Construir Resistência

30 de julho de 2022

Sindct cede direitos autorais do livro sobre urnas eletrônicas ao TSE

O SindCT promoveu, no último dia da 74a Reunião Anual da SBPC, a meda redonda sobre a história da criação das urnas eletrônicas brasileiras. A mesa contou com a participação do ex-Ministro Carlos Velloso, presidente do TSE na época da criação da urna eletrônica, Avelino Francisco Zorzo, diretor de educação da Sociedade Brasileira de Computação, Célio Castro Wermerlinger, coordenador de Modernização do TSE e Fernanda Soares Andrade, jornalista e autora do livro sobre as urnas eletrônicas. As atividades foram iniciadas com a leitura do manifesto organizado pela SBPC, em defesa das eleições e da urna eletrônica. O manifesto foi lido pela vice-presidenta da SBPC e professora emérita da UnB, Fernanda Sobral. Após a leitura, o manifesto foi entregue ao representante do TSE, Célio Wermerlinger, que se comprometeu a encaminhar o documento ao presidente do TSE, Edson Fachin. O ciclo de palestras foi iniciado com o professor Avelino Zorzo, que explicou como funcionam alguns sistemas de segurança da urna eletrônica, como evoluíram ao longo dos anos e como são barreiras impossíveis de serem ultrapassadas. Em seguida, o ministro Velloso contou como, e porque, surgiu a ideia de criar um sistema eletrônico de votação: “era necessário eliminar a mão humana do processo eleitoral”. O ministro explicou como ocorriam as fraudes eleitorais antes da criação eletrônica e como a urna também se tornou um objeto de inclusão no processo de voto, ao permitir que analfabetos possam realmente expressar sua vontade e conferir o voto, através do teclado numérico e imagem do candidato. Velloso afirmou não entender porque representantes das Forças Armadas e do Ministério da Defesa hoje questionam o processo eleitoral de voto, se ajudaram a desenvolvê-lo. E elogiou o trabalho de todos os servidores do TSE, dos voluntários e das empresas que atuam nas eleições. Célio Wermelinger explanou sobre os os sistemas de auditoria das urnas eletrônicas, que são realizados antes, durante e após as eleições. Wermelinger também informou que o TSE realiza os Testes Públicos de Segurança, podendo deles participar qualquer brasileiro com mais de 18 anos que queira “invadir” o sistema da urna e tentar alterá-lo. A mesa foi encerrada com a fala da jornalista Fernanda Soares Andrade, que explicou os motivos do SindCT publicar o livro sobre o tema: “o sindicato possui um projeto para mostrar à população que todo investimento realizado em pesquisa científica retorna como benefícios para a sociedade”. Para Fernanda, a urna eletrônica é o que melhor representa o tema da Reunião da SBPC: “Ciência, Independência e Soberania Nacional”. A jornalista citou os servidores do INPE e do DCTA, Antonio Ésio, Paulo Nakaya, Mauro Hashioka (já falecido) e Oswaldo Catsumi que foram os principais protagonistas do livro. Para finalizar, a jornalista informou que representantes do SindCT, Fernando Morais, Acioli de Olivo e Sérgio Rosim, estiveram com ela em audiência com o presidente do TSE, Edson Fachin, para a entrega, em mãos, de um exemplar do livro. Nesta audiência, Fernanda ofereceu ao TSE, gratuitamente, os direitos autorais do livro recém-publicado. “É necessário que essa história seja acessível a mais pessoas, para que a lisura do processo eleitoral brasileiro não seja mais questionada.” Após o ciclo de perguntas da plateia, o ministro Velloso e a jornalista Fernanda permaneceram no auditório para autografar os livros que foram distribuídos a todos os participantes

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Dois longuíssimos meses até a volta da esperança

