Construir Resistência

29 de julho de 2022

Sonia Castro Lopes

Sobre manifestos e manifestantes: a hora é de união!

Por Sonia Castro Lopes Manifestos que trazem sopros democráticos em momentos de autoritarismo e intolerância são sempre bem-vindos. Falo de uma perspectiva histórica, remetendo-me, por exemplo, ao Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932), que, sem ser revolucionário, conseguiu incorporar alguns de seus princípios à Constituição de 1934 e às posteriores que seguiram tendências democráticas no plano educacional. Ainda sob o Estado Novo da Era Vargas, lembramos o Manifesto dos Mineiros (1943) e sua percepção, possivelmente equivocada, do quanto o movimento de 1930 havia se desviado de seus objetivos pretensamente democráticos. Interpretações à parte, já que estamos falando de um momento autoritário de nossa história, podemos inferir que ambos foram movimentos políticos apartidários e liderados por figuras da elite intelectual, mas capazes de causar impacto e fornecerem contributos para mudanças no panorama educacional e político do país. Em 1984, o movimento Diretas Já agregou diversos setores da sociedade civil. Participaram inúmeros partidos políticos de oposição ao regime militar, além de lideranças sindicais, civis, artísticas e estudantis. Personalidades representantes de várias matrizes político-ideológicos como Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Mario Covas, Moreira Franco, Marcos Freire, Leonel Brizola, Lula, Roberto Freire, Luiz Carlos Prestes, dentre outros, apoiaram o movimento em defesa de um bem maior: o restabelecimento do Estado Democrático de Direito. Há dois anos surgiram reações  às atitudes antidemocráticas expressas pelo Presidente da República, seus filhos, ministros, asseclas e afins sob a forma de Manifestos. Refiro-me a movimentos como Estamos juntos, Basta, Somos 70%  publicados em grandes jornais que conseguiram reunir, em torno da defesa da democracia, cidadãos de várias correntes ideológicas e até adversários políticos, estabelecendo uma comparação com o clima das Diretas já.  O mais recente desses manifestos – A Carta em defesa da Democracia – foi lançado na última terça feira (26) por juristas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP) e já reuniu mais de 400 mil assinaturas.  Representantes de vários setores da sociedade civil  assinaram o documento e entre os signatários do texto estão empresários, associações que reúnem bancos e porta-vozes do setor industrial, e algumas das maiores centrais sindicais do país, como a CUT (Central Única de Trabalhadores) e a Força Sindical. O documento inspirou-se na Carta pela Democracia de 1977, elaborada em plena ditadura civil-militar pelo jurista Goffredo Telles. Representando o setor empresarial assinaram a Carta  Luiza Trajano (Magazine Luiza), Fábio Barbosa (Natura), Pedro Moreira Salles (Itaú Unibanco), Eduardo Vassimon (Votorantim) e Walter Schalka (Suzano Papel e Celulose). Apesar de demonstrar-se apartidário, já que não cita o governo federal ou qualquer partido/candidato que esteja concorrendo às eleições de 2022, o manifesto defende o sistema eleitoral e o respeito aos resultados das eleições em outubro. E tem tirado o sono dos coordenadores da campanha do presidente Bolsonaro, alarmados com a repercussão do documento junto a setores que teoricamente deveriam ser fiéis à politica econômica do governo.  O próprio mandatário da República referiu-se ao Manifesto, de forma debochada,  como uma “cartinha” sem importância.  “Qual é a ameaça que eu estou oferecendo para a democracia?”  indagou o presidente aos apoiadores do cercadinho. Ele é tosco, mas sabe que quando o empresariado muda de time seu projeto de reeleição corre sério risco. A hora é de união e no próximo dia 11 de agosto – dia do advogado – haverá grande manifestação pública na cidade de São Paulo em prol da democracia. Todos serão bem-vindos. Como Lula nos ensina, não se pode desprezar o apoio de ninguém. Desafetos antigos, adversários políticos  precisam se unir em torno do combate ao mal maior. Urge recorrer à história para lembrar que expurgos, na maioria das vezes, enfraquecem movimentos e dividem a oposição, à exemplo da Segunda Internacional (1889-1916) que culminou com a expulsão de vários setores progressistas provocando a divisão da esquerda.  Penso que essa união antifascista pode receber críticas por não corresponder ao ideal em termos de oposição, mas é necessária para derrotar o pior governo que já tivemos em toda a história republicana.

