queremos garantia por escrito e no projeto. Não apresentaram nada por escrito. Diante desse cenário temos uma decisão aqui: amanhã paralisar todas as atividades e convocar as categorias que não tem a compreensão de que se não formos para a luta, não vamos construir alterações neste projeto”, apontou João Gabriel. A paralisação continua em busca de nossos direitos. Nesta quarta-feira (03), às 14 horas, todos e todas na Câmara Municipal para pressionar os vereadores e vereadoras a votarem pelas mudanças no PL 428/22, que realmente valorizem os servidores. FOTOS: Pedro Canfora

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