Por Fernando Castilho O tempo é relativo. Para quem espera numa fila, 10 minutos podem parecer uma eternidade. Para quem está desenganado pelos médicos, dois meses passam num piscar de olhos. Para Lula, que tem a real possibilidade de vencer as eleições presidenciais em 2 de outubro, dois meses é tempo longo demais, pois nesse período relativamente curto, reviravoltas são possíveis, mas não prováveis. Considerando que já há mais de dez meses as posições de primeiro e segundo colocados permanecem praticamente inalteradas, somente um acontecimento totalmente fora da curva pode arrancar a vitória de Lula. Além disso, há um empenho pessoal do capitão em ser derrotado. Até seus aliados mais próximos perceberam, ainda que tardiamente e já se desesperam. O discurso golpista durante o lançamento de sua campanha assustou a elite que correu a assinar a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito. O capitão não falou de controle da inflação, recuperação da economia e do emprego ou de crescimento do país. Por isso, até Febraban e Fiesp, dois dos alicerces que congregam o filé do empresariado brasileiro, se fizeram presentes. Restou ao mandatário da nação, apressadamente, desdenhar da iniciativa e, mais tarde, escrever ele próprio um manifesto com as únicas ferramentas que tem à mão: 27 palavras e o Twitter. Se em 2018 essa elite apoiou decisivamente sua campanha, agora, preocupada com as consequências econômicas de um golpe, desembarca solenemente dela. O que será que o capitão imaginava? Que dariam apoio a essa aventura? Além disso, o secretário de defesa norte-americano, Lloyd J. Austin III, em reunião com o ministro da defesa brasileiro, general Paulo Sérgio, manifestou sua confiança nas urnas eletrônicas, sugerindo que nenhuma ousadia golpista teria o apoio de seu país. Com isso, as Forças Armadas, enquanto instituição, não deverão apoiar uma ruptura, embora haja alguns focos que permanecerão isolados, mas sem muita força. O resultado é que o capitão está ficando só. Não vence no voto e não consegue dar um golpe, embora continue a seguir na tentativa. O que resta a ele, afinal? Se Lula vencer em primeiro turno, imediatamente o capitão se transformará em cachorro morto. As traições, que já estão acontecendo principalmente no Nordeste, aumentarão exponencialmente, afinal, para que ficar do lado de quem já não distribui mais recursos deorçamentos secretos? A partir de janeiro próximo as denúncias de crimes de responsabilidade, que já somam mais de 40, começarão a gerar enxurradas de processos na primeira instância, já que o capitão perderá o foro privilegiado. Na grande maioria deles, o então ex-presidente será condenado e, dependendo da celeridade das instâncias superiores, será preso daqui a pouco tempo, quando se esgotarem os recursos em terceira instância e não em segunda, como ele sempre defendeu. É o futuro de quem desde cedo se propôs a entrar para a lata de lixo da história. Enquanto isso, seguimos aguardando esses longuíssimos próximos dois meses.   Fernando Castilho é arquiteto e professor. Criador do blog Análise & Opinião

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Campeão

O garoto, bem vestido e saudável, estava enfastiado em seu escritório. Entre mesas com computadores reproduzindo gráficos e relatórios, e outras pessoas que circulam à sua volta, todas igualmente enfastiadas, o jovem não via a hora do expediente terminar. Seis da tarde, seu rosto se ilumina. O bem mais sagrado do ser humano, a liberdade, está agora ao seu alcance. Larga tudo que está fazendo, análises de gráficos, relatórios, pega o paletó, afrouxa a gravata, se despede dos colegas e sai correndo ansioso em direção à garagem, em busca de seu carro. A propaganda, no intervalo do Jornal Nacional, garante ao menino bem-sucedido que quando ele entrar “naquele” carro, as portas da realização, e também – por que não? da vertigem da velocidade, se abrirão instantaneamente para ele como em um passe de mágica. É como se o carro fizesse parte dele. Ente de lata, reluzente, motorizado, seu complemento. Abre a porta, entra no carro, respira aliviado. O menino pisa fundo no acelerador. Liberdade. Correndo pelas ruas e avenidas, como se não houvesse outras pessoas, não houvesse outros carros, como se o mundo lá fora ficasse para trás, ah, esse jovem se sente livre, como se pudesse voar. Na propaganda não existe engarrafamentos nem acidentes fatais. Uma moça, jovem, bem vestida, sorri da rua para o audaz cavaleiro moderno, promessa de amor, seu sonho, o trabalho bem remunerado, o carro reluzente, o relacionamento com a linda princesa, de causar inveja aos colegas, se realiza em um minuto. Na propaganda. Depois do intervalo, a apresentadora do jornal fala de como a inflação tem castigado aos mais pobres, que já não têm o que comer. O jovem desliga a TV. Na garagem de seu prédio, alto padrão, seu carro de metal, vidro e plástico dorme. Amanhã, mais um dia de trabalho. Os gráficos da inflação. Fastio. Até que chegue às seis da tarde, poder fugir de carro rumo aos horizontes prometidos, à liberdade, em novos modelos, 4×4, painel eletrônico, frisos cromados. Sua princesa, uma modelo, o espera, o campeão da categoria, segundo o Jornal do Carro.

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