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Documento em defesa da democracia revive movimento DIRETAS JÁ

Por Jorge Antonio Barros Compartilhado do Quarentena News Responsável pela blindagem de Bolsonaro na Câmara de Deputados, Artur Lira contrariou o chefe e defendeu as urnas eletrônicas. O presidente do Superior Tribunal Militar, um milicão de farda e tudo, também manifestou confiança no sistema eleitoral, diferentemente do que afirmam alguns oficiais do Exército. As elites empresariais preparam carta em defesa da democracia. Começou a reação às manifestações golpistas do presidente Bolsonaro. Tudo indica que o Sete de Setembro dele não vai passar de meia dúzia de pangarés galopando no Planalto. Mas o melhor de tudo é a chance que nós brasileiros temos de participar e responder com vigor a tudo isso, assinando a “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”. O documento foi elaborado por juristas ligados à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e já recebeu mais de 300 mil assinaturas, inclusive a minha. Apesar de Bolsonaro se referir ao documento como “cartinha”, hackers de extrema direita, ligados ao Bolsonarismo, tentaram invadir o site para sabotar a Carta em defesa do Estado Democrático. O manifesto tem apoio de ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), artistas, intelectuais e ex-jogadores de futebol. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também vai preparar um documento em defesa do processo eleitoral, com apoio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Ambos as cartas serão lidas em ato na Faculdade de Direito da USP em 11 de agosto. Esse ato pode representar um novo “Diretas Já”, o movimento que em 1984 levou milhões às ruas de todo o país pedindo eleições diretas que foram suspensas após a implantação do golpe civil-militar de 1964.  Agora a palavra de ordem é “Democracia Sempre”. A meta é chegarmos a pelo menos 1 milhão de pessoas assinando a carta da Faculdade de Direito da USP – o mesmo número de manifestantes da manifestação pelas Diretas Já na Candelária. #DEMOCRACIASEMPRE LEIA A ÍNTEGRA DA CARTA PELA DEMOCRACIA E ASSINE https://direito.usp.br/noticia/809469c6c4fb-carta-as-brasileiras-e-aos-brasileiros-em-defesa-do-estado-democratico-de-direito ENTENDA O QUE FOI A CARTA AOS BRASILEIROS, EM 1977 http://m.acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,em-1977-carta-aos-brasileiros-pediu-estado-de-direito,70004121766,0.htm Jorge Antonio Barros é jornalista e editor chefe do Quarentena News.

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A síndrome do mal

Compartilhado do BRASIL DE FATO “Bolsonaro pode cair, mas  os 30% de violentos e machistas vão continuar”, avisa o pesquisador Antonio Cattani para quem a “síndrome do mal”aparece sob a forma de autoritarismo, egoísmo, obsessão com sexo e irracionalismo. Entrevista de Ayrton Centeno Pesquisador do mundo dos trabalhadores e dos seus sindicatos, o sociólogo Antonio David Cattani resolveu, nos últimos anos, dar uma guinada de 180 graus: passou a estudar as classes abastadas. Consequência dessa mudança de rota são seus livros Riqueza desmistificada, Carí$$imos ricos, Ricos, podres de ricos e A sociedade justa e seus inimigos, este em co-autoria com Marcelo Oliveira. Cattani fez doutorado na Université de Paris I – Panthéon-Sorbonne e foi pesquisador e professor visitante nas universidades de Oxford e Bologna. Sua última obra é A síndrome do mal (Ed. Cirkula, 2020), na qual investiga as peculiaridades do fascismo no Brasil bolsonarista, onde aflorou aquilo que qualifica como “a parte podre da sociedade” composta por uma confraria de ressentidos e intolerantes. Depois do assassinato do dirigente petista Marcelo Arruda e diante da ameaça de uma maré de violência política ameaçando a campanha eleitoral, O Brasil de Fato RS conversou com ele sobre as raízes desse ódio que enche de incertezas os próximos dias e meses. “Pessoas acometidas pela síndrome do mal aparecem diariamente no palanque presidencial”, afirma Cattani. Confira a entrevista: https://www.brasildefato.com.br/2022/07/27/bolsonaro-pode-cair-mas-os-30-de-violentos-e-machistas-vao-continuar-avisa-pesquisador?bdf=i Foto: Igor Sperotto/ Extra Classe

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Para FUP, dividendo recorde da Petrobrás é imoral

Por Assessoria de Imprensa da FUP  Superlucro foi impulsionado pela alta de preços de derivados no mercado interno. Acionistas estrangeiros ficam com a maior parcela: 44,8% do total a ser pago Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o dividendo recorde de R$ 87,81 bilhões da Petrobrás, no segundo trimestre do ano, é imoral. Reduz a capacidade de investimento da empresa e representa transferência de renda do trabalhador brasileiro em meio à escalada de reajustes dos combustíveis e da inflação provocadas pela equivocada política de preço de paridade de importação (PPI). O desempenho financeiro da companhia foi divulgado na noite de quinta-feira, 28, trazendo superlucro líquido de R$ 54,3 bilhões no segundo trimestre — alta de 22% em relação aos primeiros três meses do ano. O lucro líquido no semestre, de R$ 98,9 bilhões, cresceu 124,6%. Porém, os investimentos em exploração e produção (E&P) caíram 14,7%, em dólar, na comparação semestral. “O dividendo deste trimestre e os R$ 48,4 bilhões registrados no primeiro trimestre somam R$ 137,1 bilhões no semestre do ano, o que representa mais do que o ano passado todo e supera os dividendos pagos para um ano inteiro ao longo da história da Petrobrás. É recorde para um trimestre, é recorde para um semestre, é recorde para qualquer ano anterior”, destacou o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar. Ele lembra que os valores são ainda maiores: “Observando o que foi pago em 2022 (R$ 38,3 bilhões), referente ao ano de 2021, chegamos a R$ 175,4 bilhões até setembro. Considerando que a Petrobrás ainda vai distribuir o resultado do terceiro trimestre neste ano, podemos atingir cerca de R$ 200 bilhões em 2022. É um escárnio, uma verdadeira festa de fim de governo. Festa da ilha fiscal 2”. Para Bacelar, a política de gordos dividendos é uma perversa forma de concentração de renda, que beneficia sobretudo acionistas privados. Os acionistas estrangeiros ficam com a maior parcela, 44,8% do total dos dividendos distribuídos. O dirigente da FUP observou que “o aumento das receitas de vendas dos derivados no mercado interno, decorrente da alta dos preços reajustados pelo PPI, foi o principal fator dos elevados lucros operacionais da Petrobrás no segundo trimestre e nos primeiros seis meses do ano. O superlucro e a escalada da inflação caminham juntos”, afirmou.   Título original sugerido pela Assessoria da FUP:  Dividendo recorde da Petrobrás, de R$ 87,8 bilhões no trimestre, é imoral, fruto da transferência de renda do trabalhador

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O Velho Ricardo

Por Sergio Papi   Verdade que era irascível e autoritário, ninguém é perfeito. Se eu contar todos os truques de campanha que aprendi com o velho feiticeiro sobre “propaganda” – ele detestava os termos “publicidade” ou “marketing”, “propaganda” era um termo mais leninista. Forjado, espírito de aço, nas lutas estudantis e sindicais, fora prisão e exílios, o velho Ricardo Zarattini foi dos primeiros a pensar os panfletos de apoio, a foto do candidato ao lado do militante, personalizando e tornando um líder de bairro, expoente. Foi com o velho que eu, nas primeiras versões do PhotoShop, recortei fotos de figuras e as coloquei lado a lado, sobre fundo azul, vermelho ou laranja. O velho gostava de conversar com o porteiro do prédio antigo da Líbero, o Zé, nascido e criado nos resquícios de Canudos, tinha que ouvir a voz do povo. Inventou uma candidatura de um cantor popular e a peça, dizia ele, tinha que ter o aspecto de impresso das Casas Bahia, colorido e cheio de balão de “ofertas”. Eleger não elegeu, mas a ideia era boa. Também possuía algo de déspota escravocrata; o Professor dizia que ele encarnava um ancestral, general romano. O velho, de vez em quando, me aparece na forma de espírito psicodigitalizado.  * Começou a militância política aos 16 anos, estudante secundarista. Presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP). Participou da campanha popular “O petróleo é nosso” que culminou na fundação da Petrobras. Formou-se em Engenharia, POLI, 1962. Trabalhou na COSIPA em Santos, participou junto ao Sindicato dos Metalúrgicos da cidade de uma série de greves e paralisações, garantiu o pagamento do décimo terceiro para os funcionários. No Nordeste, engenheiro e um dos líderes do movimento canavieiro. 1968, militante do PCBR, oposição à Ditadura. Três dias após o AI-5, preso e torturado em Pernambuco. Estava entre os presos políticos trocados pelo embaixador Elbrick. Com a abertura, direitos políticos retomados. A convite de Brizola, se filiou ao PDT. 1993, assessoria técnica da liderança do PDT na Câmara. Ajudou a elaborar as campanhas para presidência de Lula nos anos de 1994 e 1998. 2002, concorreu a uma vaga de Deputado federal pelo PT conquistando a suplência, 55.258 votos. 2003, assessor de José Dirceu. 2004, toma posse como parlamentar suplente. 2005, biografado: “Zarattini, a paixão revolucionária”, (fiz a capa) por José Luiz del Roio, prefácio por Franklin Martins. 2010, concorreu à vaga de primeiro suplente para o Senado na chapa capitaneada por Netinho de Paula (PCdoB). A chapa angariou 7.773.327 votos, ocupando o terceiro lugar, superada por Aloysio Nunes (PSDB) e Marta Suplicy (PT).

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TV Brasil paga R$ 3 mi por novela da Record

Por Altamiro Borges Charge publicada no Blog do Barata   As relações entre o “capetão” Jair Bolsonaro e o “bispo” Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), são bem sinistras. O site Notícias da TV revela que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gerida pelo governo, adquiriu a terceira novela da Record. Após “Dez mandamentos” e “Escrava Isaura”, a TV Brasil exibirá agora “A terra prometida”. “A compra foi fechada na semana passada. Segundo apurou o Notícias da TV, o valor é praticamente o mesmo das outras duas tramas: cerca de R$ 3 milhões. A Terra Prometida vai substituir A Escrava Isaura, atualmente em exibição às 20h. No horário das 18h, a TV Brasil também mostra Os Imigrantes (1981), feita pela Band”. O site até tenta amenizar a suspeita relação. Afirma que “o investimento em novelas foi uma forma que a nova direção da TV Brasil encontrou para tirar a rede do zero de ibope. E deu certo. Em junho na Grande São Paulo, principal mercado do Brasil, foram 0,33 ponto na faixa entre 7h e 0h. No mesmo período, RedeTV! alcançou 0,34 e TV Cultura ficou com 0,44”. Mas a aquisição não se deve apenas à audiência. Tem razões políticas e de exploração religiosa. Essas compras suspeitas inclusive já causaram polêmicas no Congresso Nacional. No ano passado, o deputado federal Paulo Ramos (PDT-RJ) pediu que o ministro das Comunicações, Fábio Faria (PL-RN), explicasse os critérios para a compra das novelas da Record. No requerimento protocolado na Câmara Federal, ele lembrou que a Iurd apoia o “capetão” e que o valor desembolsado representa 40% de todo orçamento da EBC para compra de séries, filmes e outros conteúdos e 70% do dinheiro disponível para adquirir direitos de novelas. Há cheiro de enxofre nessa aquisição!   Altamiro Borges é jornalista, fundador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e editor do Blog do Miro   Matéria publicada originalmente no link abaixo do Blog do Miro  https://altamiroborges.blogspot.com/2022/07/tv-brasil-paga-r-3-mi-por-novela-da.html?m=1

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